8 de Março: Mulheres tomam as ruas em ato unificado

8 de Março: Mulheres tomam as ruas em ato unificado

Trabalhadoras, estudantes, jovens, aposentadas, mulheres de todas as raças, credos, orientações sexuais e idades se uniram, debaixo de forte chuva, na tradicional praça da Candelária para o ato unificado do 8 de Março. A atividade, construída de forma unitária pelos mais variados movimentos feministas. A Secretaria da Mulher Trabalhadora da CTB RJ participou ativamente do ato.

Nem mesmo a forte chuva que caiu na tarde deste 8 de março no Rio de Janeiro afastou as mulheres da luta. Unidas em defesa dos direitos das mulheres e com o slogan “por uma democracia popular e feminsta”, as trabalhadoras fizeram suas falas ainda na praça, antes de seguirem em passeata até a Assembleia Legislativa (ALERJ) antes de encerrarem o ato na Praça XV. Além das representantes dos movimentos sociais, parlamentares como as deputadas federais Jandira Feghali (PCdoB) e Benedita da Silva (PT) e a deputada estadual Enfermeira Rejane (PCdoB) passaram pela atividade e fizeram uma saudação às trabalhadoras. A dirigente do SINFA-RJ e da CTB Rio de Janeiro, Arlene Carvalho fez uma contundente fala contra as Reformas de Temer e as classificou como violência contra a mulher:

“A questão das Reformas de Temer e da Violência contra a mulher estão intimamente ligadas. Com a Reforma Trabalhista, a mulher saiu perdendo, e isso é violência. Nós somos obrigadas a trabalhar, mesmo estando gestantes, expostas à situações insalubres, enfrentamos dificuldades nas situações nossos filhos precisam ser acompanhados pelo responsável, no caso a mãe. Enfrentamos uma Reforma da Previdência que é mais dura ainda com as mulheres trabalhadoras. Hoje, nós somos 50% das chefes de família no emprego formal e muito numerosas na informalidade, sustentando nossas famílias de dentro da nossa casa. No mundo do trabalho, sofremos com a violência de, mesmo quando mais capacitadas, sermos preteridas ou admitidas com menores salários para uma mesma função. Nas empresas, quando vão demitir, as primeiras a serem mandadas embora somos nós mulheres. As mulheres precisam da igualdade social, precisam ser respeitadas em todos os sentidos. E é por isso que estamos tomando as ruas nesse 8 de março.” – disse Arlene.

A Secretária da Mulher Trabalhadora, Kátia Branco, considerou o ato como sendo vitorioso e aproveitou para fazer uma dura crítica ao McDonald’s, que virou notícia em todas as redes sociais por uma suposta homenagem às mulheres com filiais funcionando apenas com mulheres:

“O ato de hoje foi muito vitorioso! Nem mesmo a chuva nos impediu de tomar as ruas e denunciar o machismo e toda a opressão de gênero do capitalismo. Hoje, em pleno Dia Internacional da Mulher, o país ficou chocado com a notícia de que o McDonald’s havia colocado apenas mulheres para trabalhar em algumas unidades. Isso não é homenagem, é um ultraje! É a exploração da mulher para o lucro dos donos da empresa em pleno 8 de março! É por isso que nós lutamos por emancipação e por um feminismo classista, aliado à luta de classes, que enfrente toda essa estrutura que oprime as mulheres no dia a dia, que nos impõe piores salários em mesma função e que tenta nos tirar direitos fundamentais conquistados com muita luta.” – afirmou Kátia Branco.

Katia também falou sobre o momento da luta das mulheres e a perspectiva de unidade do movimento:

‘- É muito importante que esse ato tenha sido construído por tantas entidades diferentes. Há alguns anos, o movimento de luta das mulheres vem crescendo e nossa unidade se fortalecendo. Foi assim que enfrentamos a agenda golpista de Eduardo Cunha, foi assim que enfrentamos a agenda neoliberal do usurpador Michel Temer, é com essa unidade que impedimos o avanço da Reforma da Previdência e será com essa unidade que iremos reconstruir a democracia no Brasil e derrotar os setores conservadores que deram um golpe na nossa democracia.’ – disse Kátia

O ato transcorreu sem maiores incidentes com palavras de ordem que pediam a legalização do aborto, a igualdade de salários, o fim de todos os assédios, o fim da violência contra a mulher e a derrubada do presidente golpista Michel Temer.

Acesse o álbum com as fotos da concentração do #8M na Candelária, clicando AQUI.

Texto e Fotos: José Roberto Medeiros | CTB RJ

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