“A CASA GRANDE SURTA” – DIZ ESTUDANTE NEGRA APROVADA EM 1º LUGAR EM MEDICINA NA USP

“A CASA GRANDE SURTA” – DIZ ESTUDANTE NEGRA APROVADA EM 1º LUGAR EM MEDICINA NA USP

Viralizou na internet a frase da estudante Bruna Sena, 17 anos, ao comemorar o primeiro lugar no vestibular para ingressar no curso de Medicina na Universidade de São Paulo, campus de Ribeirão Preto, no interior do estado.

“A casa grande surta quando a senzala vira médica”, disse a estudante. Já a mãe Dinália Sena, que trabalha como operadora de caixa de uma rede de supermercados, mostra preocupação ao pedir para a reportagem do jornal Folha de S.Paulo colocar na reportagem que ela tem medo de problemas com os racistas. “Ela vai ser o 1% negro e pobre no meio dos brancos e ricos da faculdade”. 

Para a secretária de Promoção da Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Mônica Custódio, a aprovação da estudante traz à tona a necessidade das cotas raciais nas universidades públicas.

“O mérito dela é muito grande, mas desnuda a situação da população negra e pobre, oriunda da escola pública, com muito pouca chance de ingressar nos cursos mais concorridos nos vestibulares”, diz.

Para Custódio, “os governos Lula e Dilma iniciaram um processo de melhorias para os mais pobres. Isso deu mais condições para ingressarem na universidade. Porém, com o governo golpista está tudo indo para o ralo”.

Ela defende as mesmas oportunidades para toda a juventude com “cotas para os desfavorecidos neste momento, para igualar as oportunidades no futuro”. Além disso, ela ressalta a necessidade de “mais investimentos em educação pública com valorização profissional e mais condições de aprendizado”.

A estudante que é ativista dos movimentos feminista e negro, disse à Folha: “Claro que a ascensão social do negro incomoda, assim como incomoda quando o filho da empregada melhora de vida, passa na Fuvest”.

A nova estudante de medicina da USP explica que no último ano do ensino médio ela fez um cursinho destinado a estudantes carentes, mantido por alunos da própria USP. “Sem cursinho, não iria conseguir”, diz. “Não há como concorrer de igual para igual quando não se tem oportunidade de vida iguais”.

“Mais importante agora é a conscientização dos movimentos sociais para ajudar a manutenção dela na universidade”, complementa Mônica. “Precisamos defender políticas públicas que propiciem a todos os estudantes a manutenção em seus cursos”..

Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy 

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