ALEX SANTOS: A IMPORTÂNCIA DA INDUSTRIALIZAÇÃO PARA O BRASIL

ALEX SANTOS: A IMPORTÂNCIA DA INDUSTRIALIZAÇÃO PARA O BRASIL

Durante o período em que fomos colônia de Portugal (1500 a 1822) não tivemos desenvolvimento industrial em nosso país. Era proibido, por Portugal, o estabelecimento de fábricas em nosso território para que os brasileiros consumissem os produtos manufaturados portugueses. Mesmo com a chegada da família real (1808) e a abertura dos Portos às Nações Amigas, o Brasil continuou dependente do exterior, porém, a partir deste momento, dos produtos ingleses.

O embrião do desenvolvimento industrial no Brasil foi somente no final do século XIX. Muitos cafeicultores começaram a investir na implementação de indústrias têxteis e de calçados, principalmente em São Paulo e no Rio de Janeiro. Com a predominância de imigrantes italianos na mão-de-obra.

Mas foi só a partir do primeiro governo de Getúlio Vargas que a indústria brasileira ganhou um grande impulso. Muito influenciado pelo debate entre o industrial Roberto Simonsen e o economista liberal Eugênio Gudin. Simonsen defendia de maneira contundente a relação entre o desenvolvimento das atividades industriais no país e a consolidação de uma estrutura econômica e social forte e estável, com uma participação forte do estado neste processo planejando, incentivando e blindando este projeto.

Já para Gudin o foco estaria na produtividade agrícola, e o essencial para o desenvolvimento econômico seria aumentar nossa produtividade na agricultura, tínhamos vocação para sermos o celeiro do mundo.

Os debates ocorridos em meados dos anos 1940 entre Roberto Simonsen e Eugênio Gudin, alicerçaram as bases para que a partir de 1937, com a instituição do Estado Novo, Getúlio Vargas assumisse o projeto industrializante, baseado na proteção à indústria nacional e na realização de investimentos públicos. A criação da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) em 1941 é um forte símbolo deste projeto.

Durante este período, a indústria também se beneficiou com o final da Segunda Guerra Mundial (1939-45), pois os países europeus estavam com suas indústrias arrasadas, necessitando importar produtos industrializados de outros países, entre eles o Brasil.

Com a criação da Petrobrás (1953), ocorreu um grande desenvolvimento das indústrias ligadas à produção de gêneros derivados do petróleo (borracha sintética, tintas, plásticos, fertilizantes, etc).

Durante os quase oito anos em que estive à frente da presidência do SindimetalRio, vi diversas empresas encerrarem suas atividades em nosso estado, e em todas atuamos de forma enérgica, em um primeiro momento para evitar o fechamento e a perda dos postos de trabalho, e em segundo momento na defesa dos direitos dos trabalhadores, haja visto que a grande maioria encerra sua atividades querendo aplicar golpes na classe trabalhadora.

Entretanto, há algo ainda mais grave e que chama a atenção é um esvaziamento do parque industrial em nosso estado, e no Brasil como um todo, em um processo acelerado de desindustrialização. Atualmente, a participação da indústria no PIB (Produto Interno Bruto) é de 10,08%, segundo o IBGE. Estes números são piores do que os da década de 1940, pois em 1947, a indústria correspondia a cerca de 11% do PIB.

Um estudo da Fiesp aponta que a indústria de transformação brasileira cresce a taxas menores que o PIB. Se comparado com países com PIB per capita semelhante, a indústria de transformação brasileira teve um dos piores desempenhos nos últimos anos, atrás de países como: China, Índia, Coreia, Rússia, Argentina, Indonésia, Tailândia, Colômbia, Turquia e Chile.

Sem conseguir chegar ao seu auge, a produção industrial tem sofrido revés sem uma política forte, de Estado, para o setor. Os governos de Lula e Dilma foram firmes quando tiveram coragem para aplicar as políticas sociais, como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida, entre outros programas. Mas no plano macroeconômico, pouco foi feito. Não tiveram essa mesma energia nesse assunto de interesse nacional. Fazer uma forte política industrial requer mexer na dívida pública, baixar consideravelmente a taxa de juros. O que, é claro, mexe com inúmeros interesses.

Precisamos repensar a política industrial brasileira. Essa redução da participação da indústria, em algum momento será cobrada do Brasil e podemos ficar ainda pior caso nada seja feito o quanto antes. Nenhum país consegue crescer, ano após ano, sem contar com muitos investimentos para ampliar a capacidade produtiva e fazer, assim, crescer econômico e socialmente o seu povo.

 

*Alex Santos é Secretário de indústria Naval e Offshore da FitMetal Brasil e Secretário de relações Sindicais da CTB RJ

 

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