ARTIGO – MÔNICA CUSTÓDIO: 21 DE MARÇO – DIA INTERNACIONAL CONTRA A DISCRIMINAÇÃO RACIAL

ARTIGO – MÔNICA CUSTÓDIO: 21 DE MARÇO – DIA INTERNACIONAL CONTRA A DISCRIMINAÇÃO RACIAL

Na esteira da campanha de valorização dos afrodescendentes empenhada pela ONU, segue o recrudescimento da política de extermínio da juventude negra.

As últimas décadas foram marcadas pelo imenso esforço dos movimentos sociais e de luta antirracismo para denunciar e contrapor as formas de racismo, machismo, preconceitos e toda forma de intolerâncias correlatas. Nesse período, fizemos entender a necessidade de darmos um passo adiante no caminho para superação e emancipação sobre as ideologias atrasadas do patriarcado, do eurocentrismo e das classes dominantes. Denunciamos essas ideias em seus usos de ingredientes como a cultura da “superioridade” e da subordinação e saímos em defesa de uma nova conformação social que superasse essa estratificação.

Entendemos as múltiplas faces do racismo e as contribuições da II e III Internacional sobre a importância da luta antirracismo e a sua imbricação na luta de classes. O pós-II Guerra Mundial daria uma nova configuração a essa luta – um novo signo surgia em todos os continentes contra o avanço do imperialismo e pela superação do colonialismo no mundo, contando com a grande influência do bloco socialista. Materializadas na bipolaridade geopolítica daquele momento, as ideias emancipatórias avançaram pelos direitos universais e individuais, tendo êxito com grandes lideranças na franja dessas lutas de classes. Instituiu-se a partir daí um guarda-chuva para as organizações classistas e emancipacionistas, sempre orientadas pelo marxismo.

A partir das décadas de 1950 e 60, a materialidade dessas conformações políticas e ideológicas se encheram de força e consciência de classe. O embricamento da luta de classe com a luta antirracismo se consolidou, tendo como pauta a emancipação humana e de classe e a igualdade. Junto deste movimento, surgiram lideranças históricas como Nelson Mandela (Madiba) na África do Sul, Ângela Davis, Martin Luther King e Malcolm X, nos Estados Unidos. Aqui no Brasil, tínhamos Abdias Nascimento, Lélia Gonzalez e Clóvis Moura.

Toda a historiografia negra, desde o escravismo, é marcada pela luta pelo direito à liberdade e à vida. A história do negro em qualquer parte do mundo é, antes de mais nada, a história de luta pela vida. Por este motivo, o início da década Internacional de Afrodescendentes não nos representa: o tema “Povos Afrodescendentes: reconhecimento, justiça e desenvolvimento” não condiz com a nossa realidade.

A realidade da população negra mundial, e em especial nestes países onde há confronto contra a igualdade de oportunidade e condições, é a do racismo institucional. Este elemento ideológico ceifa vidas de mulheres, homens, jovens e crianças. No continente americano, o genocídio da juventude negra percorre de norte a sul.

É com a bandeira em punho, na defesa da democracia, soberania, do respeito, e da liberdade de expressão das Tradições de Matrizes Africanas, que avançamos nos projetos de unidade e ação política. Atuamos através dos partidos políticos e dos movimentos sindicais, sociais e frentes para defendermos a vida e a igualdade. Nos mobilizamos em momentos singulares, como a Marcha dos 100 anos da Abolição (1988), os 300 anos de Imortalidade de Zumbi, o movimento Pela Vida! (1995), o Brasil Outros 500 (2000), a Marcha Nacional das Mulheres Negras Contra a Violência e o Pelo Bem Viver (2015). Pela Democracia e a Vida. Porque a vida, e a liberdade de nossa juventude negra importa.

Assim, o movimento negro brasileiro evolui, com capilaridade e sabedoria, compreendendo a complexidade da luta em si, e para si, e ampliando sua musculatura política no enfrentamento com os nossos inimigos de classe. E neste momento nosso fronte é contra a PEC 287 – Reforma da Previdência, contra a PL 4302 – A Terceirização e o Fim da CLT.

Vida longa aos 10 anos da CTB, viva a luta antirracismo, viva a Quilombagem!!!

* Mônica Custódio é Secretaria Nacional de Promoção à Igualdade Racial da CTB e diretora do Sindimetal-Rio

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