BANCÁRIOS DA CTB-RJ LOTAM AUDITÓRIO DO SINDICATO EM PLENÁRIA

BANCÁRIOS DA CTB-RJ LOTAM AUDITÓRIO DO SINDICATO EM PLENÁRIA

Centenas de bancários classistas lotaram ontem (28) o auditório do Sindicato dos Bancários, no centro do Rio de Janeiro, para a plenária do Núcleo dos Bancários da CTB-RJ. A plenária aconteceu no momento em que se inicia o processo eleitoral da entidade e teve a mesa coordenada pelo Secretário Geral da CTB e diretor do Sindicato dos Bancários, Carlos Lima. Também compuseram a mesa o diretor da CTB, Igo Menezes; o secretário de formação da CTB Luiz Serafim, a Secretária de Mulheres da CTB-RJ e diretora do Sindicato dos Bancários, Katia Branco e o Secretário de Saúde do Sindicato dos Bancários Renato Higino e o presidente municipal do Partido Comunista do Brasil – Rio de Janeiro (PCdoB-RJ), Waldemar Lemos. Também estiveram presentes diversas lideranças bancárias cetebistas como o companheiro Robson Santos, também diretor do Sindicato dos Bancários.

O companheiro Carlos Lima abriu a plenária apresentando a pauta a ser abordada na mesma. Logo em seguida, coube ao companheiro Sérgio Menezes, diretor do Sindicato dos Bancários e da CTB-RJ lembrar aos presentes que o dia presente era o dia nacional de combate ao trabalho escravo e explicou a origem da data com referência à Chacina de Unaí, ocorrida em 28 de Janeiro de 2004. Depois da referência á importante data, fez uma homenagem ao companheiro Carlos Augusto Aguiar, o Carlão, pela sua atuação no sindicato e pelas lutas feitas pelo mesmo.

Em sua fala, após a homenagem, o companheiro Carlão defendeu que o “papel do dirigente sindical é defender os direitos da categoria que representa e os trabalhadores em geral”. O sindicalista defendeu uma “guinada” na luta da categoria e foi muito aplaudido pelos presentes.

Logo após as homenagens, o secretário geral da CTB, Carlos Lima, fez a leitura do documento aprovado pela nacional sobre a conjuntura e elencou as bandeiras que as centrais estão levantando como saída para o momento que o País vive: taxação de grandes fortunas, taxação de remessas de lucros para o exterior, revisão das desonerações e redução dos juros.

O secretário de formação da CTB-RJ, Luiz Serafim, criticou as medidas do governo afirmando que “as MPs propõem arrocho na vida dos trabalhadores”. Para Serafim, a hora é de unidade e “os trabalhadores tem um papel importante na luta para trazer esse governo para a esquerda”. A linha foi seguida pelo diretor da CTB-RJ, Igo Menezes que taxou a conjuntura de “momento difícil” e defendeu que os trabalhadores “precisam estar unidos e fortes” diante da realidade.

A Secretária de Mulheres da CTB-RJ e também da direção do Sindicato dos Bancários, Katia Branco, lembrou que “uma das nossa bandeiras é a de ser totalmente contrários às metas pois elas a cada dia adoecem mais o trabalhador”. Representando o Partido Comunista do Brasil (PCdoB), o Presidente municipal da entidade, Waldemar Lemos, fez uma saudação logo em seguida e lembrou que “a saída para a crise não pode ser penalizar os trabalhadores, precisamos taxar as grandes fortunas e taxar as remessas de lucros e dividendos para o exterior”.

Após as falas, Carlos Lima fez a leitura do plano de lutas dos bancários da CTB. A mesma foi aprovada por consenso e, em seguida, fez-se um debate sobre as eleições do sindicato e organização do núcleo. Foi decidido os primeiros passos dos cetebistas no processo eleitoral e o núcleo bancário da CTB foi batizado em homenagem ao camarada José Toledo de Oliveira.

José Toledo de Oliveira, bancário comunista e herói da luta contra a Ditadura Militar

Mineiro de Uberlândia, advogado e bancário, José Toledo ainda não completara 20 anos quando se tornou funcionário do Banco de Crédito Real de Minas Gerais, em Belo Horizonte. Mudou-se para o Rio de Janeiro, onde se filiou ao Sindicato dos Bancários. Como ativista político, editou o jornal Elocom o deputado federal João Alberto. Utilizando o pseudônimo de Sobral Siqueira, tinha uma coluna fixa no periódico.  Elo com o deputado federal João Alberto. Utilizando o pseudônimo de Sobral Siqueira, tinha uma coluna fixa no periódico. Foi eleito diretor da Associação dos Funcionários do Banco. Nessa época, ingressou no Partido Comunista e mais tarde optou pelo PCdoB.

Após abril de 1964, ocorrendo intervenção naquele sindicato, o jornal foi fechado. Apesar das numerosas demissões efetuadas por ra- Elo foi fechado. Apesar das numerosas demissões efetuadas por razões políticas no Banco de Crédito Real, José Toledo permaneceu trabalhando, porque escrevia com pseudônimo e não foi identificado. Em 01/08/1969 foi preso no trabalho, junto com outros bancários, pelo DOPS. Transferido para o Cenimar, na Ilha das Flores, foi submetido a torturas, que denunciou posteriormente na Justiça Militar. Terminaria sendo absolvido no processo, mas deixou o Banco e passou a militar na clandestinidade. Juntou-se então aos outros companheiros do PCdoB que haviam se deslocado para a região do Araguaia.

Além da referência do “livro negro” do Exército, transcrita no caso anterior, o Relatório do Ministério do Exército, apresentado em 1993 ao ministro da Justiça Maurício Corrêa, registra que José Toledo era “militante do PCdoB, utilizava o nome falso de José Antônio de Oliveira e os codinomes Vitório e Vítor. Participou da Guerrilha do Araguaia”.

Já o relatório da Marinha, do mesmo ano, traz mais informações sobre suas atividades políticas anteriores, de oposição ao regime militar: “ABR/68, foi preso na Favela da Rocinha quando distribuía panfletos subversivos conclamando o povo e incitando os trabalhadores contra o arrocho salarial. AGO/69, preso dia 1º de agosto 1969, no Sindicato dos Bancários da Guanabara, durante assembléia da classe ali realizada para aumento salarial. AGO/69, preso e recolhido ao Departamento Especial de Fuzileiros Navais da Ilha das Flores, à disposição do IPM instaurado contra o mesmo. JUL/70, foi posto em liberdade de acordo com o alvará de soltura de 31 JUL 70, do Auditor das Auditorias da Marinha”.

Era advogado e bancário. Por suas atividades políticas e sindicais, esteve preso na Ilha Grande. Ao conseguir a liberdade, mudou-se para o Araguaia, na região de Caianos. Pertenceu ao Destacamento C da Guerrilha, do qual era vice-comandante. Morreu em 21/9/72. Seu corpo ainda não foi encontrado.

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