Carta aberta dos ex-presidentes do CREMERJ

Carta aberta dos ex-presidentes do CREMERJ

Carta aberta ao CREMERJ dos ex-presidentes do CREMERJ das gestões dos últimos 30 anos


Aos médicos e à população,

Senhores Conselheiros;

Preocupados com o quadro atual da pandemia causada pelo Sars-Cov-2 não só no Rio de Janeiro, mas em todos os estados da federação, onde os indicadores mostram avanço descontrolado de casos novos e mortes, vimos abaixo assinados solicitar atenção e providências cabíveis.
Está clara a falta de planejamento e controle sobre as atividades cotidianas das pessoas e sua movimentação, das empresas de serviços, dos locais e eventos que geram agrupamentos.

Com decisões sem amparo científico e com a falta de informações à sociedade, facilitou-se a disseminação de notícias falsas e a propagação de tratamentos “milagrosos”, como a cloroquina, ozonioterapia, nitazoxanida, ivermectina, entre outros, sem eficácia comprovada contra a Covid-19, colocando em risco a saúde e a vida da população. Infelizmente, observa-se médicos compactuando com tal absurdo, ainda que seja uma pequena minoria.

A falta de leitos, insumos, equipamentos e recursos humanos capacitados, acompanha o avanço da pandemia. Os médicos e demais profissionais da saúde, na sua brava luta diária, são também vítimas da incompetência, negligência e ambições pessoais que assola a maioria dos gestores da saúde pública, o que já ocasionou centenas de mortes de colegas, muitas por falta de EPIs.

A população está ameaçada por informações falsas e conteúdos enganosos, largamente difundidos pelas mídias sociais. Parte significativa está em dúvida se a melhor forma de conter a disseminação do vírus e a autoproteção são o distanciamento e a máscara ou ao contrário. E agora, recentemente, mais um dilema, não menos grave: deve-se vacinar ou não?

O Presidente da República trabalha contra o distanciamento social, o uso de máscaras e a vacina. Com a falta de logística, o crescimento exponencial de casos novos e mortes, sem perspectiva de controle a curto e médio prazo, dificilmente a vacina de forma isolada conterá a pandemia. O Ministério da Saúde não orienta ou organiza, não lidera a guerra contra a Covid, assim como os três níveis de governo, que em muitos casos desorientam.

Por isso, nós, ex-presidentes do CREMERJ, em diversas gestões nos últimos 30 anos, nos dirigimos a esta autarquia federal, criada pela Lei nº 3.268/1957, com o objetivo de promover o perfeito desempenho ético e moral da medicina e o prestígio dos que a exerçam legalmente, por meio deste documento público, para exigir um posicionamento claro e transparente em relação às questões acima apontadas.

É mandatória a publicação de documento defendendo a vacina contra a COVID. É papel desta instituição dizer aos seus médicos e à população que a Ciência recomenda a vacinação, o uso de máscaras, a higiene das mãos e o isolamento social. É obrigação do CREMERJ exigir condições de trabalho seguras e adequadas para os médicos e fiscalizar o emprego de procedimentos sem reconhecimento científico. É recomendável alertar aos cidadãos dos riscos em seguir terapias não comprovadas.

Lembramos que todas essas ações acima recomendadas estão previstas no Código de Ética Médica.

Ex-presidentes do CREMERJ das gestões dos últimos 30 anos:

Aloisio Tibiriçá Miranda
Bartholomeu Penteado Coelho
Eduardo Augusto Bordallo
Laerte Andrade Vaz de Melo
Luis Fernando Soares Moraes
Márcia Rosa de Araujo
Mario Jorge Rosa de Noronha
Mauro Brandão Carneiro
Nelson Nahon
Pablo Vasquez Queimadelos
Paulo Cesar Geraldes
Sidnei Ferreira

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