Casa Nem resiste à reintegração de posse

Casa Nem resiste à reintegração de posse

Após protesto de dezenas de pessoas na manhã dessa segunda-feira (27), foi suspensa a reintegração de posse da Casa Nem, abrigo de pessoas LGBTQIA+ em estado de vulnerabilidade localizado na Rua Dias da Rocha, em Copacabana. Segundo reportagem do Jornal O Globo, cerca de 60 pessoas vivem atualmente no local.

A reintegração de posse estava marcada para a manhã dessa segunda-feira e havia sido solicitada pelos proprietários do prédio, que são representados pela Iliria Administração de imóveis e Negócios Ltda. A ação foi interrompida pela Polícia Militar porque não houve um entendimento sobre um novo lugar para abrigar o grupo.

O coordenador Especial da Diversidade Sexual da Prefeitura do Rio, Nélio Georgini, em entrevista ao Jornal o Globo, explicou as medidas que a prefeitura está tomando para tentar resolver a questão, uma vez que pelo despacho da juíza que autorizou a reintegração de posse, o imóvel “não possui condições suficientes e adequadas para habitabilidade”.

“Nós estamos aqui para garantir os direitos humanos dessas pessoas. Os mínimos possíveis. Em relação ao abrigamento, o que nós temos é o seguinte: dia 28 de junho nós inauguramos um abrigamento específico para a população LGBT, inclusive tia Ju, secretária, veio aqui conversar com essa população. Então, qual é o ponto? A prefeitura vai ter que se organizar. Caso seja uma ordem judicial, ordem judicial se cumpre para poder abrigar essas pessoas”, explicou à equipe de reportagem do jornal Bom Dia Rio.

A remoção, no entanto, não é um assunto pacífico. Integrantes da Casa Nem denunciam a ilegalidade da medida que fere o decreto que proíbe o despejo durante a pandemia da Covid-19. A Secretária da Mulher Trabalhadora da CTB-RJ, Kátia Branco, criticou a decisão judicial:

“É um completo absurdo determinar a reintegração de posse da Casa Nem. O local abriga diversas pessoas LGBTs em estado de vulnerabilidade, faz um trabalho que devia ser tido como exemplo pelo poder público e um despejo, nesse momento, colocaria dezenas de pessoas nas ruas. O fato dessa decisão se dar em plena pandemia, contrariando decretos que impedem despejos durante a crise sanitária, apenas evidencia a crueldade dessa medida. Os agentes do Estado devem chegar a Casa Nem com políticas públicas, não com ordens de despejo.” – defendeu a cetebista.

Histórico

A Casa Nem é um grande símbolo da luta e resistência da população LGBT carioca. A casa é lar de dezenas de transexuais, travestis e transgênero que encontram na inciativa abrigo e acolhimento. Inicialmente localizada na Lapa, a Casa Nem atua em diversas vertentes visando a transformação de vida de pessoas ligadas à comunidade LGBTQIA+.

Dentre as atividades, destaca-se o PreparaNem, um cursinho pré-Enem onde a ideia começou e que agora já alcança novos horizontes no Rio. A Casa Nem também oferece formação em costura, fotografia, história da arte, libras e yoga.

O movimento foi despejado do prédio que ocupava na Lapa em dezembro de 2018. Desde 2019, integrantes da Casa Nem vinham ocupando quartos no prédio em Copacabana. Uma parte deles também ocupou um prédio em Vila Isabel, na Zona Norte, que foi já foi desocupado.

Leia também...

Leave a Comment

Your email address will not be published. Required fields are marked with *