Cedaeanos seguem na luta e fazem ato em frente ao TRT

Cedaeanos seguem na luta e fazem ato em frente ao TRT

Nem a chuva que caiu nesta segunda-feira (23), foi o suficiente para afastar os manifestantes que compareceram à porta do Tribunal Regional do Trabalho (TRT-RJ) em protesto contra a privatização da Companhia Estadual de Aguas e Esgotos do Rio de Janeiro (CEDAE).

Os funcionários da empresa buscam pressionar o TRT-RJ a rever a derrubada de uma liminar que suspendia a privatização da CEDAE. O Estado, contudo, através de seus advogados, não compareceu à audiência, e após executar uma manobra jurídica (alegou falta de tempo hábil), impossibilitou a discussão do processo.

Em discurso, o advogado do sindicato dos trabalhadores da Cedae, Marcos Neves, apresentou sua indignação com relação a postura do Governo do Estado. Segundo ele, o Estado se omitiu em discutir publicamente a privatização da estatal, e coordenou o processo de privatização sem qualquer discussão com seus funcionários.

Marcos Neves ainda sustenta que o Governo dispensou os trâmites constitucionais acerca da privatização, o que faz desta ação do Estado algo ilegal. Marcos Neves ainda enfatizou que a privatização do sistema de saneamento básico é ir em contramão a qualquer tendência mundial.

Representando o mandato da deputada Jandira Feghali (PCdoB/RJ), Carlos Henrique, disse que “a venda da Cedae é uma armadilha, porque eleva a conta de água e esgoto dos moradores, prejudica áreas já desabastecidas e retira do comando do Rio o poder de decisão sobre um bem essencial. Além disso, a empresa é superavitária. O motivo da venda é para atender a fome do mercado. A água é um bem público”.

Os dirigentes do Sintsama (Sindicato dos trabalhadores nas empresas de saneamento básico e meio ambiente do RJ e Região), Humberto Lemos e João Xavier, chamaram atenção para o fato de que a privatização das estatais estratégicas para o país prejudica sobretudo os mais pobres. “É um crime de lesa pátria. Nenhuma nação se desenvolve abrindo mão da soberania da sua riqueza e de suas estatais. As consequências das privatizações para o povo são o aumento de tarifas e precarização na prestação dos serviços à população”.

Desde o dia 29 de setembro, a luta dos sindicalistas ganhou sobrevida. A juíza Maria Gabriela Nutri sustentou na ocasião que o Governo violou artigo da Constituição Estadual ao não conceder aos empregados a possibilidade de assumir a empresa por meio da formação de uma cooperativa. Acuada, a Procuradoria do Estado recorreu ao TRT-RJ, e no último dia 5, o desembargador Fernando Antonio Zorzenon derrubou a decisão da juíza.

 

*Texto e imagens de João Francisco Antunes Werneck

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