COMERCIÁRIOS DEBATEM SUBVALORIZAÇÃO DA MULHER NEGRA

COMERCIÁRIOS DEBATEM SUBVALORIZAÇÃO DA MULHER NEGRA

Esse foi o tema do debate que encerrou a Semana de Charme e Consciência do Sindicato dos Comerciários do Rio, nessa quinta-feira (17/11). O debate contou com a participação da advogada Alessandra Benedito, da psicóloga Ana Rocha e da secretária nacional de Igualdade Racial da CTB, Mônica Custódio, que discutiram aspectos da discriminação racial e sexual da mulher negra no mundo do trabalho.

As palestrantes destacaram a importância de se construir a consciência dentro do movimento sociais, principalmente no sindical, sobre a condição de invisibilidade da situação da mulher negra dentro do mercado de trabalho. Alessandra destacou que a invisibilidade se estabelece historicamente. Segundo ela, isso pode ser observado pelos dados do trabalho da mulher, que só foram analisados após a inserção da mulher branca no mercado de trabalho. A mulher negra, no entanto, já trabalhava desde poucos anos depois do descobrimento do Brasil.

 “As estatísticas de abusos e outros crimes praticados contra a mulher negra ainda são insuficientes e raros, num país em que a grande maioria das mulheres são negras,” completou a palestrante.

Ana Rocha apresentou os dados sobre a importância de políticas públicas para combater a discriminação racial e sexual da mulher negra. Segundo a psicóloga, ao longo da história a mulher negra, por meio do seu trabalho e sua ancestralidade, foi um elemento fundamental para a construção da cultura que temos hoje em nosso país. A palestrante apresentou dados importantes que demonstraram situação da mulher negra em nosso país e provocou:

“É preciso não permitir a feminilização da pobreza. Com o fim das políticas públicas de amparo às mulheres, através de projetos como a PEC 241, serão as mulheres negras as mais atingidas”.

Mônica Custódio destacou necessidade de combater a discriminação da mulher negra. Segundo a dirigente, os movimentos sociais passaram anos vivendo uma contradição entre a luta dos trabalhadores e a luta específica das mulheres negras, que hoje se tem claro o entendimento de que não se trata apenas de minorias, mas da sociedade como um todo, da luta contra o preconceito de todas as formas. Tudo isso faz parte de uma grande luta que é a luta dos trabalhadores, a luta de classes.

“Nossa luta é pelo povo, quando falamos de negros, mulheres, LGBTs, não estamos falando para um segmento ou minoria, estamos falando para toda a sociedade,” completou a dirigente.

O debate aconteceu no auditório do Sindicato dos Comerciários do Rio. Contou com a presença do presidente do Sindicato, Márcio Ayer, de representantes da direção nacional da CTB, lideranças sindicais e comerciários e foi mediado pela diretora do Sindicato Rosângela Rocha.

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