Comerciários fazem ato e paralisam Supermercado Mundial

Comerciários fazem ato e paralisam Supermercado Mundial

Trabalhadores e Trabalhadoras do supermercado Mundial, localizado no Bairro de Fátima, no Centro do Rio, fazem um protesto na manhã desta terça-feira sob o comando do Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro. A paralisação faz parte das mobilizações da Campanha Salarial do Sindicato e ocorrem após denúncias de que a unidade está demitindo a equipe antiga para contratar novos profissionais, pagando menos. O Presidente da CTB Rio de Janeiro, Paulo Sérgio Farias, acompanha e participa da atividade.

“Os patrões do setor de Comércio do Rio de Janeiro, um setor altamente lucrativo, insistem em uma proposta ridícula de um índice abaixo do índice oficial do INPC. Depois de 12 meses de muito lucro, eles querem reajustar os salários em apenas 1,5%, o que representa um aumento de apenas R$13 nos salários. Depois de 12 meses dando muito lucro, os patrões propõem um reajuste de salário de R$ 0,40 ao dia aos empregados dessa rede que, diga-se de passagem, num único dia, fatura todo dinheiro para pagar a folha salarial de seus 9 mil empregados.” – afirmou Paulo Sérgio Farias durante o ato.

O Sindicato alega que todo problema começou no ano passado quando o governo golpista de Michel Temer editou um decreto que incluiu os supermercados entre as ‘atividades essenciais’. Com isso, a rede deixou de pagar o adicional de 100% sobre as horas trabalhadas em feriados. Em novembro do ano passado, os funcionários paralisaram as atividades, e o Mundial se comprometeu a retomar a compensação de 100% para funcionários antigos e de 50%, para os novos. Nesta loja do Bairro de Fátima, o grupo reclama que profissionais antigos estariam sendo substituídos por novos para a redução dessas despesas.

A campanha salarial dos Comerciários está nas ruas em luta de melhores condições para os trabalhadores e as trabalhadoras do comércio. Até o momento, as negociações trazerem poucos avanços  e os patrões demonstraram que não têm pressa para dar o merecido reajuste salarial da categoria. Para piorar, insistem na tentativa da aplicação da reforma trabalhista nas convenções coletivas, algo rejeitado pela categoria e pelo Sindicato.

“Se os patrões querem fazer ‘operação tartaruga’ na negociação salarial, os comerciários também podem fazer o mesmo nas lojas e supermercados. Todos os dia conversamos com os trabalhadores e cada vez mais se percebe que a paciência está no limite. Tem muita raiva acumulada na categoria por causa da proposta de reajuste abaixo da inflação e de outros abusos no dia a dia nas lojas. A panela vai acabar explodindo nos próximos dias” – adverte a presidenta interina do Sindicato, Alexsandra Nogueira.

Negociação, ou greve!

O Sindicato dos Comerciários não fugiu à luta! Mesmo com toda a falta de interesse dos patrões em assinar um acordo digno para a categoria, o Sindicato segue mobilizando os trabalhadores para conquistar novamente um acordo que traga benefício aos comerciários e às comerciárias. A paciência, no entanto, está acabando e a greve da categoria é uma realidade cada vez mais próxima.

“Chega de enrolar a categoria! Ou eles antecipam as próximas rodadas já para os próximos dias, ou os comerciários vão começar a paralisar as lojas para ‘lembrar’ as empresas de que temos pressa e queremos ser valorizados. Convoco toda a categoria para se juntar ao Sindicato em defesa dos nossos direitos” – afirmou Márcio Ayer, presidente licenciado do Sindicato.

Os patrões  insistem em fazer propostas que não valorizam os comerciários. O Sindicato já deixou claro que não aceitará acordos abaixo da inflação. Outro ponto que o Sindicato não abre mão é a questão da homologação. O Sindicato sempre conferiu os cálculos das rescisões. Só que agora, os patrões querem acabar com esse direito e isso não será aceito.

Os comerciários rejeitam também a escala 12×36 com redução de salário  e não irão aceitar apenas meia-hora de almoço, trabalho intermitente (que acaba com a garantia do salário no final do mês) ou a desumana semana espanhola (até 48 horas/ semana). O Sindicato dos Comerciários e a CTB estão juntos na linha de frente contra esses abusos e irão manter a mobilização até que a vitória seja conquistada.

Pauta de Reivindicações da Categoria

Reajuste – Este ano a categoria pede 8% de reajuste nos salários.

Piso – O Sindicato pede reajuste de 8,69%, para equiparar o piso dos comerciários ao piso regional fixado pela Alerj, que atualmente é de R$ 1.237,00.

Vendas online – Como as redes de eletrodomésticos e eletrônicos oferecem preços menores nos sites do que nas lojas, cresce o número de clientes que prefere comprar online. O vendedor perde duas vezes, porque além de vender menos não recebe comissão, mesmo que tenha entregue os produtos, feito trocas ou dado explicações ao cliente. Para acabar com a injustiça, uma das reivindicações é o pagamento de comissão sobre o valor total do produto aos vendedores comissionistas que efetivarem a entrega ou troca de produtos comprados online.

100% em feriados (supermercados) – Os funcionários de supermercados foram diretamente atingidos pelo decreto que incluiu os supermercados entre as ‘atividades essenciais’. A partir de uma interpretação desonesta do decreto, muitos patrões deixaram de pagar compensações por um trabalho até então era considerado extraordinário. Com isso, cortaram o adicional de 100% sobre as horas trabalhadas em feriados. Cobrada por trabalhadores de vários supermercados, a volta do 100% nos feriados é uma das principais bandeiras da Campanha Salarial 2018.

Fim do trabalho aos domingos (supermercados e comércio de rua) – O trabalho aos domingos priva os comerciários de momentos indispensáveis para o bem estar e a dignidade de qualquer ser humano. Pode ser cômodo para alguns consumidores, mas o preço pago pelos trabalhadores é alto demais, principalmente pelas trabalhadoras. Como uma mãe comerciária que trabalha de quarta a domingo pode se organizar se as creches em geral só funcionam de segunda a sexta-feira?

Quebra de Caixa de 10% – Ano passado, depois de muito tempo, foi reajustada a garantia paga aos operadores de caixa para cobrir eventuais diferenças no fechamento do dia, também conhecida como quebra de caixa, que chegou a R$ 52. Batemos firme nessa tecla porque entendemos que os riscos e prejuízos dos negócios devem ser sempre dos patrões, nunca dos trabalhadores. Por entender que o valor ainda é baixo e pela impossibilidade de impedir os descontos salariais, o Sindicato pede este ano a elevação da quebra de caixa para o valor equivalente a 10% do salário do funcionário.

Plano de saúde – Outra reivindicação importante é o pagamento de plano de saúde a todos os trabalhadores e dependentes nas firmas com mais de 200 funcionários. O plano deverá atender as necessidades dos trabalhador, com oferta de médicos e exames em locais próximos a sua residência ou local de trabalho. Para efeito de cálculo da quantidade de funcionários, deverão ser considerados os trabalhadores de todos os estabelecimentos, redes e franquias de cada empresa.

Vale-refeição de R$ 25/ dia – O Sindicato reivindica que todas as empresas do comércio paguem aos seus funcionários auxílio refeição no valor mínimo de R$ 25 por dia de trabalho, sob a forma de tíquete. As empresas que possuírem refeitórios estarão desobrigadas de pagar, mas não poderão oferecer aos seus funcionários refeições diferenciadas com base em posições hierárquicas. A comida do gerente tem que ser a mesma do peão.

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