Comissão da Alerj rejeita indicação de Witzel à diretoria da Agenersa

Comissão da Alerj rejeita indicação de Witzel à diretoria da Agenersa

Uma comissão da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) rejeitou, nesta terça-feira (4), a indicação de Bernardo Sarreta, feita por Wilson Witzel, para conselheiro da Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico (Agenersa). Foi a primeira vez, em 15 anos, que um nome foi rejeitado.

A agência regula os serviços de energia e saneamento no Rio, inclusive a fiscalização da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio (Cedae).

A Alerj voltou de férias nesta terça-feira (4) e o primeiro compromisso da Comissão de Normas Internas e Proposições Externas foi a sabatina do indicado do governo do Estado para a diretora da Agenersa.

Durante o recesso, Bernardo foi indicado para ocupar o cargo de conselheiro da agência pelos próximos quatro anos. Ele é subsecretário de Energia, Óleo e Gás do governo do Estado e se formou em engenharia elétrica em 2013.

Apesar do governador apontar o engenheiro como um profissional altamente qualificado, Sarreta pareceu não conhecer o funcionamento da empresa para a qual foi indicado.

Questionado sobre visitas ao Rio Guandu e indenizações aos usuários que gastam dinheiro com água mineral, Bernardo declarou que nunca foi ao rio e que não sabia responder à pergunta sobre ressarcimento.

“Eu li o decreto, mas não vou saber te responder exatamente, precisamente, dos pontos em relação ao ressarcimento”, disse o indicado.

Ainda na sabatina, deputados perguntaram ao engenheiro sobre experiências na área antes do cargo no governo e normas de regulação. Ele afirmou que nunca trabalhou na área de energia e que não leu livros específicos sobre o tema.

“A principal função da agência reguladora é fazer regulação nos bens, não diria nos bens, no que o estado é, me confere. Eu não li um livro específico sobre regulação. O último livro que eu li, não é muito do tema, seria do Sun Tzu, ‘A Arte da Guerra’”, afirmou Sarreta.

O relatório aprovado por unanimidade na comissão sugeriu a rejeição da indicação de Bernardo Sarreta. A lei que criou a Agenersa prevê mais 10 anos de experiência compatível com a regulação e, por não ter comprovado a exigência legal, a aprovação não ficou viável, segundo a comissão.

“Na verdade, ele não preencheu requisito técnico. Tinha que ter 10 anos de experiência na casa”, informou o deputado Márcio Canella (MDB).

Palavra final

O plenário vai decidir, nesta quarta-feira (5), se aprova ou não a indicação de Bernardo Sarreta ao cargo da Agenersa.

Como mostrou a reportagem do RJ2, os bastidores devem mostrar quem tem mais influência entre os parlamentares. De um lado está o presidente da Alerj, André Ceciliano, e do outro o secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado, Lucas Tristão, uma das pessoas de confiança de Wilson Witzel.

Tristão é padrinho da indicação de Sarreta ao cargo de conselheiro e não mantém boas relações com alguns parlamentares da assembleia. Apesar disso, deputados da comissão negaram influência política na rejeição.

“Eu me baseei pura e simplesmente pela formação academia dele, que é de 2013, pouco mais de seis anos. A única experiência com gestão pública é agora no governo do Estado e tem 1 ano”, disse o deputado Rodrigo Bacellar (SDD).

Após a sabatina, houve a primeira sessão do ano. O governador Wilson Witzel era esperado, mas não compareceu. Quem o representou foi o Secretário da Casa Civil, André Moura, que foi vaiado por funcionários da Cedae e moradores de Paquetá que estavam nas galerias.

Fonte: G1

Leia também...

Deixe um comentário

Seu endereço de email não será publicado. Os campos obrigatórios estão marcados com *

Cancelar comentário