Coronavírus: No interior do Rio, Barra Mansa e Volta Redonda fecham acessos e comércio

Coronavírus: No interior do Rio, Barra Mansa e Volta Redonda fecham acessos e comércio

Região onde ocorreu o primeiro caso de coronavírus no Estado do Rio e o terceiro no país, o Sul Fluminense criou uma espécie de corredor sanitário para tentar evitar que novos casos ocorram. Em Barra Mansa (onde médicos fizeram o diagnóstico) e Volta Redonda (cidade do interior que se destaca pela forte economia), as medidas restritivas se tornaram ainda mais intensas na sexta-feira. A 11 quilômetros de Barra Mansa, Volta Redonda, por orientação do Ministério Público estadual, determinou o fechamento total do comércio. Nos dois municípios, tanto as transmissões ao vivo que prefeitos fazem pelas redes sociais quanto os antigos carros de som estão sendo utilizados como instrumentos no combate à Covid-19.

— Eu mesmo falo no carro de som “por favor, vão para suas casas, saiam das ruas”. E me angustia ver idosos ainda passeando. A situação é grave — diz o prefeito de Barra Mansa, Rodrigo Drable (DEM).

Depois de participar de reunião para traçar as estratégias para o combate ao vírus, na última terça-feira, o vice-presidente da Unimed Volta Redonda, Vitório Moscon Pintel, apresentou sintomas do coronavírus. Decidiu fazer o texto, depois que teve febre e dor de garganta. Até então achou que era uma rinite. Vitório fez o teste, que saiu positivo no sábado. Os oito participantes da reunião estão assintomáticos, em isolamento, e fazendo home office.

— Ele está em casa isolado. A mulher foi para outro apartamento. Vitório mora em Volta Redonda, mas esteve em Juiz de Fora e Paraty na semana anterior. O risco de o vírus ter de fato entrado na comunidade é grande, porque soubemos de outros casos — disse o presidente da Unimed na região, Luiz Paulo Tostes.

Bloqueios nas rodovias

As duas cidades, assim como Valença, criaram um cinturão nas rodovias da região. Fecharam acessos a ônibus e carros que não estejam levando moradores. Se forem originários da Baixada Fluminense, da Região Metropolitana do Rio e de outras cidades, não entram. Em Volta Redonda, todas as atividades públicas para a terceira idade foram suspensas. O zoológico — que recebia 4 mil pessoas a cada fim de semana — e o parque aquático estão fechados, e servidores com mais de 60 anos não vêm dando expediente em repartições.

—Cheguei a desligar a luz de campos de pelada. As pessoas insistiam em jogar. Todos os eventos foram suspensos — afirma o prefeito de Volta Redonda, Samuca Silva (PSC).

Dono de uma empresa de locação de equipamentos para shows, Lulu Maia trabalha em Volta Redonda há 30 anos. Diz que está em pânico, porque havia sido contratado para sete eventos que aconteceriam este mês. Maia lamenta a situação, mas defende as medidas de restrição:

—Acho importantíssimas. Mandei meus funcionários para casa há uma semana. Não saio na rua. Apesar do impacto financeiro ser muito pesado, reconheço a necessidade de proibir aglomerações.

Até anteontem, 86 supostos casos de coronavírus que eram investigados em Volta Redonda estavam descartados. Havia 19 suspeitos em Barra Mansa, onde a preocupação é maior com a população rural. Nos dois municípios, kits para exames são usados em caso de permanência dos sintomas, e postos de saúde vêm fazendo a triagem. Autoridades locais monitoram leitos de UTI em Unidades de Pronto Atendimento da região.

Empresas de planos de saúde estão criando grupos de trabalho para ajudar nos protocolos. Tanto em Volta Redonda quanto em Barra Mansa foram suspensas cirurgias ambulatoriais. Um trabalho de conscientização vem sendo feito, e inclui atendimento virtual para pacientes de menor risco.

—Criamos uma cartilha, que está sendo adotada pelos prefeitos que tentam criar uma espécie de cinturão da saúde — diz o presidente da Unimed em Volta Redonda, Luiz Paulo Tostes.

Em Barra Mansa, o novo coronavírus chegou por meio de uma funcionária pública que tinha viajado para a Europa com o marido. O casal esteve na Lombardia, região da Itália que virou o epicentro da pandemia. Ao todo, 82 pessoas que tiveram contato com os dois foram examinadas pela Secretaria municipal de Saúde. Nenhuma apresentou resultado positivo no teste para o vírus.

O prefeito Rodrigo Drable corrobora o depoimento que a paciente deu ao GLOBO na sexta-feira. Ela disse que o preconceito é grande contra a pessoa que contrai a Covid-19.

—Eu a aconselhei a fazer uma quarentena social. Está curada, mas a população não procura se informar, e acaba responsabilizando quem contraiu o vírus — afirma Drable.

As duas cidades estão preparando leitos de UTI para pacientes que tenham a doença diagnosticada. Medidas estão sendo tomadas, porém o futuro é muito preocupante: Barra Mansa e Volta Redonda dependem muito do comércio.

Fonte: Jornal Extra

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