Coronavírus: Trabalhadores Rurais cobram medidas dos governos

Coronavírus: Trabalhadores Rurais cobram medidas dos governos

Categoria responsável por levar alimentos para a mesa de milhões de brasileiros, os trabalhadores rurais reclamam de falta de assistência por parte dos governos nesse momento de pandemia. A categoria convive com o isolamento social, tendo dificuldade quando precisa acessar as cidades para resolver questões importantes e sofre com o escoamento da produção:

“A maioria das empresas tiraram os ônibus das áreas rurais, estamos com muita dificuldade para sair do interior e ir para a cidade. A comercialização está um caos. Os agricultores produzem mas não tem para onde vender.” – comenta Oto dos Santos, Presidente da Fetagri-RJ e Vice-Presidente da CTB Rio de Janeiro.

As feiras livres, um dos pontos de escoamento da produção rural, passaram a ser abertas a partir da segunda semana de quarentena, com novas regras sanitárias e menor circulação de pessoas, mas isso não resolve o problema da categoria. As medidas tomadas pelo governo tem excesso de burocracia e chegam por último no campo, deixando os trabalhadores e trabalhadoras rurais em situação de vulnerabilidade.

“As políticas públicas são mais lentas na área rural, nosso povo está passando muita necessidade e sofrendo com muita desinformação.” – critica Oto.

Por orientação da CONTAG, os Sindicatos de Trabalhadores Rurais estão fechados por conta da Pandemia do novo coronavírus. A maioria dos trabalhadores e trabalhadoras rurais são pessoas de idade e estão no grupo de Risco. O Presidente da Fetagri-RJ reclama de problemas nas questões previdenciárias:

“Estamos com grande dificuldade na questão previdenciária: questão que já estava agendada de aposentadorias rurais, de auxilio doença. Com as APS fechadas, temos muitos trabalhadores com necessidade de perícia, que não podem trabalhar e estão sem renda.” – denuncia Oto.

O Vice-Presidente da CTB-RJ também critica os governos federal e estadual. Enquanto Witzel ainda não tornou concreta nenhuma das propostas que foram levantada na Assembleia Legislativa para a categoria:

“A nível de Estado não temos nada. Vários deputados fizeram projetos, mas até o momento o governo do Estado não fez nada para nos ajudar. Fica muito na retórica, mas na realidade, nada. Estamos passando uma dificuldade muito grande.”-  afirma Oto

No plano federal, incertezas com relação à Renda Básica Emergencial:

“Essa semana o Governo Federal liberou a questão do PNAE (Programa Nacional Alimentação Escolar). Quem está cadastrado, os municípios vão comprar para distribuir para as famílias, mas quem não está cadastrado segue na mesma penúria sem ter como escoar a produção. As autoridades tem que ter mais um pouco de respeito com os agricultores e agricultoras. Como sempre, somos os últimos a ter acesso aos benefícios dos governos. Agricultores Familiares não foram nominalmente incluídos para receber a Renda Básica Emergeincial e existe o receio de se cadastrar como autônomo e futuramente ser desenquadrado como segurado especial.” – Critica Oto.

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