Coronavírus: Trabalho pioneiro do Sindmar preserva saúde dos Marítimos

Coronavírus: Trabalho pioneiro do Sindmar preserva saúde dos Marítimos

O transporte marítimo é uma categoria essencial que não parou em tempos de pandemia. Com a redução do tráfego aéreo, a categoria passou a ter ainda mais importância no transporte de mercadorias para manter abastecidas as cidades brasileiras.

“As cargas que iam de avião, em parte, estão indo de navio. O que mantém a sociedade brasileira em condições de fazer o isolamento necessário nessa hora, é a existência de uma logística nacional que garante que o arroz produzido no Rio Grande do Sul vai chegar em Belém do Pará, em Manaus.”-  afirma Carlos Augusto Müller, Presidente do Sindmar.

O presidente do Sindmar destaca o papel da categoria para garantir o isolamento social, medida considerada com fundamental pela Organização Mundial de Saúde (OMS) no combate à Pandemia.

Atualmente,  95% das cargas que entram e saem do Brasil passam pelos navios e pelos portos, segundo dados do Sindicato. A categoria é fundamental para o funcionamento do país nesse momento e, em virtude disso, ainda não foi afetada por medidas graves como demissões e reduções contratuais.

“A gente não tá vendo esse terrível impacto, em função dessa pandemia, que é o desemprego. Vários empregadores, que deveriam estar mantendo os salários e os empregos, até isso passar, estão na verdade demitindo ou reduzindo salários. No setor aéreo por exemplo, houve redução de 80% dos salários, isso é quase desemprego. No setor marítimo, isso não chegou ainda.”- comenta Carlos Augusto.

Em meio a tudo isso, o trabalho do Sindmar tem sido fundamental. O Sindicato, desde o primeiro sinal de perigo, quando o vírus surgiu na China, começou a se movimentar para proteger os trabalhadores e trabalhadoras que atuam nas embarcações:

“O que temos feito, desde janeiro, quando começou o primeiro alerta internacional, lá na China ainda, é monitorar a situação. O Sindmar, questionou as empresas e provocou medidas de prevenção para os marítimos. Desde janeiro motivamos a empresa a adotar um plano de prevenção e um plano de emergência para caso ocorresse algum caso. O que não veio a ocorrer. ” – explica o presidente do Sindicato.

O primeiro caso de Covid-19 na categoria não veio de uma embarcação que veio do exterior, foi fruto de transmissão local. Um trabalhador embarcado em Niterói apresentou os sintomas da doença. O Sindicato confirmou ao Portal CTB-RJ que o empregador cumpriu todos os protocolos necessários: isolou os trabalhadores em um hotel e encaminhou o caso grave ao hospital.

Outro dilema enfrentado pela categoria é a ausência de um protocolo nacional. Em virtude da omissão do governo federal, tem sido os governadores e prefeitos a determinar as medidas de circulação, o que causa problemas para uma categoria nacionalizada como os marítimos.

“Quem trabalha em uma área nacional, que é o nosso caso, que estamos em todos estados, lida com uma discrepância na forma de agir. É governador fazendo decreto que as tripulações não poderiam entrar e sair do navio, como no caso de Pernambuco. E se tiver um caso grave? O que fazer? Sem um protocolo nacional definido, para rapidamente tirar o doente grave, nosso pessoal teria que ficar negociando com secretário estadual, municipal, em cada lugar do Brasil com uma realidade diferente.” – questiona Carlos Augusto.

Diante da situação, o Sindicato provocou o MPT (Ministério Público do Trabalho) e a Anvisa, construindo com essas entidades, um memorando de recomendações para o setor.

“Quando foram definidas essas recomendações do MPT, a maior parte das empresas do setor marítimo já tinham planos de contingência, porque haviam sido provocadas pelo Sindicato desde janeiro.” – comenta Müller.

O presidente do Sindicato também comentou que os protocolos de segurança tomados nos portos (medição de temperatura, reforço da higienização e uso de máscaras), somado ao aumento da política de isolamento da categoria, tem sido eficiente para proteger os marítimos que trabalham no transporte de carga. Os mais afetados, no caso dos marítimos, tem sido os trabalhadores que atuam no transporte de passageiros, o que não envolve empresas brasileiras:

“Os Casos mais graves estão nos navios de passageiros. Não existem navios brasileiros de passageiros hoje. São muitos poucos os trabalhadores brasileiros que atuam em barcos de passageiros. Tivemos 3 casos desse tipo no Brasil.”-  revelou Muniz.

O Sindmar mantém contato constante com as empresas do setor, reforçando a recomendação de que as empresas realizem uma companha efetiva e contínua de informação e prevenção junto tanto aos empregados marítimos quanto ao pessoal de apoio em terra e seus familiares.

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