CRISE NOS TRANSPORTES MOSTRA PODER DOS EMPRESÁRIOS SOBRE OS GOVERNOS

CRISE NOS TRANSPORTES MOSTRA PODER DOS EMPRESÁRIOS SOBRE OS GOVERNOS

O transporte público deveria prestar um serviço de qualidade, que assegurasse o direito de ir e vir para a população, e atendesse aos interesses do povo. Trata-se de um direito constitucional cuja concessão do serviço foi estendida à iniciativa privada através de licitações. Isso tudo, na teoria, pois na prática, o que acontece no Rio de Janeiro, é que os empresários, cada vez mais, tentam demonstrar ser mais fortes que o governo e o povo na sua busca por lucro desenfreado.

Nas últimas semanas, o Rio de Janeiro começou a lidar com uma série de ataques aos direitos do povo com relação aos transportes. As Barcas tiveram sua licitação suspensa pelo péssimo serviço prestado e o governo do Estado está obrigado a fazer uma nova licitação para tirar o serviço da CCR que, mesmo diante da medida judicial, insiste em – com o apoio da imprensa – alegar que o sistema, que atende a milhões de passageiros diariamente em um dos custos individuais mais caros de todo o transporte público, é deficitário. A empresa mantém um serviços regulares entre Niterói – Praça XV, Praça XV – Paquetá, Praça XV – Ilha do Governador e Praça XV – Charitas, esse último com passagens superiores a R$15 em sua tarifa.

A novidade da vez, no entanto, são os trens da Supervia. Empresa mais do que denunciada pelos esquemas obscuros junto aos governos do PMDB e com uma história grotesca de violência, repressão e péssimos serviços prestados aos passageiros, decidiu, de forma unilateral, romper com a aceitação do desconto do Bilhete Único Municipal, prejudicando assim milhares de trabalhadores do Rio de Janeiro.

Não podemos nos esquecer que, há pouco tempo, o governo do Estado tentou suspender o Passe Livre dos estudantes secundaristas, em mais um ataque direto ao povo em benefício dos empresários de ônibus e que esse direito só foi impedido de ser retirado por conta de decisão judicial.

Fica, portanto, cada vez mais evidente que o transporte público que deveria ser um segmento a serviço do povo nada mais é do que mais uma fonte de lucro para os empresários que, de tão fortalecidos pelos governos que mantinham relações duvidosas com eles, agora se acham no direito de agir como bem entendem contra os interesses da população.

A CTB-RJ repudia as manobras dos empresários de ônibus, bem como repudia a omissão do poder público e todas as medidas que caminhem no sentido de retirar direitos ou elevar tarifas. O Secretário de Comunicação e Imprensa da CTB-RJ, Paulo Sergio Farias, foi enfático:

“A política de transportes se transformou num grande negócio para os grupos privados que controlam o setor.  A gestão do grupo político que comanda o governo do estado e até recentemente da prefeitura do Rio não resolveram o problema do péssimo serviço prestado à população, apesar de favorecer os empresários do setor com tarifas absurdamente caras. O processo de antecipação de renovação dos contratos de concessão também não resolveram os gargalos dos transportes no estado.  O contrato do Metro que terminaria em 2018 foi antecipado pelo ex governador Sérgio Cabral em 2008 por mais 20 anos. Em 2010, o ex governador também antecipou a renovação da concessão da Supervia que terminaria em 2023 por mais 25 anos.   Como pode agora a Supervia alegar que não pode suportar a falta de repasse pelo governo dos valores relativos ao Bilhete Único e suspenderá o desconto nas passagens para os trabalhadores ? Não aceitamos que seja a classe trabalhadora que pague o ônus dessa “crise” alegada pelos donos dos transportes no estado. A CTB exige que os donos dos transportes que lucram fortunas com esse serviço e com as facilidades dadas pelo estado que arquem com suas responsabilidades.”

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