CTB E FESEP CRITICAM DISCURSO DE CRIVELLA E DEFENDEM PAGAMENTO AOS SERVIDORES

CTB E FESEP CRITICAM DISCURSO DE CRIVELLA E DEFENDEM PAGAMENTO AOS SERVIDORES

Os servidores e as servidoras públicos municipais do Rio de Janeiro estão em alerta! O Prefeito Marcelo Crivella (PRB) afirmou que a prefeitura pode não ter dinheiro para pagar os servidores em setembro. Crivella alegou que, para ter condições de pagar aos trabalhadores e trabalhadoras da prefeitura, precisará renegociar dívidas com o BNDES e a Caixa Econômica. O Prefeito culpou a gestão anterior, do ex-prefeito Eduardo Paes (PMDB) pela situação financeira do município:

“Segundo o Tesouro, se vocês consultarem na prefeitura, em setembro já não há mais caixa para pagar os salários. A prefeitura está vivendo uma crise imensa, nunca viveu nos últimos 30 anos, em decorrência de uma administração temerária e muitas obras e também de uma queda de arrecadação por conta da crise do estado. A atividade econômica está muito fraca, há 350 mil desempregados só na cidade do Rio de Janeiro”, disse Crivella, durante visita a uma Clínica da Família na zona oeste.

A prefeitura considera fundamental renegociar as dívidas com o BNDES e com a Caixa Econômica, para garantir o pagamento dos servidores e realizar novos investimentos. Segundo a administração, não existem condições para se arcar com os empréstimos, que giram em torno de R$ 1 bilhão, feito pelo governo anterior. O prefeito disse que se não tiver uma resposta positiva até maio, os salários podem atrasar.

Apesar do discurso voltado para a realização de investimentos diante da negociação, o Prefeito não pensa duas vezes na opção de atacar o trabalhador para enfrentar o rombo da prefeitura. Além de defender o nefasto projeto da Reforma da Previdência e querer estendê-lo ao plano estadual no Rio de Janeiro, Crivella cogita aumentar a contribuição dos aposentados:  “Se necessário for, teremos que fazer a contribuição dos inativos”.

O Presidente da FESEP, Marco Antônio Correia da Silva, o “Marquinho”, fez uma avaliação muito dura da declaração do Prefeito. Para a FESEP, não é aceitável que o servidor pague a conta pelos erros da administração do PMDB e também da administração do PRB, que piora a situação do município ao apoiar as medidas do governo golpista de Michel Temer. Nas palavras de Marquinho:

“Essa situação de não ter dinheiro para pagar a partir de setembro o salário do servidor público do Rio de Janeiro é muito preocupante. A FESEP, que é a entidade que representa, em segundo grau, os servidores municipais do Rio de Janeiro, vê com muita preocupação isso. A gente sabe que, quando o Crivella assume a prefeitura, ele pega um rombo nas contas da prefeitura deixado pelo governo do PMDB, do Eduardo Paes. Pega as contas maquiadas pelo PMDB e pelo Eduardo Paes. No entanto, os deputados do PRB, do Crivella, votam junto com Temer no Congresso. Votaram a favor da PEC do congelamento dos investimentos públicos por 20 anos. Ou seja, tem um problema agora, e tem um problema maior lá na frente que ainda se soma à terceirização, que precariza as relações de trabalho e ajuda o município a arrecadar menos. Tem a Reforma da Previdência que gera aposentadorias menores e coloca menos dinheiro circulando e menos dinheiro para se arrecadar. O que está sendo plantado pro futuro é pior ainda do que existe agora. O Crivella tem que buscar recursos com o governo federal mas o que os deputados do PRB tem feito é votar sistematicamente numa política econômica do governo federal que ainda vai afetar muito a situação dos servidores e da população do Rio de Janeiro. Precisa-se encontrar uma solução. O que não pode acontecer é o servidor público pagar a conta pelo desgoverno de Eduardo Paes e de um encaminhamento político errado que o Crivella faz ao apoiar faz ao apoiar o Michel Temer e os deputados do PRB de votar a favor de todas essas reformas que só prejudicam os trabalhadores, a população e a economia. O cenário é ainda pior pelas medidas apoiadas pelo Crivella e pelo PRB.”

O  Secretário de Comunicação e Imprensa da CTB-RJ, Paulo Sergio Farias, não hesita em criticar a postura do prefeito Marcelo Crivella. Para Paulo Sergio, as declarações do prefeito caem no senso comum e não respondem a todas as perguntas:

“As declarações do prefeito do Rio, Marcelo Crivella é igual aos demais gestores públicos. Jogar nos ombros dos servidores a crise fabricada por eles. O prefeito além de acusar o ex-prefeito Eduardo Paes de ter praticado uma gestão temerária frente à Prefeitura menciona na matéria divulgada na imprensa que a Prefeitura vive uma profunda crise, que nunca viveu nos últimos 30 anos e denuncia também como causa da crise financeira o desemprego de mais de 350 mil trabalhadores na cidade. Porém não é esse o quadro demonstrado na Avaliação do Desempenho Fiscal do Município do Rio de Janeiro para o Período 2009/2016, de dezembro de 2016, divulgado pela equipe técnica coordenada pelo Economista, doutor em economia pela UNICAMP e mestre em economia pela UFRJ, pesquisador do IBGE/FGV, professor do IDP e consultor em finanças públicas, José Roberto R. Afonso.”

Paulo Sérgio ainda demonstra preocupação com as diferenças entre o discurso do Prefeito e o estudo do professor José Roberto R. Afonso. Em trecho do estudo, Afonso afirma que “0 desempenho fiscal do município do Rio de Janeiro no período 2009/2016 foi marcado pelo enfrentamento bem-sucedido de importantes desafios. Mesmo com crises econômicas e políticas, nacionais e mundiais, a cidade do Rio de Janeiro adotou posturas prudentes na gestão da receita e da despesa e dinâmicas na sua administração financeira. Isto a protegeu de desequilíbrio fiscal, como o que assolou notoriamente outros governos brasileiros, e ao mesmo tempo permitiu um esforço de investimento sem paralelos. O município se apoderou dos grandes eventos internacionais, especialmente os esportivos, e aproveitou oportunidades para uma profunda transformação na cidade”. Diante de afirmações como essa, o cetebista eleva o tom:

“Alguém está mentindo. Ou o relatório foi elaborado para proteger das prováveis críticas a gestão elitizada de Eduardo Paes ou o atual prefeito pretende fazer o mesmo que o governador Luiz Pezão fez sacrificar o servidor municipal. A introdução do relatório divulgado não deixa dúvidas que a controvérsia e retórica são as mesmas de sempre. A CTB alerta que a luta contra o ataque aos servidores públicos municipais será intensa. Não vamos permitir que sejam os servidores que paguem mais uma vez a conta.”

 

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