CTB Rio de Janeiro realiza sua 1ª Plenária Virtual

CTB Rio de Janeiro realiza sua 1ª Plenária Virtual

A CTB Rio de Janeiro realizou, na última terça-feira (14), sua primeira plenária virtual. Na pauta da plenária, três pontos fundamentais para serem discutidos pela base social da Central Sindical: conjuntura, privatização da CEDAE e a volta às aulas. O Secretário Geral da CTB Rio de Janeiro, Carlos Lima (Carlão), cuidou da condução dos trabalhos.

Em sua abordagem inicial, Carlos afirmou que o governo federal não possui um projeto de nação e que o Ministro Paulo Guedes “tem que ser denunciado como um vende pátria e inimigo do país”. O Secretário Geral destacou que a CTB participa da Frente para derrotar Bolsonaro e afirmou, categoricamente, que “não há outro caminho que não seja esse”.

O Secretário Geral também fez críticas ao governador Wilson Witzel, a quem acusou de fazer “necropolítica”. Segundo Carlão, o governador  “promove uma ode à morte, uma ode ao assassinato de jovens”.

“Governador continua envolvido com as mesmas falcatruas de Sérgio Cabral e seus antecessores. Wilson Witzel também é um fator a gente se enfrentar na atual conjuntura e por isso a CTB apoia seu impeachment.”- afirmou o Secretário Geral da CTB-RJ.

Logo em seguida, o companheiro Ezaquiel deu um informe sobre a situação em São Pedro da Aldeia. A liderança dos trabalhadores rurais afirmou que o assentamento existe desde 2016, mas que desde que chegaram no local, os trabalhadores tiveram problemas com o grileiro conhecido como Mateus.

Ezaquiel acusou o grileiro de atacar o acampamento, queimando cercas desde ano passado e, agora, na semana passada, além de queimar a produção e casas de moradores – em ato classificado como terrorista pela liderança rural – matou o companheiro Mineiro. O líder rural também exaltou o papel da CTB Rio de Janeiro que mobilizou a OAB e diversas outras entidades para acompanhar a situação em São Pedro da Aldeia.

O Presidente nacional da CTB, Adílson Araújo fez uma breve saudação em seguida. Falando sobre o quadro da pandemia, Adílson comentou que o novo normal seria diferente de tudo e citou o desemprego, como um problema grave a ser enfrentado, citando o caso do Metrô de São Paulo como exemplo:

“O Metrô de São Paulo aproveitou a pandemia para instalar as portas de acesso eletrônicas. Decorrente dessa medida, o Metrô já sinaliza com eliminação de postos de trabalho. Com advento da porta eletrônica não haverá mais necessidade do condutor do trem e o serviço será feito remotamente. Tudo leva a crer que vamos passar a viver, a assistir, a intensidade da reestruturação produtiva, da restauração da produção e dos serviços também.”- afirmou Adílson.

Após a pauta de conjuntura, o debate entre os cetebistas girou em torno da questão da luta contra a privatização da CEDAE. O Presidente do Sintsama-RJ, Humberto Lemos, lembrou que a luta é antiga e que os objetivos doso governo ainda é o mesmo:

“Esse debate é  antigo, começou com em 1995 com a privatização das empresas públicas do Rio de Janeiro. Desde aquele momento a gente luta contra a privatização. O objetivo ainda é o mesmo, a entrega da água ao capital nacional e internacional.”- afirmou Humberto.

O Presidente do Sintsama-RJ lembrou que a companhia atende a 64 municípios e defendeu que as empresas públicas tem compromissos para além do lucro. “Água não foi feita para dar lucro. Água é vida, não mercadoria”, defendeu.

Humbero também afirmou que com privatização, Rio de Janeiro segue na contramão do mundo, visto que  345 cidades a nível mundial estão estatizando as empresas de Saneamento. Cidades grandes como Berlim e Buenos Aires, por exemplo. Fruto desse debate, a CTB-RJ orientou seus sindicatos a se inserirem na luta conta a privatização da CEDAE.

Último ponto da plenária, o debate sobre o retorno às aulas teve exposição do Professor Luís Carlos Fadel, da Fundação Oswaldo Cruz. O professor afirmou que a FioCruz compartilha das preocupações da CTB com a privatização da água e do saneamento e defendeu maior aproximação do movimento sindical com outros movimentos de luta por direitos (como o movimento contra o preconceito racial e em defesa dos indígenas, por exemplo).

Fadel se mostrou crítico ao retorno das aulas em virtude das incertezas sobre o futuro da epidemia:

“Não temos ideia ainda do que vai acontecer. Precisamos acompanhar com cautela e precaução e não ficar iludido com as escolas mostradas na televisão pois elas não são a realidade do país. Vivemos um cenário de incertezas que mpede saber como será o futuro. Nesse cenário, temos o princípio da precaução. Mais do que prevenção, precaução.” – defendeu o pesquisador da FioCruz.

Ainda no tema da educação, o Professor Márcio Franco falou sobre a atuação do SEPE-RJ e do Sinpro-RJ que fizeram duas grandes plenárias em defesa da vida e aprovaram greve para enfrentar o retorno precoce às aulas. A CTB Rio de Janeiro, através de nota (leia AQUI), já havia declarado apoio às lutas dos professores e professoras. As companheiras Zezé Lourenço e Tatiana apresentaram a nota aprovada pelo núcleo de educação da CTB Rio de Janeiro. O documento pode ser lido AQUI.

Seguindo na pauta da educação, a companheira Zezé fez uma defesa importante sobre o uso do FUST para garantir igualdade de condições a estudantes e professores no acesso à internet e às tecnologias de  ensino e aprendizagem:

“A CTB defende a garantia do direito à igualdade de condições de todos os estudantes e professores no acesso à tecnologia e internet, como exigência para a realização de trabalhos pedagógicos on-line durante o isolamento social, provocado pela pandemia, ou no futuro retorno à escola. Nesse sentido, deve tomar a iniciativa de, junto às demais centrais sindicais, promover um movimento de pressão para que sejam disponibilizados recursos do FUST – Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações – para assegurar o acesso gratuito de docentes e estudantes à internet e ao equipamento necessário para a realização de atividades remotas. O próprio Conselho Nacional de Educação, no Parecer CNE/CP Nº 11/2020, qualifica como auspicioso o debate acerca da utilização dos R$ 31 bilhões de reais do fundo, pois “representa uma grande esperança para todos os estudantes e professores brasileiros”. É importante agregar os mandatos dos parlamentares do nosso campo a esta proposta. O FUST é um dos fundos ameaçados de extinção pela PEC 187/2019, que tramita no Senado, e faz parte do Plano Mais Brasil.”- defendeu Zezé.

O Presidente da CTB-RJ, Paulo Sérgio Farias, ao final da reunião falou com exclusividade ao Portal CTB Rio de Janeiro, avaliando positivamente a realização da plenária e convocando a base social da entidade a se inserir na luta contra a privatização da CEDAE:

“A realização desta plenária foi uma importante realização da CTB-RJ para a atualização da conjuntura política e para apontar rumos para enfrentar as propostas nefastas de privatizar a Cedae e da volta às aulas em meio a pandemia do coronavírus. Desta forma, a decisão de incorporar a essas lutas todos os sindicatos e Núcleos em todo o estado é fundamental. Como se sabe a Cedae é imprescindível ao desenvolvimento do nosso estado. Só tem condições de universalizar o direito ao saneamento ambiental através da ação do estado, provendo o abastecimento de água para todos, colhendo, tratando e dando destinação sustentável aos resíduos. A Cedae deve continuar sendo pública, estatal e indivisível, porém precisa dialogar mais com a sociedade, ter mais investimento em pessoal através de concursos públicos e estabelecer metas para sanar problemas que se eternizam. A Campanha contra a privatização da água portanto é uma tarefa de todos e nossas entidades se associam a luta do SINTSAMA-RJ para reverter nos municípios a tentativa do governo Witzel e do governo Bolsonaro de entregar a rentável Cedae aos interesses de grupos privados, sejam eles nacionais ou estrangeiros.”

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