CTB-RJ Repudia Ação do Exército em Guadalupe

CTB-RJ Repudia Ação do Exército em Guadalupe

A CTB Rio de Janeiro, reafirmando seu compromisso com a classe trabalhadora e o povo fluminense, manifesta seu total repúdio à brutal ação de integrantes do Exército Brasileiro que fuzilaram, com 80 tiros, o carro do músico Evaldo dos Santos Rosa (51 anos). Evaldo, trabalhador, pai de família, levava sua esposa e filhos para um chá de bebê quando foi alvejado pelos militares na Estrada do Camboatá em Guadalupe.

Nós, da CTB RJ, afirmamos desde a época da Intervenção Militar a falta de preparo das forças militares para o exercício de tarefas características das forças policiais. Denunciamos a falta de traquejo no trato ao cidadão e que a escalada de violência promovida pelos governos Bolsonaro e Witzel levaria ao derramamento de mais sangue inocente.

Evaldo teve o carro atingido por 80 tiros apenas por ser um homem negro dirigindo um automóvel. Bastou isso para ser, teoricamente, confundido com um criminoso e ser alvo de uma execução ilegal promovida por agentes do Estado. Alvejado pelas balas, Evaldo ainda conseguiu desviar para proteger sua esposa, seu filho de sete anos e sua afilhada de 13, que estavam no banco traseiro. Eles saíram ilesos, mas o padrasto da esposa de Evaldo, que estava ao lado do motorista, ficou ferido, assim como uma pessoa que passava pelo local no momento em que os militares abriram fogo.

A cultura de mais armas, de anúncio de uma estratégia de polícia programada para matar, fez mais uma vítima. Quantas vidas mais precisarão ser perdidas para que os governantes percebam que o povo fluminense não merece viver sob fogo cruzado?

Manifestamos nosso repúdio à ação do Exército e nossa solidariedade a família e amigos de Evaldo dos Santos Rosa, mais uma vítima da falência das políticas de segurança pública no Rio de Janeiro e dos discursos bélicos dos atuais governantes do Estado e do País. É preciso dar um basta nessa política promovida pelo governo federal e estadual, uma política onde se atira antes de se verificar o que aconteceu. Tal qual já havia ocorrido na Fallet, novamente temos vítimas fatais. As desculpas dos governantes, sem revisão dessa lógica belicista, não passam de palavras que vão ao vento.

Pelo fim dos autos de resistência! Não ao excludente de Ilicitude! Por uma nova política de segurança pública e de valorização da vida!

Rio de Janeiro, 9 de Abril de 2019

Paulo Sérgio Farias

Presidente da CTB RJ


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