CTB-RJ reúne entidades para articular luta em defesa dos trabalhadores do Acampamento Emiliano Zapata

CTB-RJ reúne entidades para articular luta em defesa dos trabalhadores do Acampamento Emiliano Zapata

A CTB Rio de Janeiro convocou, na última quarta-feira (15), uma reunião virtual com diversas entidades, nacionais e internacionais, identificadas com a luta no campo para organizar a luta em defesa dos trabalhadores e trabalhadoras do Acampamento Emiliano Zapata, em São Pedro da Aldeia.

Os trabalhadores e trabalhadoras do Acampamento Emiliano Zapata vivem uma situação de terror. Recentemente, o acampamento foi atacado com construções e plantações destruídas e com o assassinato do companheiro mineiro por milicianos ligados ao grileiro conhecido como Mateus.

Dezenas de entidades, entre elas o MST, o MAB, a Pastoral da Terra, a OAB, a CONTAG, a associação de trabalhadores da EMATER, a Comissão de Direitos Humanos da ALERJ, participaram da reunião virtual que durou quase 4 horas. O Presidente da CTB Rio de Janeiro avaliou positivamente o encontro que apontou para a rearticulação do Fórum Estadual em Defesa da Reforma Agrária e organizou a luta em defesa dos trabalhadores rurais de São Pedro da Aldeia e por justiça para o companheiro Mineiro:

“Essa reunião foi muito importante. Num momento importante da vida nacional, sob a égide de um governo fascista, a violência no campo também se acentua no Rio de Janeiro. A morte do companheiro Mineiro é a consequência trágica da ação da milícia da grilagem de terra que atua no estado, queimando casas, destruindo plantações e ameaçando trabalhadores e trabalhadoras rurais. Por isso foi fundamental reunir tanta gente e tantas entidades e instituições que lutam e defendem a reforma agrária. A consequência dessa reunião é viabilizar as condições pela volta segura de todas as famílias para o Acampamento Emiliano Zapata. Não abrimos mão dessa conquista. Outra questão fundamental desta ação organizada é cobrar das autoridades que a justiça seja feita, que o grileiro mandante do crime seja exemplarmente punido e que o governo do estado tome as devidas providências sobre a presença de policiais em apoio as ações da grilagem. É necessário toda a pressão dobre o INCRA, que seja definitivamente garantida a terra a todas essas famílias e de todos os acampamentos e ocupações do estado e para essa questão se materializar foi fundamental a decisão de se recriar o Fórum Estadual pela Reforma Agrária.”

O vice-presidente da CTB-RJ e presidente da Fetagri-RJ, Oto dos Santos, fez um breve histórico da luta do acampamento na reunião, ressaltando que os ataques promovidos pelo grileiro Mateus e seus capangas ocorrem desde que os trabalhadores e tabalhadoras chegaram na terra:

“No natal de 2017, o Senhor Mateus e o Senhor Betinho, com supostos oficiais de justiça, chegaram na ocupação, queimaram, saquearam e mataram animais de mais de 25 barracos. A gente se dirigiu a delegacia de São Pedro da Aldeia e ao Ministério Público local e ambos se recusaram a registrar a ocorrência pela influência que o Senhor Matues tem na cidade por ser cunhado do Prefeito Chumbinho.”- denunciou Oto.

Oto ressaltou que os trabalhadores sobrem com ameaças constantes, inclusive com uso de força policial, nesse processo de intimidação.

A companheira Nadine Borges, da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ, valorizou o trabalho de base feito pelo companheiro Oto na proteção a si e aos demais trabalhadores rurais do acampamento e comentou sobre a situação local:

“A impressão que a gente teve, quando visitamos a região, sobre o poder político, é da existência de uma milícia armada rural. O Mateus é grileiro, não fazendeiro. Não temos dúvida nenhuma em afirmar que se trata de uma grilagem de terra na região. Todas as baterias precisam estar centradas na pressão na justiça federal. Precisamos da solidariedade, das notas de apoio, mas uma pressão em cima da justiça federal por se tratar de uma área federal, uma área de desapropriação. Mais do que nunca, nossos laços de solidariedade precisam ser fortalecidos.”- defendeu.

As entidades defenderam o retorno dos trabalhadores para a terra, com as devidas garantias de segurança do Estado, e concordaram em somar forças para rearticular ao Fórum Estadual em Defesa da Reforma Agrária, bem como de unir forças para enfrentar a situação de São Pedro da Aldeia.

Entre as medidas que serão tomadas pelo grupo estão a pressão sobre a justiça federal e o Incra para uma solução definitiva para aquela terra e a denúncia na Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

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