Cultura enfrenta censura de Witzel

Cultura enfrenta censura de Witzel

Não adiantou o governador Wilson Witzel (PSC) tentar censurar, a cultura não aceitará mais práticas de censura. Artistas do coletivo “És Uma Maluca” realizaram na tarde da última segunda-feira (14) a performance anteriormente censurada pela Secretaria Estadual de Cultura. O local da exibição foi a praça em frente à Casa França Brasil, local onde também se localiza o Centro Cultural Banco do Brasil.

O ato, com nudez feminina e referências à tortura durante a ditadura militar, encerraria a programação, que foi previamente encerrada de forma arbitrária pelo governo de Wilson Witzel. Durante a exibição, uma mulher deitou-se de blusa e calcinha, com as pernas abertas, sobre um bueiro repleto de baratas de plástico. Uma caixa de som reverberava discursos do presidente Jair Bolsonaro (PSL).

Em seguida, outro artista jogou açúcar para as baratas. “Viva as baratas, fodam-se os ratos”, gritou.

A obra “A Voz do Ralo É a Voz de Deus” já sofria com censura antes do ato autoritário da Secretaria Estadual de Cultura. O diretor da Casa França-Brasil, Jesus Chediak havia proibido o uso dos discursos de Jair Bolsonaro na obra. Como primeira reação, o coletivo optou por trocar os discursos por receitas de bolo, como fizeram vários jornais durante os anos de chumbo.

A obra é inspirada em conto do escritor Rodrigo Santos que fala de uma mulher torturada durante a ditadura. Nas sessões de tortura, baratas eram introduzidas em sua vagina. No encerramento do ato-manifestação, a artista afirmou aos presentes que a performance é uma resposta à reverberação da violência que tem ocorrido no país e ao silenciamento, especialmente de mulheres e das artes.

Censura foi tentada até o último instante

Ignorando a lei do Vereador Reimont, que permite a realização de atos culturais e artísticos nas praças da cidade, a  Polícia Militar de Witzel tentou proibir a realização do ato, mas diante da massiva presença de púbico, e de palavras de ordem como “fascistas”, “a rua é nossa” e “abaixo a censura”, acabaram sem intervir.

Além das críticas à censura e à ditadura, os presentes também entoavam palavras de ordem questionando “onde está o Queiroz” e  “quem matou Marielle e Anderson”. O curador da exposição, Álvaro Figueired,o publicou nas redes sociais que a ordem para fechar a mostra antecipadamente veio do governador e classificou a ordem como um ato de censura do governo.

Leia também...

Deixe um comentário

Seu endereço de email não será publicado. Os campos obrigatórios estão marcados com *

Cancelar comentário