Dezenas de Milhares lotam centro da cidade em defesa da Soberania Nacional

Dezenas de Milhares lotam centro da cidade em defesa da Soberania Nacional

O mês de outubro começou com grandes lutas no Rio de Janeiro. Se na segunda-feira foi lançada a Frente Parlamentar em Defesa da Soberania Nacional, no Clube de Engenharia. Hoje foi a vez da classe trabalhadora mostrar que está mobilizada em defesa da Soberania Nacional. Em variados pontos da cidade, trabalhadores e trabalhadores se mobilizavam contra a venda dos patrimônios do povo carioca e fluminense.

As principais concentrações foram logo cedo. Ainda às 9 da manhã, a Intersindical Portuária realizou um ato em frente à Companhia Docas do Rio de Janeiro contra a privatização dos nossos portos. Não muito longe dali, na Cidade Nova, em frente à sede da CEDAE, trabalhadores Metalúrgicos, Cedaeanos, Comerciários, dos Correios e Servidores Públicos se concentravam e partiam em caminhada pela Avenida Presidente Vargas. A concentração foi um dos atos da vitoriosa paralisação de 24 horas promovida pelo Sintsama que parou diversas unidades da CEDAE por todo Estado.

O Presidente do Sindimetal-Rio, Jesus Cardoso, presente na atividade comentou a importância do movimento nesse dia em que se comemora também o aniversário de um dos maiores patrimônios do povo brasileiro:

“Estamos em luta nesse dia do aniversário da Petrobrás, um dia simbólico para os Metalúrgicos, por soberania nacional. Estamos nas ruas pra dizer que a Petrobrás não vai ser privatizada. A Petrobrás é nossa, dos trabalhadores e chamamos todos os trabalhadores a somar essa luta para vencer o capital estrangeiro que quer dominar o País”

A caminhada seguiu até o Terreirão do Samba, onde os mais de 4 mil militantes do Movimento dos Atingidos de Barragens (MAB), que realiza seu encontro nacional na capital fluminense, se uniram ao ato em defesa de soberania, água e energia para o povo brasileiro. A Marcha tomou conta da pista lateral de uma das maiores avenidas da capital do Rio de Janeiro.

“Esse movimento unifica trabalhadores de diversas categorias, de vários movimentos sociais, todos num grito uníssono por soberania, contra a entrega das nossas estatais, e contra esse governo golpista que não representa os anseios dos trabalhadores e das trabalhadoras” – comentou Kátia Branco, Secretária da Mulher Trabalhadora da CTB RJ.

O Secretário de Formação e Cultura da CTB RJ, Thiago Rios, falou da importância da luta pelo emprego e da presença de desempregados no ato:

“Hoje nós fizemos mais uma manifestação contra esse governo golpista com uma delegação que tinha bastante desempregados que vieram lutar pela volta da construção naval e pela volta do emprego. Sem luta, sem botar a cara, não há conquista. Não podemos permitir que vendam nossa água, nossa energia e nosso petróleo. Isso é nosso, é do povo. Não podemos aceitar um presidente da Petrobrás que não atende ao povo. A Petrobrás é nossa. Hoje é um dia de luta e temos que seguir nas ruas para barrar essas reformas que tem sido compradas por esse governo golpista.”

O ato seguiu pela Presidente Vargas até chegar em frente à Eletrobrás. Lá, novamente lideranças do movimento social fizeram falas em defesa das riquezas nacionais e contra o entreguismo de Temer. O Presidente da CTB RJ, Paulo Sérgio Farias, foi categório:

“Os trabalhadores que estão aqui, hoje, no centro da cidade do Rio de Janeiro, falando para todo país que o projeto golpista será interrompido nas ruas, pelo povo trabalhador. Estamos aqui dizendo não às privatizações, não à entrega da soberania energética, não à entrega da água e da Petrobrás, tão fundamentais e estratégicas para nosso país. Não às privatizações. Fora Temer! E vamos à luta porque é nas ruas que vamos derrotar esse projeto golpista”.

O Secretário de Políticas Sociais da CTB RJ, José Carlos Madureira, aproveitou o ato para criticar o governo do Estado lembrando que o mesmo tem uma política entreguista alinhada à Temer e que é o principal responsável pela situação econômica fluminense:

“Essa manifestação de hoje que tem uma defesa das estatais contra as privatizações, também é uma manifestação contra a política entreguista do governo estadual que quer entregar de bandeja a CEDAE, aqui no Rio de Janeiro, para receber uns tostõeszinhos do governo federal. O governo estadual, que arrasou com as finanças do estado, quer agora se livrar do patrimônio público do Estado para cobrir o rombo que criou. Mais uma vez vamos deixar claro, os trabalhadores não vão pagar essa conta.”

A atividade tomou a avenida Rio Branco de ponta a ponta, passando em frente à Caixa Econômica Federal, onde críticas ao desmonte de programas sociais foram feitas por manifestantes, e seguindo até a Petrobras, onde, em um trio elétrico as lideranças sindicais e das frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo fizeram uma manifestação. O Presidente da CTB RJ, Paulo Sérgio Farias, falou pela CTB Nacional e fez duras críticas ao governo golpista pelo momento vivido pelo povo trabalhador:

“Nós estamos assistindo, nas marquises do centro da cidade, trabalhadores e trabalhadores dormindo nas ruas. Essas cenas, nós não víamos a muito tempo e se repete em inúmeras capitais brasileiras. Durante 12 anos foram gerados mais de 20 milhões de postos de trabalho e, num golpe, temos mais de 13 milhões de desempregados. Estamos vendo, as favelas brasileiras, o pé na porta da repressão policial. A juventude sendo assassinada. O retrocesso cultural misógino, sendo implantado. Nós temos um governo entregando nossa nação.”

Após as falas das centrais sindicais e das frentes, o ato contou com a presença do ex-presidente Lula que afirmou que voltaria à presidência para retomar a autoestima do povo brasileiro:

“Me processem, mintam quanto quiserem, mas vou voltar para recuperar a autoestima deste país, para dizer aos jovens pobres da periferia que vão continuar a estudar em universidade, que vão ter ProUni, Fies,  escolas técnicas, que o povo pobre vai ter Minha Casa Minha vida. Se preparem porque o povo trabalhador vai voltar a governar este país e voltaremos a andar de cabeça erguida.”

O ex-presidente caracterizou o processo de privatização como sendo uma medida de quem vende patrimônio público por não ter competência para administrá-lo e afirmou que os golpistas não sabem a importância dessas empresas:

“O país estará abrindo mão de instrumentos de fazer política econômica. A Petrobras não é só indústria de petróleo, é instrumento de desenvolvimento, tem milhares de empresas que dependem dela. Foi o investimento em ciência e tecnologia que nos permitiu buscar petróleo a sete mil metros na maior descoberta do século 20. Hoje não existe nenhuma empresa mais competente em prospecção em alta profundidade do que a Petrobras.”

 

Texto: José Roberto Medeiros | CTB-RJ

Fotos: Bruno Bou

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