EISA: 3 MIL TRABALHADORES PODEM FICAR SEM EMPREGO

EISA: 3 MIL TRABALHADORES PODEM FICAR SEM EMPREGO

O Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro se prepara para uma grande batalha na próxima segunda-feira (14). Nesta data, cerca de 3 mil trabalhadores do Estaleiro Ilha S.A. (EISA) vão retornar das férias coletivas num clima de incerteza sobre o futuro da empresa. Há uma assembleia convocada pelo sindicato para a data e a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) acompanha toda a situação.

O estaleiro vive um processo de dificuldades há mais de um ano, com atrasos de salários e de direitos trabalhistas que levaram a alguns processos de paralização das atividades. Desde o começo da crise no estaleiro, o Sindicato dos Metalúrgicos tem acompanhado o processos e, nas palavras do Presidente do Sindimetal-Rio, Alex Santos, na última assembleia dos trabalhadores realizada na última terça-feira (08/07), chegou a hora de levar a luta a uma outra esfera.

– Não podemos deixar nossa luta escondida. Temos que levar nossa luta a outras esferas e por isso contamos com companheiros que irão nos ajudar a articular com ministérios e com a secretaria da Presidência da República em busca de uma solução para os trabalhadores.

Um dos companheiros citados por Alex na assembleia é o ex-Deputado Federal Edimilson Valentim. Autor da Lei Valentim, que teve papel fundamental na retomada da indústria naval e petrolífera, Edmílson esteve presente na assembleia e condenou com veemência a administração do estaleiro, deixando claro que o problema do mesmo é de direção:

– Não é por falta de encomendas ou crise do setor naval que o EISA se encontra na situação em que está. Estamos diante de um problema de gestão de um grupo que mantém outros negócios no Brasil e fora do País, como a empresa Avianca por exemplo.

O Sindicato aproveitou a assembleia para divulgar uma carta aberta para a sociedade, expondo a situação em que se encontram os mais de 3 mil trabalhadores do estaleiro. Abaixo segue a íntegra da carta divulgada.

Carta aberta à sociedade

 

Três mil trabalhadores do EISA podem ficar sem emprego

 

A apreensão dos trabalhadores do Estaleiro Eisa, na Ilha do Governador, toma a cada dia maiores contornos de realidade. A empresa passa por dificuldades. Neste momento, os cerca de 3.000 trabalhadores foram colocados em casa de férias coletivas dadas pelo Eisa e na data prevista para retorno – 30/06/2014 – receberam a informação de que a volta ao trabalho seria adiada para 14/07/2014, continuando de licença remunerada. O pátio da empresa, que hoje possui o maior número de encomendas do Brasil, está parado, o que deixa um futuro de incerteza para os funcionários e suas famílias.

O setor naval no Brasil, em geral, tem passado por um processo de soerguimento. Se durante os anos de 1990, o segmento praticamente fechou as portas e desempregou milhares de trabalhadores, agora já emprega mais de 70 mil pessoas em todo o Brasil. Em 2000, a indústria do petróleo representava cerca de 2% do PIB, e hoje chega a 12%, o que mostra a importância dessa indústria para o desenvolvimento do país e a geração de emprego. E o Rio de Janeiro, berço deste setor no país, tem tido papel destacado, gerando aqui a maior quantidade de empregos em relação aos outros estados.

Essa política, iniciada pelo governo federal em 2003, tem gerado milhares de empregos e garantido o sustento de muitas famílias, inclusive reaquecendo e fomentando, além da própria indústria naval, o setor de Navipeças.

Infelizmente, a má administração e a falta de visão de futuro dos empresários têm dificultado o desenvolvimento de condições ainda melhores para o setor naval. O grupo Sinergy, além do Eisa, também é dono dos estaleiros Mauá, em Niterói, do Eisa Alagoas (em construção), e também da empresa de aviação Avianca. Esse grupo tem ainda participação no Estaleiro Brasa (Niterói) e outros negócios. Portanto, essa situação também deixa em estado de alerta os trabalhadores desses outros estaleiros.

Atualmente, os trabalhadores do Eisa (Ilha) já vêm enfrentando o atraso de salários e outros direitos. No ano passado, mais de 400 foram demitidos e muitos ainda estão lutando na justiça, através do Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro, para receber o que lhes é devido. Isto sem falar de práticas duvidosas, onde o estaleiro tem forçado demissões por justa causa no intuito de reduzir o que é dos trabalhadores.

Por isso, os metalúrgicos do Rio de Janeiro estão unidos para garantir a continuidade desses mais de três mil postos de trabalho no Eisa. Defendemos uma ampla articulação entre trabalhadores, empresários e governos para que seja encontrada uma solução que, em primeiro lugar, garanta todos os direitos dos funcionários; segundo, que a empresa continue funcionando para que os empregos sejam mantidos; terceiro, que possamos superar práticas arcaicas na relação capital e trabalho naquela planta industrial e que a indústria naval prospere e contribua com o continuo desenvolvimento do Brasil.

SINDIMETAL-RJ

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