Em reunião virtual, diretoria plena da CTB-RJ debate saúde, educação e situação dos trabalhadores durante a pandemia

Em reunião virtual, diretoria plena da CTB-RJ debate saúde, educação e situação dos trabalhadores durante a pandemia

A diretoria plena da CTB Rio de Janeiro reuniu-se nessa sexta-feira (17) para debater os desafios da central sindical e de suas entidades filiadas diante da pandemia do novo covid-19 e de todas as peculiaridades do Brasil e do Rio de Janeiro no enfrentamento da pandemia. A reunião aconteceu em um momento conturbado da política brasileira, menos de 24 horas depois da demissão do (agora ex) Ministro da Saúde, Luís Henrique Mandetta e contou com a presença da Deputada Federal Jandria Feghali (PCdoB) e do companheiro João Paulo Ribeiro, da CTB Nacional.

A companheira Jandira Feghali abriu a reunião com uma avaliação de conjuntura. Com muitas críticas ao Presidente Bolsonaro, Jandira classificou como positivos os esforços da oposição no Congresso Nacional, o qual classificou como “local onde temos conseguido unificar o trabalho da oposição”. A deputada destacou, entre as medidas importantes que tiveram o protagonismo da oposição, a aprovação da Renda Básica Emergencial.

A Deputada foi dura na crítica com o presidente, a quem acusou de priorizar a disputa política e defender uma falsa dicotomia entre saúde e economia.

“Temos um governo que se confronta com os governadores, que se confronta com os municípios e que não respeita os pilares democráticos do respeito entre os poderes.” – afirmou Jandira.

A deputada comunista também avaliou o momento do capitalismo, que, na visão da mesma viu o “velho discurso da globalização, de que o mundo não tem fronteiras, de que os estados nacionais não possuem valor, ruir” e afirmou não ser possível prever como o capitalismo irá se comportar durante a após a pandemia:

“Não sabemos ainda como o capitalismo irá se comportar durante essa pandemia e a agenda pós-pandemia é uma incógnita. Temos uma disputa hoje, para enfrentar o momento da pandemia, e uma enorme disputa para o pós-pandemia. Nós vamos sair com uma economia destroçada e vamos ter que reestruturar isso disputando a agenda.” – afirmou a deputada.

A comunista disse ainda que o foco do momento não é na renúncia ou impeachment, mas sim no combate a pandemia. Para Jandira, Bolsonaro afunda cada vez mais seu isolamento por não conseguir responder às agendas derivadas do combate à covid-19, seja na questão sanitária, seja na questão do emprego, seja na questão das garantias necessárias para as micro e pequenas empresas. A comunista criticou a maneira com o presidente vem lidando com o enfrentamento ao novo coronavírus:

“Apesar do Congresso ter feito tudo, agenda fiscalista não saiu do governo. Há uma disputa entre o que o Congresso forneceu o governo e o que o Governo quer fazer.  Todos economistas, até os mais reacionários, defendem mais estado, mais investimentos. Governo não faz. Joga para manter uma agenda fiscalista sem compromisso com a vida das pessoas.” – critica a deputada

As opiniões manifestadas pela Deputada Jandira Feghali encontraram eco nas intervenções do companheiro João Paulo, o JP, da CTB Nacional. Em uma intervenção com foco nos servidores públicos, JP concordou com Jandira ao apontar Bolsonaro como ícone da necropolítica.

“Fazer terrorismo e propagandear a morte é o que está na ordem do dia. Estamos diante de uma artilharia pesada, compromissada com o capital financeiro.” – disse JP.

O cetebista criticou a ausência de diálogo entre governo e os servidores públicos e cobrou unidade da categoria com as demais categorias de trabalhadores e trabalhadoras:

“Wagner Lear, que é o Secretario do Planejamento, não recebe os trabalhadores do Serviço Público. Não existe política de negociação e não existe na cabeça ninguém reajuste. Só tem reajuste para militares, não tem qualquer perspectiva de reajuste para o serviço público. Se não dermos as mãos, e começarmos a saber que somos classe trabalhadora e que estamos todos na mesma vala comum, nós seremos sacrificados.” – defendeu.

Saúde e Educação em pauta

Além das intervenções de Jandira e João Paulo, a reunião debateu temas relevantes, especialmente na área da educação e da saúde. A dirigente da CTB-RJ, Maria Celina de Oliveira, manifestou preocupação com cerca de 5 mil trabalhadores dos hospitais federais que terão seus contatos vencidos em 30 de Abril. Segundo a cetebista, os ex-ministro Mandetta falou que os mesmos seriam renovados, mas com a demissão o clima é de incertezas.

“Dia 30, automaticamente, vários serviços do Hospital do Andaraí e do Hospital de Bonsucesso, serão desativados por ausência de recursos humanos.”- alertou Celina.

O cetebista Márcio Franco, dirigente do Sinpro-Rio, problematizou a pressão promovida pelo governo do Estado pelo julgamento do STF pelo fim dos triênios, mediada que, caso considerada inconstitucional pode atingir antigos e novos servidores, o que gera insegurança na categoria.

A companheira Lívia, de Petrópolis, manifestou sua preocupação com a questão do ano letivo e da ofensiva do mercado do ensino à distância contra a educação básica.

“Nossa grande preocupação hoje é com a questão do ano letivo e essas atividades EAD, que alguns municípios tentam dizer que não é EAD, mas sim estudo remoto, em mais um artifício para implementação do ensino à distância na educação básica. Ontem saiu uma reportagem, o Lehman dizendo que a crise é uma grande oportunidade para fechar negócios. Os urubus do neoliberalismo, estão à espreita da grande crise que se agiganta aos nossos olhos.” – Alertou.

José Carlos Madureira, dirigente da CTB-RJ e diretor de escola, alertou para os perigos de se reabrir as escolas de forma precipitada, como defendeu hoje mesmo o Presidente Bolsonaro. A CTB Rio de Janeiro, diante das exposições, decidiu buscar construir com o conjunto das centrais sindicais uma nota pública conjunta contra a abertura das escolas, em defesa do isolamento social como medida de proteção ao novo coronavírus.

Assembleias e campanhas salariais

Outro ponto importante da reunião foi a questão das Assembleias e Campanhas salariais. O Secretário Geral da CTB Rio de Janeiro, Carlos Lima, deu orientações aos dirigentes sobre como lidar com as excepcionalidades da situação atual, lembrando que a CTB-RJ publicou, ontem, em sua página uma orientação para a realização das assembleias por tele presença e defendendo que os sindicatos deem o pontapé inicial nas campanhas salariais:

“No sentido das assembleias, nós colocamos ontem no site da CTB-RJ um passo a passo orientando como realizar as assembleias de forma virtual. Esses processos tem validade. Todas as decisões ocorridas em reuniões virtuais, por tele presença, são válidas. O STF está tomando decisões, o Congresso Nacional também está validando reuniões à distância. Da mesma forma, os sindicato podem criar suas salas de reunião, suas assembleias virtuais e elas serão válidas.” – afirmou o Secretário Geral da CTB-RJ.

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