ENTIDADES DENUNCIAM TENTATIVA DE PRIVATIZAR SANEAMENTO

ENTIDADES DENUNCIAM TENTATIVA DE PRIVATIZAR SANEAMENTO

Não à privatização da Cedae, contra a privatização do saneamento, contra o desmonte de um país!

Setembro/2016

Os representantes dos trabalhadores do setor de saneamento veem por meio desta carta externar total repúdio ao anúncio do governo Temer em querer privatizar empresas de saneamento por meio do Programa de Parceria de Investimentos- PPI, a começar pela Cedae- RJ.

Já é de conhecimento de todos que a privatização de serviços essenciais é o pior dos mundos para a população: serviços precarizados, aumentos exorbitantes nas tarifas, abusos no atendimento e terceirizações em massa.

Em se tratando do saneamento público, o quadro é mais grave ainda, já que este setor tem uma interface de suma importância com a saúde, com impactos relevantes na qualidade de vida dos usuários.

E não há dúvida: o setor privado visa o lucro, e não o caráter social, este sim dever do Estado. Em grandes cidades como Paris, Berlim, Buenos Aires e Cochabamba a experiência da privatização foi tão desastrosa que os governos voltaram atrás e retomaram os serviços de saneamento novamente.

E o procedimento básico da privatização quando assume uma empresa é o de demitir trabalhadores capacitados, responsáveis e com alto grau de competência e responsabilidade para terceirizar os serviços, contratando trabalhadores sem a devida qualificação e comprometimento que o setor exige, inclusive explorando esses mesmos trabalhadores, afinal, a lógica da iniciativa privada é o lucro.

O resultado é catastrófico: serviços mal feitos, população vulnerável a todo tipo de mau atendimento, demissão em massa de profissionais do setor.

Governo golpista quer levar o Brasil a leilão

Depois de atacar a democracia em um golpe que levou ao impeachment da presidenta Dilma Rousseff, eleita diretamente por 54 milhões de cidadãos brasileiros, Temer e seus aliados (elite, patronato, mídia golpista) preparam a entrega de 25 projetos de infraestrutura à iniciativa privada, seja ela nacional ou internacional, ou seja, quer leiloar o patrimônio público e entregá-lo a quem pagar mais, inclusive para os estrangeiros.

Portos, aeroportos, rodovias, usinas, ferrovias, distribuidoras de energia e estatais de saneamento estão no pacote do que o governo golpista chama singelamente de “Programa de Parceria de Investimentos” – PPI, que na verdade podemos ler como “entrega do patrimônio brasileiro a quem pagar mais”, ou simplesmente “privatização”.

Temer mostrou a que veio: servir aos grandes conglomerados, às multinacionais, aos empregadores que anseiam em ver os direitos trabalhistas serem arruinados.

Mal assumiu a cadeira de presidente, que ele sorrateiramente usurpou com a ajuda de seus parceiros, Temer e sua equipe estão dando um show de horrores nos jornais, com anúncios impactantes que precisam ser revistos e retratados em seguida, como aconteceu quando ele disse que aumentaria a jornada de trabalho para 12 horas diárias. Agora, o ministro do trabalho diz que não é bem assim. Falou que mudaria o modelo do FGTS. Depois recuou novamente e disse que isso não é verdade. Ou seja, jogam para a torcida suas propostas nefastas e, como as reações têm sido negativas, recuam. Mas não se iludam, é isso mesmo o que querem: voltar à época da exploração, da escravidão disfarçada.

Aumentar a idade mínima para aposentadoria, igualar essa idade para as mulheres, aumentar a jornada de trabalho para 12 horas diárias, aprovar a terceirização para atividades-fim, prevalecer o negociado sobre o legislado. Todas estas propostas vão ao encontro dos interesses patronais para os quais o presidente golpista quer atender com subserviência, afinal, ele não está ocupando a cadeira presidencial à toa. Existe uma fatura alta a ser paga.

A verdade é uma só: querem jogar a conta de todas as crises nas costas dos trabalhadores e entregar setores essenciais para a iniciativa privada. As reformas não tardarão a vir.

E se a classe trabalhadora não se unir e a população não acordar para o que está prestes a acontecer presenciaremos a concretização do sonho do patronato e das multinacionais sedentas: direitos consagrados sendo derrubados um a um e o domínio do nosso patrimônio, inclusive de recursos naturais como o pré-sal, a água e a nossa rica biodiversidade.

As propostas nefastas do governo golpista estão sendo apresentadas e desmentidas em seguida pelo próprio governo, e isso se deve muito à resistência da população e dos trabalhadores. Os protestos estão nas ruas. Vamos todos resistir a esse governo golpista.

Por isso, nós, que representamos os trabalhadores do setor de saneamento e defendemos o acesso à agua e ao esgotamento sanitário através de serviços públicos de qualidade repudiamos com veemência mais esta medida nefasta do governo Temer.

Chega de golpe: vamos todos dizer não a mais esta tentativa de desmonte de nosso país!

Não à privatização do saneamento! Não ao golpe!

CTB – Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil.

SINTAEMA / SP – Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo.

SINTSAMA – Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Saneamento Básico e Meio Ambiente do Rio de Janeiro e Região.

STIPDANIT – Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgoto de Niterói.

SINTAEMA / SC – Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de Santa Catarina.

SINTIUS – Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas de Santos, Baixada Santista, Litoral e Vale do Ribeira.

SINDAGUA / MG – Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgoto do Estado de Minas Gerais.

SINDAE / BA – Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado da Bahia.

STIUEG – Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas no Estado de Goiás.

FNU – Federação Nacional dos Urbanitários.

STIUEG – Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas no Estado de Goiás.

FENATEMA – Federação Nacional dos Trabalhadores em Água, Energia e Meio Ambiente.

 

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