Especialista diz que Cedae não seguiu protocolo com carvão e argila: ‘tem grande risco de não dar certo’

Especialista diz que Cedae não seguiu protocolo com carvão e argila: ‘tem grande risco de não dar certo’

Após o fim do prazo estipulado pela Cedae e pelo governador Wilson Witzel (PSC) para melhora da qualidade da água no Rio de Janeiro, especialistas criticam a maneira como a companhia vem lidando com o problema.

Segundo o engenheiro químico Adriano Gama, que trabalhou na Cedae por 25 anos, o uso do carvão ativado e da argila na estação de tratamento de Guandu, se não for aplicado de forma correta, pode demorar a apresentar os efeitos desejados ou até mesmo não ter resultados.

“Eles fizeram um teste diretamente sem passar pelos protocolos iniciais. Tem um grande risco de não dar certo e, até agora, não está dando certo”, afirma Adriano Gama.

O especialista questiona ainda outro procedimento adotado pela Cedae, chamado de ‘descarga’, quando há a abertura das comportas devido ao grande acúmulo de algas no manancial.

“O que nós sabemos é que tem que ter tempo adequado para realizar a descarga. Será que o tempo foi adequado? Não sabemos se o tempo foi adequado para poder remover todas as algas da lagoa”, conclui o especialista.

Processos de tratamento

Desde o início da crise da água no Rio de Janeiro, uma série de medidas foi tomada pela Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio.

A primeira delas, uso do carvão ativado na Estação de Tratamento de Guandu, na Baixada Fluminense, começou na quinta-feira (23), e a previsão era de que a água apresentasse melhora em até uma semana.–:–/–:–

Mas moradores ainda reclamam das condições da água nas torneiras, que permanecem com cheiro e gosto de terra, causado pela geosmina. Em entrevista coletiva na tarde desta quinta-feira (30), o governador Wilson Witzel foi questionado sobre o assunto e rebateu.

  • Repórter: Queria perguntar se já é possível saber quando a geosmina sai da água e quando a água deixa de ter sabor e odor anormal.
  • Witzel: Eu não sou químico, vou perguntar pra eles.
  • Repórter: O senhor, na semana passada, deu um prazo.
  • Witzel: Eu não, foi um químico. Eu só reproduzi o que ele falou.
  • Repórter: Ele deu algum novo prazo e alguma nova resposta a respeito?
  • Witzel: Vou perguntar a ele.

Na quarta-feira (29), a companhia anunciou que passaria a aplicar argila ionicamente modificada numa lagoa próxima à captação da Estação de Tratamento de Água (ETA) Guandu.

A medida tem como finalidade impedir a proliferação excessiva de algas, indisponibilizando o fósforo. Serão três aplicações de teste, por meio de uma embarcação equipada para o produto se espalhar por igual na água.

O que diz a Cedae

Apesar das reclamações dos moradores do Rio e do posicionamento do especialista, a Cedae afirma que o abastecimento está sendo normalizado com carvão ativado e que o prazo vai depender de cada imóvel e da quantidade de água armazenada.

Fonte: G1

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