Hospital Souza Aguiar tem um técnico de enfermagem para 42 pacientes, diz comissão da Câmara do Rio

Hospital Souza Aguiar tem um técnico de enfermagem para 42 pacientes, diz comissão da Câmara do Rio

Maior emergência da cidade, o Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro, vem sendo diretamente impactado pela crise na saúde do município do Rio. Sem médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e medicamento, o atendimento está prejudicado, centros cirúrgicos fecham, e os pacientes sofrem.

Responsabilidade da Prefeitura do Rio, a situação do hospital preocupa a Comissão de Saúde da Câmara de Vereadores, que afirma que as condições do hospital pioram a cada dia.

Um auxiliar de enfermagem para 42 pacientes

Na Clínica Médica, onde pessoas muito idosas estão internadas, um único auxiliar de enfermagem atende 42 pacientes. O correto seria um auxiliar para cada seis pessoas.

Na sala verde, onde há pacientes menos graves, e na vermelha, destinada àqueles em situação mais crítica, há um auxiliar para cada doze pacientes.

“Você imagina o que é um técnico de enfermagem tratando de 42 pessoas. Como ele mede a pressão? Como ele vê se esse paciente está com febre? Como ele faz a higiene nesse paciente? Isso é humanamente impossível e um risco para a saúde do paciente”, diz o vereador do Paulo Pinheiro (Psol), da Comissão de Saúde da Câmara de Vereadores.

Quatro salas de cirurgia fechadas

A Comissão de Saúde da Câmara afirma que a falta de profissionais já provocou o fechamento de quatro salas de cirurgia. Agora, são seis abertas. Uma unidade do hospital já foi desativada.

Em julho, a unidade coronariana, destinada a pacientes infartados, foi fechada, por conta do que a prefeitura afirmou ser a “necessidade de obras estruturais”.

O RJ2 mostrou imagens feitas na tarde desta segunda-feira (18) e, quatro meses depois, a unidade continua fechada. Aparentemente, sem a necessidade de obras.

“Existe um concurso, de 2013, onde estão no banco 200 técnicos de enfermagem. Existe um outro para enfermeiros. Se não puder contratar, que contrate emergencialmente”, diz Paulo Pinheiro.

Medicamentos também faltam

A vistoria da Comissão de Saúde constatou a falta de 80% da lista de medicamentos que deveriam constar na unidade. Quem vai à unidade não encontra os remédios que precisa.

“Com o corte do orçamento, o pessoal da farmácia não pode comprar medicamento”, explica Paulo. Falta inclusive para o remédio de dor de ouvido da Pequena Maria Eduarda.

“Vai ter dinheiro para comprar? Como vai ser isso? Não sei. Agora, eu não tenho, mas vou dar um jeitinho de comprar porque precisa”, diz a ascensorista Marcélia Santos, mãe da menina.

Previsão é de mais cortes

O Souza Aguiar já teve um corte de 30% em seu orçamento. E a previsão não é otimista. Em 2020, pode ser que os cortes aumentem em mais 12%.

O que dizem a prefeitura e o hospital

A Secretaria Municipal de Saúde afirmou que já foram realizados processos seletivos e dois concursos públicos desde o começo deste ano e que nesta segunda pela manhã 81 profissionais de saúde tomaram posse.

A prefeitura afirmou ainda que está em andamento um processo seletivo para a contratação de médicos para atuar na unidade coronariana.

Já sobre os remédios, a direção do hospital categoriza a falta de medicamentos como “eventual” e que logo que são identificadas as faltas, os itens são comprados.

Fonte: G1

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