Intervenção na Segurança Pública do Rio de Janeiro sepulta de vez Governo Pezão

Intervenção na Segurança Pública do Rio de Janeiro sepulta de vez Governo Pezão

O povo fluminense acordou, nessa sexta-feira (16) com a impactante notícia da intervenção do governo federal na Segurança Pública do Rio de Janeiro. Uma notícia que pegou a todos de surpresa e que representa, na prática, o sepultamento, do já falecido, governo de Luiz Fernando Pezão (PMDB). A decisão do governo golpista de Michel Temer ocorre num momento onde a população clama por mais segurança, porém, está muito longe de representar o atendimento aos anseios da população.

Há tempos, o povo fluminense sofre com os desgovernos do PMDB. Desde que assumiu, Pezão se mostrou totalmente incapaz de gerir nosso estado e, frisamos, que a crise que se institui não é apenas uma crise de segurança pública. Há crise na saúde, na educação, no saneamento, no funcionalismo e em todas as áreas do Rio de Janeiro. Tratar o caso da segurança de forma isolada está longe de resolver o problema, falta governo ao nosso Estado e a necessidade de novas eleições é urgente. Para piorar, a eleição do Prefeito Marcelo Crivela (PRB) aumentou a sensação de falta de governo no povo carioca, deixando a cidade largada em meio no momento em que mais recebe visitantes, em meio ao maior evento de seu calendário e se limitando a postar vídeos em redes sociais dizendo que acompanha da Europa a situação grave deixada por uma das maiores chuvas da história carioca. A soma de um presidente ilegítimo, um governador incompetente e um prefeito ausente são a marca registrada do momento caótico vivido no Rio de Janeiro.

É difícil explicar para a população que sofre no dia a dia com a violência as mazelas de uma intervenção. Nosso passado não tão distante nos mostra os riscos de alçar militares a postos de comando e nossa democracia sempre sai ferida quando optamos por saídas que não sejam referendadas pelo voto popular. No entanto, é nosso papel, enquanto entidade do movimento social denunciar o que representa essa medida. Porque agora? A quem interessa e para quem é essa intervenção?

A Segurança Pública do Rio de Janeiro agoniza há anos. Os confrontos geram mortes de crianças, gestantes, trabalhadores e trabalhadoras, a todo momento. Porque o governo decidiu agir somente agora? A violência nas comunidades mais pobres é manchete de todos os veículos de comunicação há tempos e somente quando a violência desce dos morros para o asfalto que o governo federal resolve se movimentar? E essa movimentação se limita apenas a forças armadas? Não acreditamos que isso seja suficiente e que vá chegar sequer perto de resolver o problema.

O Governo Federal, que anuncia midiaticamente sua intervenção, é o mesmo governo federal que, através da Emenda Constitucional 95 (EC 95), que congela investimentos em áreas como saúde, educação e segurança por 20 anos, impedindo, assim, o aumento de investimentos em nosso estado e aguçando a crise na qual estamos inseridos. Desde  as primeiras movimentações para consolidação do golpe de 2016, os ataques dos setores que agora estão no poder ao povo de nosso estado foram incessantes: atacaram a Petrobrás, grande geradora de empregos em nosso Estado, destruíram o setor naval, e ainda condicionam o urgente socorro financeiro ao Estado à uma criminosa venda de empresas como a CEDAE, um dos patrimônios do povo. Até a UERJ, uma universidade de ponta, internacionalmente reconhecida, eles cogitaram vender nesse projeto nefasto que une as três esferas de poder (federal, estadual e municipal) que atingem o povo do Rio de Janeiro. Em suma, em uma das maiores crises vividas pelo povo Fluminense, ao invés de investir em educação, saneamento, saúde e geração de emprego e renda, o governo Federal se limita apenas a mandar soldados das Forças Armadas e da Força Nacional para tentar aumentar a sensação de segurança do povo, sem de fato enfrentar a raiz do problema.

A CTB Rio de Janeiro compreende que não existe saída isolada para a questão da segurança pública. Os problemas de insegurança sofridos pelo povo fluminense só serão solucionados quando o estado tiver um novo governo, democraticamente eleito e com vontade política de enfrentar todos os problema do Estado. Só resolveremos a segurança quando avançarmos para resolver a crise do SUS, da educação, da moradia, do saneamento, do funcionalismo, e todas as outras crises que fazem com que nosso estado se encontre num quadro de total ausência do poder público em todas as áreas.

Para avanços verdadeiros na segurança, precisamos com urgência recolocar o Rio de Janeiro no caminho do desenvolvimento e da redução das desigualdades. Se faz urgente a retomada a indústria naval, da Construção Civil, e diversificação do parque industrial fluminense; a criação de projetos de educação, cultura e inserção no mercado de trabalho para nossa juventude; ampliação dos investimentos em saúde, saneamento e prevenção e, para tudo isso, o governo Federal tem que, ao invés de apenas mandar forças repressoras, revogar medidas como a EC 95 e retomar a política de conteúdo nacional.

Não existem saídas para a crise que passem apenas por envio de tropas armadas para comunidades pobres, para se enfrentar a crise precisamos enfrentar todas as mazelas que corroem a estrutura do nosso estado e deixam nossa população sem perspectivas.

Fora Temer! Fora Pezão! Fora Crivella!

Rio de Janeiro, 16 de Fevereiro de 2018

Paulo Sérgio Farias

Presidente da CTB RJ

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