JORNAL O DIA É ACUSADO DE DEMITIR JORNALISTA A PEDIDO DE MARCELO CRIVELLA

JORNAL O DIA É ACUSADO DE DEMITIR JORNALISTA A PEDIDO DE MARCELO CRIVELLA

O Prefeito da cidade do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, se encontra envolvido em mais uma polêmica. Dessa vez, o chefe do executivo municipal é acusado de ter pedido ao Jornal O Dia que demitisse o Jornalista Caio Barbosa. Pelas denúncias, que circulam massivamente pelas redes sociais, a saída do repórter do jornal O Dia ocorreu em virtude da publicação carioca, controlada pela Empresa Jornalística Econômico S.A. (Ejesa) que tem participação do Grupo Record, atender a um pedido direto do prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB). O ato de censura e ataque à liberdade da atividade jornalística comandado pelo político do PRB teria ocorrido por causa de uma reportagem. Na quinta-feira, 16, Caio Barbosa produziu a matéria “Febre amarela: população critica filas e falta de informações nos postos”. Como o título sugere, o texto aborda a ineficácia gestão da saúde pública da cidade.

Prefeito nega acusação

A repercussão da acusação fez com que o prefeito do Rio de Janeiro se pronunciasse sobre o caso no início da tarde do último domingo, 19. Em nota oficial, Marcelo Crivella nega ter pedido a dispensa do repórter de O Dia ou de qualquer outro profissional de mídia. “É falsa a informação divulgada nas redes sociais atribuindo a mim o pedido de demissão do jornalista Caio Barbosa”, afirma. “Jamais faria isso. Declaro de forma veemente que respeito os profissionais de comunicação e a liberdade de imprensa”, afirma o Prefeito que ainda se diz alvo de “perseguições políticas” na mesma nota.

Repórter demitido rebate Crivella

Forrmado pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e com mais de 20 anos de carreira, Caio Barbosa estava na redação de O Dia desde 2012, e já trabalhou em veículos como portal SRZD (editor-chefe), Globo.com (editor), Extra, UOL, Globoesporte.com e Diário Lance (repórter). Através das redes sociais, ele rebateu as afirmações do Prefeito:

 “A nota oficial do prefeito é uma mentira. Não apenas sobre mim. Sobre ele. Mente do início ao fim. Uma pena. Mentir é pecado. Deve ter sido escrita por um assessor. Espero”, critica  o jornalista. “Errar e reconhecer o erro é virtude que Deus perdoa. Insistir na mentira é feio”, enfatiza o jornalista.

Jornal fala em reestruturação e tira reportagem do ar

O jornal O Dia também se posicionou sobre o tema neste domingo (19). Em sua versão online, afirma que “não houve, e nem poderia haver, qualquer interferência externa nas decisões de corte, em nenhuma área da empresa.” O jornal O Dia repudia qualquer insinuação neste sentido”. Sem a assinatura de nenhum executivo, a nota da publicação não menciona os nomes do repórter Caio Barbosa e do prefeito da capital fluminense. O site do diário afirma ter promovido “reestruturação de pessoal” na última semana. A ação, segundo a publicação, ocorreu em prol da “manutenção do emprego de 250 funcionários diretos e mais de 1.000 parceiros indiretos”. O veículo não explica, porém, o motivo de a reportagem assinada pelo repórter demitido (e supostamente ter sido a causa do pedido do Prefeito) ter sido retirada do ar.

Sindicato Repudia demissão

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro (SJMRJ) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) repudiaram a situação e afirmaram que receberam informações de que, sim, a reportagem sobre a falta de atenção da prefeitura carioca em relação à febre amarela teria desagradado o prefeito Marcelo Crivella. As duas entidades exigem explicações por parte dos controladores de O Dia. “Para surpresa geral, Caio foi demitido após um suposto telefonema do prefeito ao dono do jornal”, pontuam. As instituições destacam, ainda, serem “contra a censura, a intimidação e o assédio moral – venham de onde vierem – e não irão tolerar esse tipo de postura em relação aos profissionais de imprensa”.

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  • Elvio Bizarri
    23 de março de 2017, 13:12

    Abaixo, leia a íntegra do texto que causou a demissão de Caio Barbosa:
    Febre amarela: população critica filas e falta de informações nos postos
    Caio Barbosa
    O medo da febre amarela fez o carioca acordar cedo, ontem, para correr aos postos de saúde em busca de vacinas para se proteger da doença. Mas em vez de uma solução, o que se viu foram filas, mau atendimento e falta de informação. Na Tijuca, moradores chegaram antes das 7h ao Centro de Saúde Heitor Beltrão, na Rua Desembargador Isidro, e tiveram de esperar até 13h para serem vacinados. A falta de cuidado, de informação e atenção dos funcionários com quem chegava à unidade de saúde davam o tom do atendimento.
    “Cheguei aqui às 7h e só vacinaram os 80 primeiros. Eu fui a de número 81. Quando chegou a minha vez, disseram que só havia mais 80 vacinas para a parte da tarde. E que eu deveria ficar aqui até a tarde se quisesse ser vacinada. Uma falta de respeito”, reclamou Sônia Penha de Oliveira Nascimento, de 53 anos.
    O engenheiro Hugo Blasquez, que estava exatamente atrás de Sônia na fila, se aborreceu pela segunda vez nesta semana no posto de saúde da Tijuca. Na terça-feira, sua esposa, maior de 60 anos, foi ao posto munida de um atestado médico que lhe autorizava a receber a vacina, e ainda assim saiu sem receber a dose.
    “Ela ficou na fila e, na vez dela, quem a atendeu se recusou a vacinar porque no atestado estava a palavra “liberada” em vez de “apta”. É inacreditável. Hoje, colaram cartaz informando que apenas quem está com viagem marcada seria vacinado. Mas a própria pessoa que colou o cartaz, diretora do posto, disse que a informação estava errada. Como pode uma coisa dessas?” reclamou.
    A diretora do posto de saúde, que se apresentou como Patrícia, disse que não poderia dar declarações, e que estas seriam de responsabilidade da secretaria municipal de Saúde. Quem esperava por uma vacina, no entanto, cobrava explicações que não vinham.
    “Não era essa a gestão que prometeu cuidar das pessoas? Bem, pelo que a gente está vendo até agora, parece mais humilhar as pessoas”, criticou a professora Luiza Souza Gomes.
    Na Zona Sul, no Centro de Saúde Píndaro de Carvalho Rodrigues, na Gávea, a falta de vacinas suficientes também provocou filas. Naquela unidade, apenas 100 pessoas foram vacinadas pela manhã, e outras 100 à tarde. Muitas voltaram para casa insatisfeitas. Caso do cantor Leo Jaime, que não conseguiu vacinar o filho Davi, de 9 anos.
    “Os funcionários até que nos explicaram a situação. A culpa não é deles. São 100 vacinas, mas a questão é que há um caso de urgência, há muitas pessoas apavoradas. Cinco macacos morreram na região devido à doença. Eu moro em frente ao Parque Lage e todos lá consideram que a questão é urgente, menos a prefeitura. Aumentar a vacinação nas escolas, a informação, tomar medidas que tranquilizem a população, pelo visto, não é com a prefeitura”, lamentou Leo Jaime.
    A secretaria municipal de Saúde informou que até o dia 28 haverá a ampliação do número de pontos de vacinação – de 34 para 233 unidades da rede de Atenção Primária (Clínicas da Família e Centros Municipais de Saúde), após reforço no estoque da vacina. Ao todo, o Rio receberá 1,5 milhão doses.
    Em nota oficial divulgada na segunda-feira, a secretaria informou que o “Rio permanece fora da zona de risco da doença” e “que não há casos de febre amarela urbana no país desde 1942”.
    “É muito importante que a população tenha em mente que poderá buscar a vacina na rede durante todo o ano e que é muito importante respeitar as indicações para a vacina, uma vez que este imunizante é feito com vírus vivo atenuado, o que pode gerar efeitos colaterais graves. Todos serão imunizados, não há motivo para alarde ou corrida aos postos”, explicou o secretário municipal de Saúde, Carlos Eduardo, na nota.
    A vacina da febre amarela tem contraindicações que serão rigorosamente seguidas pelas equipes técnicas. Não podem tomar a vacina crianças menores de 9 meses e adultos acima de 60 anos; gestantes e mulheres que estejam amamentando crianças menores de 6 meses; pacientes com doença ou em tratamento que cause imunodeficiência, como câncer ou HIV sintomático; pessoas com história de reação anafilática relacionada a substâncias presentes na vacina ou alergia a ovo de galinha e seus derivados.
    Os pontos de vacinação abrem diariamente às 7h e distribuem senhas para a vacina da febre amarela, conforme suas capacidades técnicas de segurança dos pacientes e boas práticas de vacinação. As senhas também são distribuídas na parte da tarde. Em abril, todas as unidades de Atenção Primária estarão aptas a aplicá-la e a vacina passará a fazer parte do calendário de imunização do Estado do Rio.

    Esta matéria é transmitida pela TV Globo quase que diariamente, é uma orientação ao povo.

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