Levantamento aponta aumento da mortalidade materna no Rio

Levantamento aponta aumento da mortalidade materna no Rio

Um levantamento da Comissão de Saúde da Câmara dos Vereadores, com base nos números da Secretaria Municipal de Saúde, aponta um aumento na mortalidade materna no Rio. Em apenas sete meses o município já alcançou o número de mortes do ano passado inteiro.

As maiores vítimas são mulheres negras, pobres e moradoras da Zona Oeste. Veja a evolução dos números de mulheres que morreram na gravidez, parto ou logo após dar à luz:

  • em 2019: 62;
  • em 2020: 84;
  • em 2021: 83.

“Passaram-se cinco meses que minha esposa, Ana Carolina, veio falecer de Covid. Agora estou com o Nicolas aqui. Minha mãe está me ajudando muito nos cuidados com o recém-nascido. Não está sendo fácil, mas eles estão dando força para gente continuar lutando, conta Anderson Dias, que tem ainda outros dois filhos.

Covid influenciou nos números

A Covid teve influência no total de mortes. Das 84 mães que morreram em 2020, 38 foram vítimas do coronavírus. Em 2021, 47, das 83 mortes, foram provocadas por Covid. Mas muitas outras causas elevaram essa estatística.

“A mulher precisa fazer no mínimo sete consultas de pré-natal. O pré-natal tem que ter qualidade, ela tem que ter acesso aos exames, ela tem que ter informação a respeito disso”, diz o vereador Paulo Pinheiro, presidente da Comissão de Saúde.

A desigualdade social revelada nos dados da mortalidade materna chama atenção. É como se a capital fosse dividida não em áreas, mas em países diferentes.

Na Zona Sul, na Zona Norte e no Centro, números equivalentes aos da Bélgica e do Candá. Já em bairros da Zona Oeste, como Santa Cruz, Campo Grande e Bangu, a estatística é comparada à da Índia. Mulheres negras e pobres são as maiores vítimas da mortalidade materna.

“Não é possível que não tenha morrido nenhuma mulher – não era para morrer mesmo – na Zona Norte da cidade, na área AP2, e morreram em torno de 13 mulheres em Campo Grande no mesmo período. Por que isso? Porque claramente a vulnerabilidade dessas mulheres é muito grande. Quando você avalia quais foram as pessoas que morreram de parto”, diz Paulo Pinheiro.

Mais de dez grupos, coletivos e movimentos enviaram uma carta à Secretaria Municipal de Saúde cobrando soluções para a questão da falta de assistência à população de baixa renda, que resulta na mortalidade entre mães negras e pobres, da Zona Oeste.

A Secretaria de Saúde diz que está atenta ao aumento da mortalidade materna, mas que já é possível observar uma redução no número de casos com o avanço da vacinação contra Covid.

A secretaria diz ainda que não houve suspensão ou redução da atenção ao pré-natal, e que está aumentando o número de profissionais no Programa Saúde da Família.

Fonte: G1

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