Manifesto do Coletivo Antirracista da CTB Rio de Janeiro

Manifesto do Coletivo Antirracista da CTB Rio de Janeiro
Trabalhadoras Negras e Trabalhadores Negros pelo direito a Vida!
Manifesto do Coletivo Antirracista da CTB Rio de Janeiro

A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – Rio de Janeiro, entidade que representa o sindicalismo classista e a luta dos trabalhadores em nosso estado, vem se solidarizar, saudar e se mobilizar diante da efervescência do debate sobre o combate ao racismo.

Nossa Central sempre esteve na luta contra a opressão racial e contra a precarização das condições e relações de trabalho, entendendo o contexto histórico, político e econômico dessa representação da força de trabalho, que em sua maioria é a população preta.

Compreendemos que as profundas desigualdades no mundo do trabalho têm raiz o racismo estrutural no qual se fincam as estruturas do capitalismo. É em razão disso que, segundo o IBGE, trabalhadores brancos ocupam 68,6% dos cargos de chefia, mesmo com a população negra representando 55% do povo brasileiro. Esses dados refletem diretamente na renda: pretos e pardos ganham, em média, 42,5% a menos que os brancos para o desempenho da mesma função. As desigualdades se agravam ainda mais quando o recorte é específico sobre as mulheres pretas, que recebem menos da metade dos salários dos homens brancos (44,4%), que ocupam o topo da escala de remuneração no país. Mulheres pretas, em sua maioria chefes de família e muitas trabalhando na informalidade.

Condenados pelo capital a salários menores, o povo preto também tem mais dificuldade no acesso à saúde. Como maior parcela de usuários do SUS, em plena pandemia, lidamos com uma estrutura de saúde dizimada. Com mais de 97 mil infectados e quase 9 mil mortos, nosso Estado seuge sem secretário de saúde, nosso país sem um Ministro da Saúde e população largada a própria sorte.

Nosso direito à educação também foi cerceado em plena pandemia. Os negros e negras estão entre os que possuem menos acesso à internet, ficando à margem dos processos apontados como solução. Jovens negros e negras colocados à margem do processo de aprendizagem e colocados em mais desvantagem ainda na disputa pela sonhada vaga no ensino superior.

É preciso reagir!

Precisamos compreender que a questão racial tem um viés de classe, especialmente numa sociedade cujo capitalismo se ergueu com base no sistema escravista e que inclusão racial não se resume na admissão das pessoas negras nos quadros das empresas. É preciso admissão, acolhimento, capacitação e mais pretos e pretas em postos de chefia nas mais variadas funções e que os processos seletivos parem de ter na cor da pele um elemento definidor.

Precisamos reagir e por um fim ao genocídio do povo das favelas, em sua maioria pretos e pretas, vítimas de todas as formas de violência estatal que destrói famílias e promove desigualdades. Precisamos acabar com o racismo estrutural!

Não existe capitalismo sem racismo!

É por essas lutas que o coletivo antirracista da CTB-RJ surgiu com a consciência que para derrotar o racismo, precisamos derrotar também o capitalismo! O Racismo está no DNA do sistema capitalista desde sua formação e a escravização de milhares de negros e negras, foi ferramenta fundamental para o sistema permitir que povos brancos acumulassem riqueza por séculos ao custo da exploração do trabalho forçado de todo um povo.

Em nosso país, as raízes da desigualdade social têm a pele preta e a história manchada de sangue: o sangue dos escravizados, largados sem amparo do Estado, e marginalizado, instituindo o maior abismo social de todos os tempos.

No cotidiano da sociedade brasileira estão normalizadas frases e atitudes de cunho preconceituoso. São piadas que associam negros e indígenas a situações vexatórias, degradantes ou criminosas. Convivemos com atitudes baseadas em preconceitos e com julgamentos baseados na cor da pele. Isso tem que acabar!

A história de nosso povo é contada, de forma oficial, com heróis e líderes brancos e até a luta pela abolição é revestida com o verniz do embranquecimento. As religiões de matriz africana são perseguidas e tem seus terreiros violados. Os trabalhadores e trabalhadoras convivem com o desemprego, a fome, e a morte diariamente, não possibilitando qualquer perspectiva para a nossa juventude negra. Situação ainda pior no campo, onde as vozes se encontram mais distantes

Basta de violência policial! Basta de salários menores! Basta de silenciamento!

Nós, do Coletivo Antirracista da CTB Rio de Janeiro, através desse manifesto chamamos todas as trabalhadoras e todos os trabalhadores a se unirem na luta contra o fim da opressão racial, o fim da violência contra o povo preto e pela construção de uma sociedade mais igualitária, justa e fraterna e livre do racismo, sexismo e LGBTfobia!

Não existe democracia sem igualdade Racial

Coletivo Antirracista da CTB-RJ
CTB, a Luta é Pra Valer!

Leia também...

Deixe um comentário

Seu endereço de email não será publicado. Os campos obrigatórios estão marcados com *

Cancelar comentário