Mercadão de Madureira ganha título de bem imaterial do Rio

Mercadão de Madureira ganha título de bem imaterial do Rio

Prestes a se tornar um sessentão (a data redonda é em 2019), o Mercadão de Madureira — considerado o maior mercado popular da América Latina — recebeu mais um título. Uma lei sancionada por Francisco Dornelles, governador em exercício, declara o mercado como bem imaterial do Estado do Rio de Janeiro. Em 2013, o então prefeito Eduardo Paes decretou o local como Patrimônio Cultural da cidade. Para os comerciantes, entretanto, nada mudou. Sheila Reis, lojista e subsíndica, nem sabia do título recente:

— Fiquei surpresa, mas acho que nada vai mudar por aqui. É bom por ser um reconhecimento do valor do espaço — disse Sheila.

Fundado no dia 18 de dezembro de 1959 com a presença do então presidente Juscelino Kubitschek, recebeu o nome de Grande Mercado de Madureira, mas ficou popularmente conhecido como Mercadão de Madureira. No entanto, esse mundo de mercadorias variadas surgiu em 1914, como uma pequena feira livre e ficava onde é hoje a quadra do Império Serrano.

Durante todos esses anos, muitas mudanças aconteceram. Em 2000, um grande incêndio destruiu todas as lojas. Reconstruído e modernizado, o mercado teve o tamanho e número de lojas reduzidos. Há dez anos, uma outra transformação. Os chineses abriram inúmeras lojas no local mudando algumas características. Recentemente, os comerciantes passaram a enfrentar os efeitos da crise econômica. Segundo Sheila Reis, das 80 mil pessoas que circulavam pelo mercado, o número caiu para 60 mil.

— Vivemos de épocas do ano. Como por exemplo, o Natal, a volta às aulas, o carnaval. Nessas datas, o movimento melhora — explicou a subsíndica.

O Mercadão concentra 600 lojas e tem como marca a variedade de produtos vendidos. Alguns artigos tornam o lugar peculiar. Lá, concentra-se inúmeras lojas de artigos religiosos, principalmente de umbanda e candomblé. São corredores inteiros com estabelecimentos expondo imagens de orixás e roupas, onde as pessoas encontram todo tipo de material ou ingredientes para rituais.

Artigos religiosos e comércio polêmico de animais

A tradição na venda de artigos religiosos fez com que o Mercadão passasse a sediar uma grande festa em homenagem a Iemanjá. Depois do incêndio de 2000, comerciantes se uniram para agradecer ao orixá pela reconstrução do mercado. Um cortejo sai de Madureira e vai até o Posto 4 de praia de Copacabana, onde as oferendas são lançadas ao mar. Mas desde o ano passado, a prefeitura parou de apoiar a festa.

Mantém também um comércio que ainda causa muita polêmica: o de animais vivos para uso em rituais religiosos. Por causa disso, é constante palco de manifestações de ativistas. Lourdes Cardoso, que há 40 anos tem a Distribuidora Cabra Branca, disse que costuma sofrer represálias, mas defende-se:

— Temos licença da prefeitura para vender os animais. Sabemos que os animais depois de mortos são doados para instituições.

Moradora de Jacarepaguá, Morgana Morena foi comprar pombos brancos vivos. Segundo ela, os animais serão usados em ritual de candomblé.

— Só aqui encontramos esses animais vivos para comprar — disse Morgana, carregando as duas aves acomodadas em caixas.

Outro ponto bastante visitado é o pavilhão das ervas. Lá, além de plantas usadas para preparos medicinais, encontram-se temperos e as famosas garrafadas, com mistura de várias ervas. Segundo Maria de Fátima da Costa Barros, a garrafada é um “levanta moral” por ser um revigorante e estimulante sexual.

— Aqui tem ervas para curar qualquer doença — garantiu Maria de Fátima.

Fonte: Jornal Extra

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