Metalúrgicos de Volta Redonda seguem na luta por conquistas históricas da categoria

Metalúrgicos de Volta Redonda seguem na luta por conquistas históricas da categoria

A onda de retirada de direitos após o início das regras da Reforma Trabalhista segue avançando por todos os cantos trazendo grandes prejuízos para a classe trabalhadora. Empoderados pelas medidas do governo golpista, os empresários avançam para retirar até direitos históricos da classe trabalhadora, como aconteceu em Volta Redonda. Após votação apertada na assembleia, a histórica jornada de 6 horas na CSN foi derrubada, fazendo com que todos os trabalhadores da empresa adiram à jornada de 8h. A CTB Rio de Janeiro repudia a retirada desse direito e considera que a participação de trabalhadores que não exerciam a jornada de 6 horas na assembleia foi um equívoco que invalida a decisão e repudia todas as formas de pressão e chantagens feitas pela empresa ao longo do processo.

A polêmica votação aconteceu nesta quinta-feira, na Praça Juarez Antunes, no Centro da cidade, em meio à denúncias de uma ação forte de convenciento da empresa, passando dos limites e sendo até chamada de “chantagem” por alguns. Mesmo com todo o poder que tem em mãos e com as chantagens da empresa a votação foi apertada, 2.022 (55,6%) metalúrgicos disseram sim à proposta, que já havia sido rejeitada em três pleitos anteriores, contra 1.742, que optaram pelo não (44%). Nulos e brancos somaram 0,7%.

“Ignoraram o assassinato de colegas, que com sangue haviam conquistado o turno de seis horas. Mas lutamos o bom combate. A luta vai continuar”, disse Tarcísio Xavier em entrevista ao Jornal O Dia. Os membros da oposição acreditam que a votação foi feita de forma irregular em virtude da participação de trabalhadores que trabalhavam em funções que não eram beneficiários da jornada de 6h e está em busca dos meios cabíveis para garantir a volta do direito conquistado às custas do massacre de três operários da empresa (Willian, Walmir e Barroso) da empresa pelo Exército, durante a histórica greve de 1988.

Há quase 30 anos, os funcionários da CSN entraram em greve pela implementação do turno de seis horas, por melhores salários e contra a perseguição e demissão de lideranças sindicais. A greve ganhou muito apoio popular e, em 9 de novembro de 1988, soldados do Exército e do Batalhão de Choque da Polícia Militar do Rio de Janeiro invadiram a usina ocupada por trabalhadores. Na invasão, foram assassinados William Fernandes Leite, 22 anos, e Valmir Freitas Monteiro, 27 anos, com tiros de metralhadoras, e Carlos Augusto Barroso, 19, que teve o crânio esmagado. Mesmo após os assassinatos e várias prisões, os trabalhadores mantiveram o movimento vivo até o dia 23 de novembro, quando conquistaram os direitos que agora são usurpados.

Dentre os prejuízos que a categoria pode sofrer com as 2h a mais de jornada, a CTB Rio de Janeiro manifesta sua preocupação com as questões de saúde do trabalhador e da trabalhadora. A jornada exaustiva é algo que afeta diretamente a qualidade de vida e as condições de saúde do trabalhador e da trabalhadora. Algumas das funções envolvidas lidam com ambientes insalubres, com trabalho pesado e sentirão na pele e na qualidade de suas vidas a diferença da jornada. É simbólico que, logo após entrar em vigor a famigerada Reforma Trabalhista de Michel Temer e seus aliados, o povo brasileiro que luta há anos pela redução da jornada de trabalho veja o empresário fortalecido pelas novas leis avançando sobre a classe trabalhadora e revertendo um direito histórico dessa proporção.

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