Mônica Custódio – Maio: mês das mães, mês das noivas, mês da Abolição

Mônica Custódio – Maio: mês das mães, mês das noivas, mês da Abolição

Seria lindo, se não fosse trágico, no mês das mães, o ser de maior símbolo da vida, da solidariedade, do cuidar, da prosperidade, da continuidade. Ser mãe é para sempre, nesta e em qualquer outra vida, no tempo e no espaço. Em tempos de Covid-19, tudo isso parece virar poeira, você mãe, que é filha, irmã, companheira, amiga, nós estamos de pés e mão atadas, não podemos fazer nada. Está tudo nas mãos do Estado, Estado mínimo, em todos os níveis. Menos na sua função de controle social, onde a necropolítica é o Estado Forte. Essa é uma dor de todos nós, mais como somos nós negra e negros maioria nessa população, vivemos diante dessa impotência. E o que fica? Fica a tristeza, o choro a desolação daquela que teve que enterrar seu ente querido, que em números hoje 13 de maio de 2020, é de 12.400 mortes. Dialogando a partir do meu lugar de pertencimento, meu território. o Rio de Janeiro, presenciou ontem a partida de quem mal tinha chegado, um bebê de 8 meses apenas. Que mãe tem condição de suportar uma tragédia dessa?

Esse mês onde completamos uns 60 dias de “isolamento” (ponto nevrálgico), onde sensivelmente percebe-se uma estratificação socia econômica, por que, isolamento é para quem pode. Percebe-se também um outro elemento de dor e disfunção hormonal, emocional, social e histórico, fortalecendo na contra mão da história da emancipação, uma cultura, um modo que é a violência contra a mulher, que cresce absurdamente em tempos de confinamento, chegando à marca de quase 50% de acordo com Instituto Maria da Penha. Pelas informações da Comissão Mista do Senado, em SP o crescimento é da ordem dos 30%, e no RJ o absurdo é de 50%. E um exemplo dessa brutalidade é que a PM (Polícia Militar) do Rio, puniu com pena leve o Cabo reincidente em violência doméstica flagrado em vídeo em um novo caso de gravíssima violência. A luta contra a violência doméstica definitivamente é parte essencial nessa guerra contra o patriarcado, é onde pode se materializar o golpe final. Essas mulheres estão no primeiro pelotão, são a ponta de lança, a resistência. E essa é a mãe de todas as batalhas.

Como manter o “sonho” de casar-se, ser mãe, constituir família em uma sociedade que na sua característica predominante despreza, desqualifica e desumaniza esse ato tão simbólico e tenaz?!

Como manter corpo e mente sã diante de um desgoverno, um genocida, um meliante, um lesa-pátria, um extremista, vulgar, sociopata, nazista.

Que análise podemos fazer diante desse 13 de maio de 2020. Seria o início do fim de todos os tempos da política tradicional? Esquerda, Direita, Centro? Seria o tempo de presteza e de buscar entre o certo e o justo um novo caminho? Seria essa uma forma de reparação política, histórica socioeconômica e cultural dessa estratificação de gênero, raça e classe, que foi, e é cimento humano na constituição dessa pirâmide econômica e social, que ressignifica um Ser, a partir do que se pode vestir, morar ou acessar.

Que tipo de resistência podemos oferecer para além de manter viva a solidariedade e a fraternidade? Que tipo de luta podemos fazer para além de nos mantermos vivos? O que podemos produzir para além do consumo? Que tipo de humanos conseguiremos ser, diante a perda da ternura?

13 de maio, dia dos Pretos Velhos (Salve!), dia da Abolição, dia Nacional de Denúncia Contra o Racismo. Neste dia de tanto simbolismo, quero parafrasear uma ação da UNEGRO, é hora de darmos “Um Passo Adiante”.

Um Passo Adiante, é ter a justeza de uma ação conjunta pela vida,  já que todas as vidas importam,  é termos de certo,  o entendimento que a luta macro política, macro econômica contra o capitalismo, está nessas vertentes, nestas estratificações, reconhecidas pelo movimento social, mais não compreendida pelas organizações partidárias,  que acabam preferindo rotular as novas formas de luta e resistência de pós- modernismo e ou identitário, de uma maneira desqualificante, demostrando um nível enorme de confusão ou falta de vontade pelo conhecimento do fato. De toda forma, forma o que temos pra hoje é uma frente tripla de batalha que tem na sua composição o Estado  mínimo (de relação estratificada, e estrutural),  o Governo nas suas três esferas (exercendo a Biopolítica), de costas para o povo, e a COVID-19 (exercendo a Necropolítica), reduzindo a população executando a supremacia da seleção natural.

Nas últimas duas semanas segundo o Portal Geledés o número de negros mortos por Corona vírus é cinco vezes maior no Brasil. Seriam esses dados resquícios da “Abolição” lenta, gradual e segura? Seria a materialidade do racismo estrutural?

Esses índices evidenciam as ainda mais as desigualdades raciais em nosso país. A estrutura perversa se evidencia nos índices sociais, econômicos e de acesso à saúde é o principal fator que explica as diferenças nas taxas de letalidade e infecção. Essa realidade está exposta nas comunidades/favelas do Rio, São Paulo e grandes Metrópoles, onde a perspectiva de redução da letalidade pela infecção é nenhuma, faltam até a água e o sabão.

Neste caso, é mãos a massa, e é isso que temos feito e visto:  a resistência, a solidariedade, o compromisso e companheirismo, o humanismo, a beleza de ser solar travando batalhas cotidianas nessa guerra interminável contra as trevas do Governo Federal/ bolsonarismo, e o neofascismo.

FORA BOLSONARO!

VIDAS PREYAS IMPORTAM!

SALVE OS PRETOS VELHOS E AS 13 ALMAS SANTAS E BENDITAS!

Leia também...

Deixe um comentário

Seu endereço de email não será publicado. Os campos obrigatórios estão marcados com *

Cancelar comentário