Nota do MAB sobre a crise hídrica no Rio de Janeiro

Nota do MAB sobre a crise hídrica no Rio de Janeiro

O Movimento dos Atingidos por Barragens vem a público manifestar opinião sobre a crise de abastecimento que a população do Rio de Janeiro tem sofrido. Para nós, essa situação é resultado de anos de sucateamento, precarização e cortes nas políticas públicas de abastecimento de água e saneamento. Sabemos que o que está por trás desse sucateamento é a disposição do atual governo do estado em levar a cabo a privatização da Cedae, que certamente ocasionará o aumento das tarifas e restringirá o acesso da população pobre ao serviço de saneamento básico, justamente o que ocorreu com a privatização do setor elétrico.

Cabe lembrar que o atual presidente da Cedae, Hélio Cabral, foi membro do conselho diretor da mineradora Samarco, responsável pelo maior crime ambiental do nosso país com o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, Minas Gerais. Para nós, atingidos por barragens, a conduta do atual presidente na gestão da Cedae é coerente com o seu passado. Cabral foi denunciado pelo Ministério Público Federal e indiciado. Ele era suspeito de ter conhecimento do risco de rompimento da barragem de rejeitos e não tomar providências para evitar a tragédia que matou 19 pessoas e contaminou todo o rio Doce.

No Rio de Janeiro as condições hídricas são bastante frágeis e a progressiva omissão do estado no sentido de propor saídas efetivamente adequadas para essa situação crônica tem criado um ambiente ainda mais precário e imprevisível para o atual momento e para o futuro próximo.

Por isso, defendemos a importância da manutenção da Cedae estatal e pública, com investimentos em recuperação de mananciais, saneamento e sistemas de distribuição. Para tanto, faz-se fundamental retornar os investimentos, a recomposição de quadros e a integração de toda a comunidade para que possamos sim tratar deste tema de forma séria e definitiva.

23 de janeiro de 2020

Coordenação Estadual do MAB

Águas para a vida. Não para a morte!
Água e energia não são mercadorias!

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