O MEIO AMBIENTE E O PREDATÓRIO MODO DE PRODUÇÃO CAPITALISTA

O MEIO AMBIENTE E O PREDATÓRIO MODO DE PRODUÇÃO CAPITALISTA

O indiscriminado uso dos recursos naturais levou ao mundo à dilemas ambientais de proporções gigantescas. Com foco nos lucros imediatos, a exploração capitalista se move por uma lógica incompatível com o tempo de recuperação da natureza. O resultado disso é a contaminação do solo, do ar e da água, a devastação das florestas, o aumento da temperatura do planeta e o esgotamento dos recursos necessários à sobrevivência humana.

No passado, a questão ambiental tratava, sobretudo, do risco da extinção de certas espécies da flora e da fauna. A constatação do aquecimento global colocou na ordem-do-dia a discussão sobre o futuro da humanidade, trazendo à tona a crise ambiental que enfrentamos. O meio ambiente deixou de ser um assunto somente de especialistas, para interessar a governos, partidos e a entidades sociais numa discussão que perpassa o conjunto da sociedade.

Segundo o conselheiro de Saúde e Meio Ambiente da Organização Mundial da Saúde, Alexander Von Hildebrand, “é necessário a mudança do estilo de vida ocidental para reduzir as emissões de gases poluentes que provocam a mudança climática”. O doutor em Meio Ambiente e Desenvolvimento pela UFPR Guillermo Foladori, por sua vez, identifica no capitalismo a responsabilidade principal pela crise ambiental, afirmando que “enquanto a produção pré-capitalista de valores de uso tem o seu limite na satisfação das necessidades, a produção mercantil para incrementar o lucro não tem limite algum. O lucro e a concorrência conduzem a um ritmo de utilização de matérias-primas e geração de detritos nunca visto na história da humanidade”.

No sistema capitalista as parcelas da natureza apropriadas são colocadas em função do lucro e da competitividade. Por esta lógica se explora ao máximo não somente os trabalhadores, mas também os recursos naturais. Marx e Engels expressaram concepções bastante avançadas sobre a relação entre o homem e a natureza. Defenderam a idéia de que o homem é parte da natureza e que há uma metamorfose na relação entre o homem e a natureza em que este transforma a natureza e por ela é transformado. Eles ressaltaram o papel do sistema capitalista na exploração da força de trabalho e na degradação da natureza.

Outro grave ataque ao meio ambiente feito pelo capitalismo se dá através das guerras, embargos econômicos e outras sanções que as potências capitalistas acabam impondo, por práticas imperialistas, à nações com menor poderio econômico fazendo com que as mesmas limitem seu potencial de melhora da vida da população e da própria relação com o meio-ambiente. Durante a Conferência Sindical Internacional da Federação Sindical Mundial (FSM) em Bruxelas, o Presidente da CTB, Adílson Araújo, denunciou em seu discurso as manobras imperialistas, conclamando as forças sindicais e anticapitalistas a unificar a classe trabalhadora contra a ofensiva imperialista. Nas palavras do presidente nacional da CTB:

– A radicalização da luta de classes, entrelaçada com as guerras e conflitos políticos internacionais promovidos pelo imperialismo (na Ucrânia, no Oriente Médio, no Mar da China e na América Latina), é o desdobramento natural da crise econômica e geopolítica (crise de hegemonia) que perturba o mundo pelo menos desde o final de 2007. Nós temos a obrigação e o desafio de unificar a classe trabalhadora, esclarecer e conscientizar as bases sindicais sobre o que está acontecendo, desnudando os objetivos imperialistas dos EUA e UE, e mobilizar amplas massas para fazer frente às forças conservadoras, condenar as sanções e as guerras, defender uma nova ordem mundial, o direito à autodeterminação das nações, a solução pacífica das divergências internacionais, a paz e a Justiça Social.

A luta pelo socialismo e o próprio sindicalismo classista precisam incorporar bandeiras da luta contemporânea como a questão de gênero, a luta contra a discriminação racial e a luta em defesa do meio ambiente. A construção de uma nova sociedade, com valorização do trabalhador passa também por uma nova lógica de utilização dos recursos naturais e de respeito à figura humana. A privatização de recursos naturais como a água, por exemplo, deve ser combatida com afinco pelos movimentos sociais.

Nesse dia internacional do meio ambiente, a CTB-RJ conclama a toda sua base social para refletir sobre a necessidade de se vencer a lógica predatória capitalista não apenas nas relações de trabalho, mas na relação do ser humano com o próprio mundo que o cerca.

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