Paulo Sérgio Farias: Privatizar a Eletrobrás e a Casa da Moeda é ferir a soberania nacional!

Paulo Sérgio Farias: Privatizar a Eletrobrás e a Casa da Moeda é ferir a soberania nacional!

Desde o lançamento do PPI (Plano de Parcerias e Investimentos) no ano passado, o governo ilegítimo de Michel Temer deixou claro seu caráter antinacional e sua agenda de desmonte. Alçado ao poder por vias não democráticas, Temer assumiu com a missão de destruir todos os avanços dos últimos 13 anos de governos progressistas.

Nesse contexto Temer aprovou a PEC do Teto dos Gastos, que impede por décadas que se aumente investimento em áreas estratégicas do País, buscou a ampliação das terceirizações e aprovou uma reforma trabalhista que acaba com os direitos consagrados na CLT, tenta aprovar uma reforma da previdência que acaba com o direito da aposentadoria e age de forma incisiva para deslocar o país da posição soberana que ocupava para um papel submisso nas relações internacionais.

Como parte do projeto de desnacionalizar nossa economia e nos relegar ao papel de exportador de commodities, o governo acabou com a política de conteúdo nacional, abriu as portas da exploração do nosso petróleo para as empresas estrangeiras. Esse processo tem com orientador o PPI, que é, na prática, a versão atualizada do “Programa Nacional de Desestatização” do também entreguista Fernando Henrique Cardoso. Um plano que chega, agora, à usa nova fase através do retorno da agenda de privatizações. Uma agenda que avança contra setores estratégicos querendo aniquilar a soberania nacional com a privatização de setores como a água e o saneamento, aqui no Rio de Janeiro com a tentativa de privatização da CEDAE; como a soberania energética, com o anúncio da privatização da Eletrobrás e; até mesmo, como a emissão de papel moeda com a privatização da Casa da Moeda.

Assim, vivemos um quadro onde um presidente sem a legitimidade do voto popular decide por implementar a agenda que é tão repudiada pelo eleitor brasileiro que nenhum candidato sequer teve coragem de defendê-la nas últimas eleições. Os argumentos são os de sempre: redução na tarifa de energia, o que a privatização da Light e da Ampla no Rio de Janeiro provaram ser uma falácia; desenvolvimento e tecnologia, facilmente desmentido pela nossa telefonia que, mesmo privatizada, nos presta um serviço que é campeão de crítica por parte dos consumidores. As comparações com a Vale e a Embraer beiram o absurdo já que nenhuma das duas atua em um ramo tão estratégico no país.

E, por ser um setor estratégico esse ataque é bizarro. Não é apenas um ataque econômico que vai entregar nosso patrimônio ao capital internacional, mas também um ataque à nossa soberania. Em países como os Estados Unidos, a geração de energia é um monopólio estatal pois é fundamental para garantir o desenvolvimento e a soberania da nação. O valor que se espera arrecadar com a venda (R$ 20 bilhões) equivale a menos da metade da usina de Belo Monte. A Eletrobrás tem 47 usinas hidroelétricas, 114 térmicas e 69 eólicas, com capacidade de 47.000 MW, o que a faz provavelmente a maior geradora de energia elétrica do planeta. É uma empresa tão estratégica quanto a Petrobras e não pode ser entregue à sanha privatista do governo Temer.

Fundada em 1953, a Eletrobrás já tem em seu patrimônio mais de R$ 400 bilhões do povo brasileiro nos mais diversos investimentos. Ela faz parte de um projeto construído por especialistas da Cemig e que já sofrera um desmonte durante o governo FHC. Desmonte, cuja principal consequência foi o encarecimento brutal das tarifas, que acabou com a competitividade brasileira em vários setores eletro intensivos, limitando o desenvolvimento da indústria nacional e nos colocando na condição de exportador de commodities e importador de produtos industrializados. Os governos Lula e Dilma tentaram reverter esse quadro com políticas de estímulo à indústria nacional. Não podemos deixar que o entreguismo da aliança Temer-PSDB coloque tudo a perder novamente. A saída para a crise não passa pela venda do patrimônio nacional, mas sim por uma política econômica de estímulo ao desenvolvimento, à geração de emprego e que privilegie o setor produtivo em detrimento do capital financeiro.

O povo trabalhador do Brasil vai resistir a esse projeto. Michel Temer e seus aliados não terão um dia de descanso enquanto não devolverem o poder às mãos do povo, com a realização de eleições diretas. Nós, da CTB, estaremos nas ruas, junto de outros movimentos sociais, partidos políticos e trabalhadores e trabalhadoras de todo o país. Unidos, mostraremos a força da classe trabalhadora e iremos barrar essa agenda entreguista de privatizações.

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2 Comentários

  • Fábio Barbosa
    1 de setembro de 2017 , 01:55

    Sou empregado da Casa da Moeda, estudei muito para entrar lá. É inadmissível perder o emprego por uma “canetada” de políticos corruptos, sem falar da perda que toda a sociedade brasileira sofrerá com privatizações.

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  • Fábio Barbosa
    1 de setembro de 2017 , 01:56

    Haverá muita resistência, já está havendo.

    RESPOSTA