Presidente da CTB-RJ comenta Resolução da Direção Nacional

Presidente da CTB-RJ comenta Resolução da Direção Nacional

Com exclusividade ao Portal CTB-RJ, o Presidente da CTB Rio de Janeiro, Paulo Sérgio Farias, comentou a resolução da Direção Nacional da CTB-RJ. Paulo Sérgio valorizou a assertividade da nota, e elegeu as lutas prioritárias para 2021. O Cetebista fez duras críticas aos índices atuais de desemprego no País e lembrou o aumento considerável de moradores em situação de rua desde o famigerado golpe de 2016.

“O rebatimento da crise que se instalou no país aqui no Estado do Rio de Janeiro aprofundou mais ainda as injustiças sociais. Sob as marquises dos edifícios nos centros urbanos mais famílias foram morar, mais desempregados entraram nas estatísticas oficiais e aumentou o número de desalentados. A consequência das mudanças na legislação trabalhista aumentou a precarização e a uberizacao. A pandemia aumentou mais ainda estas injustiças no Estado.” – afirmou Paulo Sérgio.

O Presidente da CTB-RJ também falou sobre a situação vivida no País, duramente afetado pela Pandemia do novo coronavírus em virtude das decisões erradas tomadas especialmente pelo Governo Federal e seus aliados, como o Prefeito da Capital em fim de mandato e o atual Governador do Rio de Janeiro.

“São mais de 23 mil e outros milhares de infectados pelo novo coronavírus. E a maioria desses mortos são trabalhadores e trabalhadoras da linha de frente do enfrentamento a pandemia, os trabalhadores das categorias essenciais. Para piorar a situação, tanto os governo estadual quanto a maioria dos prefeitos do Rio de Janeiro atuaram de forma extremamente ineficaz no tratamento dessa crise sanitária além de negar as orientações da autoridades médicas e do MPT.” – afirmou

Paulo Sérgio também fez duras críticas à agenda privatista, que volta a assombrar o povo brasileiro e, em especial aos esforços do Governo Fluminense para privatizar a CEDAE:

” O estado, que vive uma grave crise estrutural da economia, com vários segmentos praticamente falidos como é o caso do setor naval. Para piorar o governo quer tocar a qualquer custo a pauta privatista, desmontar o estado e piorar a situação do estado. Privatizar a Cedae é uma decisão que só vai aumentar as injustiças sociais porque a possibilidade das camadas mais desfavorecidas serem as maiores prejudicadas além das demissões de milhares de trabalhadores. A CTB RJ se solidariza com as famílias de todos os mortos pela Covid-19 e conclama a luta em defesa da vacina já, manter a resistência contra os ataques aos direitos da classe trabalhadora e fundamentalmente, a defesa da soberania brasileira sobre nossas riquezas. Não a privatização da Cedae.

Leia, abaixo, a Resolução da Direção Nacional da CTB

Em defesa da vida e do povo, CTB exige Vacinação Já!

Em sua última reunião no ano de 2020, realizada nos dias 17 e 18 de dezembro, a Direção Nacional da CTB celebrou os 13 anos da Central, fundada em 12 de dezembro de 2007, e aprovou a seguinte resolução política:

1- O Brasil chega ao final de 2020 castigado pela covid-19, o desemprego em massa e um governo irresponsável, negacionista e corrupto, que se comporta como um autêntico genocida. A doença ceifou a vida de 183.822 mil brasileiros e brasileiras até o dia 16 de dezembro. O número de óbitos voltou a crescer e as secretarias estaduais de saúde registraram no dia 16 de dezembro 968 mortes em 24 horas pela covid-19 sem contar SP. Significa que o país voltou ao patamar de mais de 1 mil mortes por dia. Mais de 7 milhões de pessoas já foram infectadas.

2- A tragédia sanitária não é uma fatalidade do destino, mas o resultado inevitável da inação e do negacionismo do presidente Jair Bolsonaro, razão pela qual ele foi denunciado pela ABJD (Associação Brasileira de Juristas pela Democracia) no TPI (Tribunal Penal Internacional) por crime contra a humanidade e sua política foi classificada de homicida pela Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro. Não por acaso o Brasil hoje ocupa a segunda posição no ranking dos países com mais óbitos por covid, atrás dos EUA e à frente da Índia. Os três campeões são governados por líderes da extrema direita que negligenciaram a letalidade da doença.

3- Refletindo o avanço e as conquistas da ciência, associada à concentração de esforços e recursos para combater o mal, vacinas foram desenvolvidas e testadas em tempo recorde, demonstraram notável eficácia e já estão sendo aplicadas na China, nos EUA, na Rússia e Inglaterra. Muitas outras nações, entre elas a vizinha Argentina, já compraram a vacina e devem iniciar sua aplicação ainda neste mês.

4- Em contraste, o Brasil não tem sequer um plano e uma logística de imunização. Jair Bolsonaro estimula a propagação de Fake News contra a vacina, abriu uma guerra bizarra contra governadores e faz de tudo que está ao seu alcance para sabotar a imunização, inclusive exigir a assinatura de um termo de responsabilidade de quem vai ser vacinado. Corremos o risco de ficar no fim da fila da vacinação e o preço será pago em vidas humanas.

5- A conduta insana do líder da extrema direita brasileira desperta forte indignação em amplos setores da sociedade brasileira, que se mobilizam em todo o território nacional para exigir Vacinação Já!

6- A classe trabalhadora é a principal vítima da pandemia, à qual ficou mais exposta e vulnerável, assim como do desemprego em massa e da queda ou mesmo perda total da renda. Por esta razão, a Direção Nacional da CTB orienta dirigentes e militantes classistas a ocuparem a linha de frente das batalhas pela vacinação imediata, prorrogação do auxílio emergencial e um plano de combate ao desemprego ancorado nos investimentos públicos.

7- A pandemia evidenciou a importância do Sistema Único de Saúde (SUS) e da luta popular pelo seu fortalecimento.

8- De mãos dadas com a crise sanitária caminha a depressão das economias e, em seu rastro, a devastação dos mercados de trabalho. Centenas de milhões de empregos foram destruídos no mundo.

9- No Brasil a taxa de desocupação aberta do IBGE subiu a 14,4%, batendo novo recorde histórico. Mais da metade da população em idade ativa não tem ocupação, o que traduz um desperdício colossal de forças produtivas e um sofrimento imensurável das camadas mais pobres e vulneráveis da nossa classe trabalhadora.

10- A aprovação do auxílio emergencial no Congresso amenizou a situação social e impediu um mergulho mais profundo da economia na recessão, mas teve seu valor reduzido à metade pelo governo e sua vigência expira neste mês. Em aliança com as outras centrais, a CTB luta pela prorrogação do benefício enquanto perdurar a pandemia e o desemprego em massa, bem como pelo resgate do valor original de R$ 600,00.

11- Em meio às adversidades e à crise é preciso destacar algumas notícias positivas, como a vitória do MAS na Bolívia, a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte exclusiva e com composição paritária de gênero no Chile, a derrota do republicano Donald Trump nos EUA a aprovação de um imposto extraordinário sobre grandes fortunas na Argentina, a vitória eleitoral das forças progressistas na Venezuela e Uruguai.

12- Este conjunto de acontecimentos sinaliza o enfraquecimento da onda conservadora que invadiu o continente americano nos últimos anos e uma mudança na direção dos ventos políticos. Atesta também a falência do neoliberalismo, que só produz miséria social e estagnação econômica.

13- No Brasil, em meio ao turbilhão de notícias ruins é preciso ressaltar a vitória na aprovação e regulamentação do Fundeb e a derrota no Senado das manobras de políticos privatistas e bolsonaristas para desviar recursos do fundo para escolas privadas, igrejas e o Sistema S.

14- A conjuntura internacional também foi marcada pelo acirramento do conflito entre EUA e China pela liderança econômica e geopolítica do mundo, duelo destinado a ter um papel determinante nos movimentos da diplomacia internacional ao longo das próximas décadas.

15- As eleições realizadas em 15 e 29 de novembro (segundo turno) revelaram o esvaziamento da bolha bolsonarista que, em 2018, resultou na eleição de vários governadores e parlamentares, além do próprio presidente, com uma massa apreciável de votos para candidatos da extrema direita. A maioria dos candidatos apoiados diretamente por Bolsonaro foi derrotada no pleito, que por outro lado resultou num expressivo avanço do DEM e outras legendas de direita e centro-direita abrigadas no chamado Centrão.

16- A derrota dos candidatos de Bolsonaro reflete o descontentamento popular com o rumo obscurantista e reacionário do governo, que se verifica especialmente nas regiões metropolitanas e no seio da juventude.

17- Outro fato notável do pleito, que merece reflexão mais aprofundada, foi o nível recorde de abstenção que em média alcançou 29,5% do eleitorado no segundo turno. Embora influenciado pela pandemia do coronavírus, o fenômeno reflete o desalento e a despolitização massiva no seio do povo brasileiro, além da forte presença e participação da milícia no processo eleitoral em muitos municípios, principalmente cariocas.

18- Embora desgastado, Bolsonaro e o bolsonarismo ainda contam com uma base política e social apreciável e que não deve ser subestimada. Além disto, o capitão reformado fez uma repactuação com o Centrão e agora entrou na disputa pela Presidência da Câmara Federal. É preciso observar ainda que a política de restauração neoliberal está em sintonia com os interesses das classes dominantes e tem amplo respaldo no seio da grande burguesia nacional e estrangeira.

19- O governo persiste na política de Estado mínimo, fundada na contenção dos investimentos públicos, privatizações e entrega do patrimônio do povo aos grandes capitalistas, sobretudo estrangeiros. Ataca o funcionalismo e os serviços públicos com sua proposta de reforma administrativa. Quer impor a chamada carteira verde e amarela, permitindo contratação à margem da CLT.

20- Em unidade com as outras centrais, os movimentos sociais e as forças progressistas a CTB defende uma política econômica oposta ao neoliberalismo e que supõe a revogação da EC 95 e o fim do nefasto congelamento dos dispêndios públicos; o aumento substancial dos investimentos públicos em infraestrutura, saúde, educação, ciência e habitação; a ampliação do crédito e do apoio aos pequenos empreendedores e aos agricultores familiares; auditoria da dívida pública e uma reforma tributária progressiva com redução da participação dos impostos indiretos na carga, aumento progressivo das alíquotas do imposto sobre herança e taxação das grandes fortunas e das remessas ao exterior de lucros e dividendos, correção da tabela e mudança das alíquotas do IRPF.

21- Sem a ampla mobilização da classe trabalhadora e do conjunto das forças democráticas e populares não será possível evitar novos retrocessos. Devemos intensificar as lutas em defesa dos interesses e direitos da classe trabalhadora, do patrimônio público e contra as privatizações e a reforma administrativa de Paulo Guedes, acumulando forças para derrotar Bolsonaro e abrir caminho para um novo projeto de desenvolvimento nacional, com democracia, soberania e valorização do trabalho.

22- A Direção Executiva da CTB deseja um final de ano feliz para as lideranças classistas e o conjunto da classe trabalhadora brasileira ao mesmo tempo em que reitera a necessidade de intensificar a resistência e a luta contra o retrocesso.

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