Reflexos do golpe: banqueiros cada vez mais ricos e povo cada vez mais pobre

Reflexos do golpe: banqueiros cada vez mais ricos e povo cada vez mais pobre

*Por Paulo Sérgio Farias

O golpe de 2016 é um marco de virada de agenda na história recente do Brasil. Uma mudança de agenda extremamente nociva à classe trabalhadora. Além da ruptura na ordem democrática, o golpe, apoiado por diversos setores da direita, colocou o Brasil novamente no caminho do neoliberalismo, retomando uma agenda sucessivas vezes derrotadas nas urnas e colocando as políticas públicas do governo com foco na ampliação das riquezas dos segmentos mais ricos de nossa sociedade.

Hoje, às vésperas de completarmos quatro anos de golpe, já é possível ver o grande dano que este provocou ao Brasil. O desemprego atinge índices alarmantes, a indústria segue definhando e nosso país voltou a figurar no vergonhoso mapa da fome. Enquanto isso ocorre, os rentistas, seguem com lucros absurdos, oriundos de um governo que favorece quem especula e não quem produz. O discurso de “menos direitos e mais empregos” se revela, cada vez mais, como apenas um discurso por menos direitos. Empregos prometidos com as famigeradas reformas trabalhista e previdenciária nunca aconteceram. E, com a malfadada EC 95 (teto dos gastos), os investimentos no que é público minguam ano a ano. Somente em 2019, R$ 9 bilhões deixaram de ser investidos na saúde pública por conta dessa emenda.

Mas nem para todos a situação é ruim. As 5 maiores instituições financeiras do país (3 privadas e duas estatais) tiveram alta de 30,3% nos ganhos em 2019 em comparação com 2018. No ano passado, o rendimento dos bancos chegou ao total de R$ 108,019 milhões frente a R$ 82,902 milhões do ano anterior. O Itaú foi o que teve o lucro nominal mais robusto: R$ 28,4 bilhões. Mas foi da Caixa o maior aumento percentual: 103,4%.

Quem pensa que o lucro dos bancos poderia significar mais empregos, está redondamente enganado. Apesar do lucro, em 2019, os bancos fecharam 898 agências e demitiram 12.483 funcionários. Ou seja, aqueles que nada produzem e vivem de renda, apresentam lucros milionários e engrossam os índices de desemprego no país. Hoje, pelos dados oficiais do PNAD, mais de 11 milhões de pessoas encontram-se desempregadas em todo território nacional.

Esses números podem ser facilmente vistos pelo aumento crescente da população de rua nas grandes capitais. No Rio de Janeiro, estima-se que 4,6 mil pessoas vivam nessa situação. Um índice que aponta um crescimento de 50% nesse número nos últimos anos. A Prefeitura, por sua vez, só consegue abrigar 2,3 mil pessoas em abrigos públicos, fato que deixa milhares de homens e mulheres morando nas ruas, dormindo embaixo de marquises e sem a dignidade mínima que todo cidadão deveria ter para viver.

O crescimento da população de rua em contraste ao aumento do lucro dos bancos é a imagem perfeita do que representa o golpe que recolocou nosso país no rumo do neoliberalismo. Cada vez mais, especuladores lucram com a miséria de nosso povo. E querem lucrar ainda mais. A nova pauta da vez do governo é a Reforma Tributária, que, ao invés de taxar grandes fortunas e os ganhos do capital, mais uma vez aponta para o favorecimento dos especuladores, com o falso discurso da criação de empregos e aumento dos benefícios para os setores rentistas.

É preciso reagir! Reverter todo esse processo é uma tarefa árdua que só poderá ser realizada com a unidade dos setores progressistas e democráticos em torno de uma agenda que coloque novamente o povo no centro das políticas públicas do país.

*Paulo Sérgio Farias é Presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – Rio de Janeiro

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