Respeita Paquetá: Moradores da ilha lutam contra mudança nos horários das barcas

Respeita Paquetá: Moradores da ilha lutam contra mudança nos horários das barcas

Moradores da Ilha de Paquetá estão em luta contra o péssimo serviço prestado pela CCR Barcas – empresa que detém o monopólio de transporte entre o continente e a ilha que abriga cerca de 4.500 moradores, segundo dados oficiais da Prefeitura do Município do Rio de Janeiro. A luta tem como motivo mudanças anunciadas nos horários das embarcações que são o único meio de chegar ou sair do bairro. O Presidente da CTB-RJ, Paulo Sérgio Farias, declarou seu apoio à luta desses trabalhadores.

“A mudança de horários das barcas que servem a população de Paquetá e Cocota na Ilha do Governador revelam a perversidade das privatizações no Estado do Rio de Janeiro. As melhorias prometidas não ocorreram. Pelo contrário, subiram enormemente as tarifas e a qualidade do serviço piorou. E a população fica no prejuízo porque tanto o executivo quanto a maioria do legislativo e judiciário se unem para garantir os negócios da concessionária. A CTB se associa ao movimento Respeita Paquetá para exigir respeito aos direitos do povo e a imediata revogação da grade aprovada.” – declarou.

Desde o anúncio da medida, os moradores – organizados no movimento “Respeita Paquetá” já promoveram atos na ALERJ, no Tribunal de Justiça e até mesmo na Praça XV, para onde convidaram o governador para um café da manhã.

Em meio às reações da população, o governador Wilson Witzel chegou a afirmar que os horários iriam ser mantidos, mas na prática isso foi apeans mais uma mentira do mandatário estadual. A administradora do serviço desmentiu a informação dada pelo Governo do Estado e, segundo moradores, os prejuízos são enormes.

O novo cronograma ignora o direito constitucional de ir e vir e deixa os moradores da ilha com 7 viagens a menos durante os dias úteis e 11 a menos nos fins de semana. O tempo médio de travessia é de 70 a 80 minutos. Quem não conseguir, por exemplo, pegar na Praça 15 a barca das 7h, só poderá viajar às 10h. Quem perder essa, só às 13h. Quem não voltar às 14h só poderá voltar às 18h.

A CCR Barcas, por sua vez, alega que a alteração na grade visa reverter um prejuízo de R$ 7 milhões no serviço. A questão é: quem arca com os prejuízos de moradores que só tem acesso ao continente através do transporte aquaviário?

Desembargador reconhece prejuízos

Com horários alterados desde o último dia 25, os moradores de Paquetá tiveram a primeira vitória parcial na noite de ontem (4). Em despacho assinado pelo Desembargdor Lindolpho Morais Marinho, da 16ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do RJ, o tribunal reconheceu o grave cerceamento do direito de ir e vir que atinge os moradores da região.

“ A Ilha de Paquetá, como sabido, não é servida por outro modal, a não ser as barcas. Essa situação, diferente da dos demais, torna desproporcional, a princípio, a grade ora estabelecida.” – diz, o Desembargador em seu despacho.

O documento exige que tanto a CCR, quanto o Governo do Estado se manifestem sobre o tema em até 24 horas. Uma decisão oficial sobre o tema ainda não foi tomada.

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