Rio de Janeiro registra marca de 1 mulher agredida a cada 15 minutos

Rio de Janeiro registra marca de 1 mulher agredida a cada 15 minutos

Apesar dos avanços, a violência contra a mulher continua com índices assustadores no Rio de Janeiro. Segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) publicados pelo Jornal Extra, uma mulher foi agredida a cada 15 minutos, em média, no ano passado, em nosso Estado. A Lei de Acesso à Informação informa que, de janeiro a dezembro, foram registrados 39.646 casos de lesão corporal dolosa e lesão seguida de morte tendo como alvo as mulheres. Na maioria das vezes, o crime é cometido dentro de casa pelo próprio companheiro.

“Esses números denunciam a grave situação que vivem as mulheres no Rio de Janeiro. Um problema que é enorme em nosso estado, mas que não é muito diferente no nosso país. Enquanto os setores conservadores e fascistas tentam negar a gravidade dos atos de violência, uma mulher a cada 15 minutos é vítima desse mal no Rio de Janeiro. Nós, mulheres emancipadas pelo sindicalismo classista da CTB, estamos unidas nessa batalha para enfrentar todas as formas de violência e construir uma nova cultura onde o machismo e a misoginia sejam eliminados da nossa sociedade.” – afirmou Kátia Branco, Secretária da Mulher Trabalhadora da CTB RJ.

Apesar do elevado número de notificações, a quantidade real de casos pode ser ainda maior, segundo especialista pois, mesmo com a Lei Maria da Penha, a subnotificação ainda é um desafio no combate à violência contra a mulher.

Mesmo com a queda nos números apresentados pelo ISP, a situação é de alerta. Em 2014, foram 56.039 — 30% a mais do que no ano passado. A trajetória decrescente, que aparentemente cria a ilusão de que estamos melhorando nesse tema, pode ser um reflexo do sucateamento de políticas públicas para mulheres. Desde o golpe contra a ex-presidenta Dilma Rousseff, os setores reacionários que assumiram o poder, liderados por Michel Temer e seus aliados do PMDB e do PSDB, reduziram drasticamente as verbas destinadas, pelo governo federal, para ações destinadas ao combate à violência contra a mulher.

“É impossível não reconhecer a responsabilidade que o golpe tem nos retrocessos que tivemos nas políticas para as mulheres. Não apenas pelas verbas, reduzidas à míngua, mas também pelo desmantelamento de toda uma rede de proteção e emancipação que vinha sendo construída durante os governos de Lula e Dilma. Com menos verbas, ocorrem menos atendimentos e se estimula a subnotificação. É impossível ter certeza se os índices realmente diminuíram ou se o fato do governo investir menos está aumentando a subnotificação dos casos e maquiando os índices oficiais da segurança pública.” – afirma Kátia.

*Com informações e infográficos do Jornal Extra.

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