Taxa de ocupação de UTIs na cidade do Rio chega a 96%; oito municípios do interior não têm mais vagas

Taxa de ocupação de UTIs na cidade do Rio chega a 96%; oito municípios do interior não têm mais vagas

Após um período de estabilidade dos números de Covid-19, o Rio enfrenta nos últimos dias uma forte pressão em sua rede de saúde pública. A taxa de ocupação de leitos de UTI na capital bateu ontem 96%. No sábado, o índice estava em 93% e, há pouco mais de um mês, em 82%. A situação é ainda mais grave em oito cidades fluminenses onde não há mais vagas para tratamento intensivo: Três Rios, Teresópolis, Saquarema, Sapucaia, Rio das Ostras, Bom Jesus do Itabapoana, Paraíba do Sul e Miracema. A informação está no Painel Coronavírus, da Secretaria estadual de Saúde.

Outro dado que chama atenção é em relação aos pedidos de internação. Só na última sexta-feira, foram 201 solicitações para UTIs ou enfermarias, maior número registrado desde 20 de janeiro, segundo o governo estadual. Em todo o estado, a ocupação tem taxas menores: 73% nas UTIs e 50% nas enfermarias. Na semana passada, o índice para vagas de tratamento intensivo não ultrapassava os 70%.

Sobre o avanço na capital, o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, afirmou ao GLOBO que, apesar de a situação atual requerer um alerta, não há um crescimento relevante na ocupação de leitos de um modo geral. Ele garante que, caso haja a necessidade, há um plano de contingência para a rápida abertura de vagas.

— Nós ainda temos muitos leitos que são de fácil reabertura, caso seja preciso. Nos fins de semana, as taxas tendem a ser um pouco maiores, e, também, neste fim de semana, leitos do INI (Instituto Nacional de Infectologia da Fiocruz) foram bloqueados para receber pacientes de Manaus. Com isso, cresceu um pouco a taxa de ocupação. Mas a fila está zerada e pacientes estão conseguindo leitos — frisou o secretário. — Mas estamos em alerta já há algum tempo, tanto que estamos com medidas restritivas.

Leitos fechados

A rede SUS na capital — que inclui unidades municipais, estaduais e federais — tem hoje 395 vagas em enfermarias e UTIs bloqueadas, principalmente por falta de profissionais. Boa parte fica em hospitais federais. Estão operacionais, ou seja, abertos, 519 leitos de UTI e 646 de enfermaria, com 979 pacientes internados. A taxa de ocupação das vagas em geral é de 84%. Hoje autoridades do estado e da prefeitura vão se reunir para viabilizar o aumento da capacidade da rede.

O painel Rio Covid-19, da prefeitura, mostrava ontem à noite que havia 19 pessoas aguardando por internação. A principal unidade municipal de tratamento de pacientes com coronavírus, o Hospital Ronaldo Gazolla, tinha 140 pacientes em UTIs, apenas três leitos reservados e nenhum livre. Nas enfermarias, havia 60 leitos vagos. Ontem, um médico da unidade disse ao GLOBO que a procura aumentou muito nos últimos dias:

— Na última quinta-feira, estive num dos cinco CTIs e todos os 40 leitos estavam ocupados. Quando atingirmos a capacidade máxima, não teremos o que fazer. Não chegarão mais pacientes. O gargalo ficará nas UPAs e nas emergências da rede pública. Lá, sim, há um risco real de termos pacientes morrendo pelos corredores esperando por assistência.

Na manhã de ontem, era intenso o movimento de ambulâncias no Gazolla. O estacionamento chegou a ficar lotado em alguns momentos. A doméstica Regina Sousa acompanhava a tia e também relatou a superlotação dos leitos.

— A gente não tem acesso direto, mas vimos que os leitos estão bem ocupados e que a movimentação de parentes aumentou por aqui — observou.

Pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz, Margareth Portela considera a atual situação um pesadelo e não se surpreende com os números de casos da doença e de internações. Segundo ela, enquanto não houver vacina para todos, as medidas de restrição são fundamentais:

— Pelo que estamos acompanhando de desrespeito às regras e às normas de proteção, estranho era o Rio estar numa situação mais confortável do que a de outros estados. As estimativas mostram que podemos enfrentar uma piora dessa situação. Precisamos barrar esse avanço para desafogar os hospitais.

Ontem, o Estado do Rio registrou 1.697 casos de Covid-19 e cinco mortes em decorrência da doença, de acordo com a Secretaria de Saúde. Ao todo, foram 594.202 novos infectados e 33.717 vidas perdidas desde o início da pandemia, há um ano. A capital, que ontem somou 120 novos diagnósticos, chegou ao total de 209.647 casos e 19.143 óbitos.

Fonte: O Globo

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