4 Anos Sem Resposta: Quem Mandou Matar Marielle e Por quê?

4 Anos Sem Resposta: Quem Mandou Matar Marielle e Por quê?

Há quatro anos atrás, o Rio de Janeiro foi palco de um crime que chocou toda sociedade e feriu, em gravidade, nossa democracia. A Vereadora Marielle Franco (PSOL) e seu motorista, Anderson Gomes, foram assassinados no bairro do Estácio. Um crime político, um Feminicídio contra uma mulher negra homossexual que se destacava cada vez mais na câmara de vereadores do Rio de Janeiro.

 

“Não temos dúvida de que é Feminicídio Político a morte da vereadora Marielle Franco. Marielle foi a quinta mais votada nas eleições municipais de 2016 e sua execução menos de 6 meses antes das eleições de 2018 deixa claro que o objetivo era impedi-la de alçar voos mais altos. Sua carreira era promissora. No ataque à vereadora seu motorista também foi alvejado e veio a óbito. Os disparos foram certeiros, não sobraram dúvidas que foi execução.”– afirmou o Presidente da CTB-RJ, Paulo Sérgio Farias.

 

De fato, Marielle foi a quinta vereadora mais votada e tudo indicava que iria alçar vôos maiores nas eleições que se avizinhavam. Seu assassinato impediu que sua trajetória seguisse, porém, o trabalho da vereadora deixou sementes que mantém viva sua luta. Sua companheira, Mônica Benício, hoje é vereadora na Capital e outros quadros de seu partido, que compunham a base de seu gabinete, hoje ocupam a ALERJ, mantendo viva a luta da vereadora. A Secretária da Mulher Trabalhadora da CTB-RJ, Debora Henrique, lembra que as lutas pelas bandeiras erguidas por Marielle segue firme e exige justiça.

 

“Quatro anos sem Marielle. O Estado brasileiro precisa responder quem mandou matar Marielle e por quê. As lutas de Marielle não foram em vão, continuamos levantando as suas bandeiras e exigimos justiça por Marielle!” – disse Débora.

 

As investigações já apontam o assassino, o sargento reformado da Polícia Militar do Rio de Janeiro Ronnie Lessa é tido como responsável pelos tiros, tendo como cúmplice na ação o também ex-PM Élcio de Queiroz. Ambos estão detidos desde 2019, porém, a resposta sobre quem mandou matar Marielle e por quê, segue sem resposta.

 

“Ao longo desses 4 anos várias trocas no comando das investigações e a pergunta de quem mandou matar Marielle continua sem resposta. Outra pergunta se soma a essa, a quem interessa que essa pergunta jamais seja respondida?  A CTB se soma às milhares de vozes que clamam por justiça e pergunta: quem matou Marielle e por que ela foi morta?” – Questiona o Presidente da CTB-RJ, Paulo Sérgio Farias.

 

Monica Benício: “Não dá para esperar mais quatro anos por uma conclusão”

 

Na segunda-Feira (14), quando o crime completou 4 anos sem uma conclusão, familiares das vítimas e representantes de organizações de Direitos Humanos se reuniram com o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, cobrando celeridade e respostas. O encontro durou pouco mais de uma hora e foi avaliado como positivo por familiares de Marielle e Anderson. A irmã da vereadora, Anielle Franco, disse que Cláudio Castro prometeu empenho nas investigações para descobrir os mandantes dos assassinatos.

 

“A gente entende que foi um crime muito bem-feito, infelizmente. Mas a gente vai seguir cobrando justiça e o nome dos mandantes”.

 

A vereadora Mônica Benício, viúva de Marielle Franco, disse que não dá pra esperar mais quatro anos por uma conclusão e ressaltou o compromisso do governador em não deixar que a política contamine o caso em um ano eleitoral.

 

“O governador se comprometeu de que o caso Marielle Franco e Anderson Gomes é prioridade, que terá mais investimento na Polícia Civil e que não vai haver politicagem em cima do caso, embora seja um ano eleitoral. Essa foi uma preocupação que a gente demonstrou”.

 

Manifestações Diversas exigem respostas após 4 anos do crime

 

Durante toda o dia, atos exigindo justiça para Marielle e Anderson e relembrando asl lutas da vereadora aconteceram por toda cidade. Na Câmara de Vereadores, a Anistia Internacional lembrou que depois de quatro anos, o processo segue sem conclusão. Em paralelo, na Igreja da Candelária, uma missa homenageava as vítimas.

 

No fim da tarde, o Circo Voador recebeu uma grande atividade com artistas, militantes de movimentos sociais e políticos com e sem mandato para lembrar Marielle Franco e Anderson Gomes. Mesas de debates, atividades culturais e shows gratuitos com a presença de mulheres negras fizeram parte da programação que contou com shows de Karol Conka, Jéssica Ellen, MC Martina, MC Zuleide e DJ Thamy e Lelle do Passinho.

 

O evento também teve debate sobre o legado de mulheres negras na política e os desafios para este ano de eleições e uma oficina de escrita de cartas com o coletivo Mulheres que Escrevem.

Leia também...

Qual a sua opinião?

Seu e-mail não será publicado. Os campos com * são obrigatórios.