Apagão no Amapá: cai por terra o discurso da eficiência da iniciativa privada.

Apagão no Amapá: cai por terra o discurso da eficiência da iniciativa privada.

O Amapá vive uma das maiores crises de sua história. O fornecimento de eletricidade aos mais de 900 mil habitantes daquela unidade da federação sofreu um corte inesperado e que se estende por quase uma semana. Um estado com quase 80% de sua população totalmente no escuro.

A causa de tal tragédia foi um incêndio ocorrido em uma subestação de distribuição de eletricidade. A responsável: uma empresa privada de capital espanhol, a Isolux.  

“A Isolux, que tem histórico de maus serviços prestados em outros países deixou uma população de 700 mil pessoas, de 13 dos 16 municípios sem luz. O que acontece no Amapá pode ser o que vai acontecer no Brasil em caso de privatização da Eletrobras.” – Critica o Presidente da CTB-RJ, Paulo Sérgio Farias.

A incompetência da empresa privada Isolux põe por terra o discurso de que as empresas privadas são melhores para administrar a coisa pública. Por conta das deficiências da empresa espanhola, o Estado de Calamidade Pública se instaurou por todo território do Amapá. E, para resolver as incapacidades do setor privado, buscou-se as empresas públicas. Mais especificamente a Eletronorte, subsidiária da Eletrobrás.

“O caos vivido pela população do Estado do Amapá tem um único responsável: a empresa espanhola Isolux. A empresa privada que detém a concessão da distribuição de energia elétrica simplesmente ignora a mínima necessidade de peças de reposição em caso de pane, neste caso, a falta de transformadores reservas de garantia. O caos se instalou e quem vai resolver os problemas será a estatal Eletronorte.” – afirmou o Presidente da CTB-RJ.

A Isolux Corsán é uma filial brasileira de um grupo espanhol que opera em diversos setores de infraestrutura pelo mundo afora. O grupo vem passando por dificuldades financeiras há vários anos e não consegue se desfazer de seus ativos aqui no Brasil. Desde 2017 que a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) acompanha a situação mas foi incapaz de encontrar uma solução, mantendo a concessão mesmo com os riscos. O resultado da entrega da coisa pública ao setor privado junto à omissão das agências reguladoras é um estado às escuras.

“O apagão prejudica não só o abastecimento de energia elétrica, mas falta água para o consumo humano, faltam combustíveis e os serviços públicos não funcionam regularmente. Os hospitais para funcionar vão precisar de geradores cedidos pelo Ministério das Minas e Energia. O fato concreto é que a tão propalada eficiência do setor privado na prestação de serviços públicos caiu mais uma vez por terra. Está provado que o único objetivo dessas empresas é o lucro. Poucos são os investimentos dessas empresas na manutenção ou mesmo na ampliação dos serviços.” – Criticou o Presidente da CTB-RJ, Paulo Sérgio Farias.

Esse é apenas um exemplo dos malefícios que as privatizações fazem ao Brasil. Não faz muito tempo que, em Minas Gerais, sucessivos desastres ambientais (com destaque para Brumadinho) demonstram como a Vale do Rio Doce privatizada investiu menos em segurança e foi irresponsável na extração de nossas riquezas. As empresas de telefonia, privatizadas durante os governos de Fernando Henrique Cardoso, seguem ofertando ao consumidor serviços caros e de péssima qualidade. A ENEL, subsidiária privada de fornecimento de energia elétrica de diversos municípios do Estado do Rio de Janeiro é campeã de reclamações por parte dos que dependem de seus serviços. O que efetivamente melhorou no Brasil após as privatizações?

É preciso estar alerta! Aqui no Rio de Janeiro, entra governo e sai governo, entre a prisão de um ou outro governador, sempre ressurge a ameaça de privatização da CEDAE. Uma empresa superavitária que presta um serviço essencial para a população é ameaçada por uma proposta que vai na contramão do que ocorre nas grandes cidades de todo o mundo (que reestatizam suas empresas de saneamento).

A CTB Rio de Janeiro está na vanguarda luta contra a Privatização da CEDAE. Aliada ao Sintsama-RJ e outras entidades dos movimentos sociais e populares, a Central Sindical classista esteve presente em diversos atos e segue organizada para resistir às propostas de entrega da CEDAE para a iniciativa privada. No Amapá, empresários sedentos por lucro deixaram o povo às escuras. O movimento social do Rio de Janeiro precisa estar atento para não permitir que o fornecimento de água e o saneamento básico do povo fluminense sofra a mesma vulnerabilidade.

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