Bancários Classistas na luta pela jornada de 4 dias, pelo fim das metas e por reajuste de 5% + inflação

Bancários Classistas na luta pela jornada de 4 dias, pelo fim das metas e por reajuste de 5% + inflação

Os bancários e bancárias da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil estão firmes na campanha salarial da categoria que entra em fase decisiva nessa semana, com a primeira rodada de negociações com a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) marcada para quarta-feira, dia 22. Participando ativamente da gestão, o núcleo de bancários da CTB tem defendido a reposição da inflação mais aumento real de 5%, o fim das metas e a redução da jornada para 4 dias da semana sem redução de salário.

 

“Nós, bancários e bancárias classistas da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil estamos atuando com firmeza em toda campanha salaria, mobilizado nossas bases e fazendo pressão. Queremos a reposição da inflação e aumento real de 5%, o fim das metas e de todos os assédios e a redução da jornada de trabalho sem redução de salários.” – afirma Kátia Branco, vice-presidenta do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro e vice-presidenta da CTB-RJ.

 

A cetebista lembra que os lucros dos bancos no Brasil são enormes e que essa lucratividade não é revertida em mais postos de trabalhos e nem em melhores condições de trabalho para os bancários e bancárias. A categoria tem índices altíssimos de afastamentos por saúde no trabalho e reivindica uma PLR mais adequada. No primeiro trimestre do 2022, o lucro líquido dos cinco maiores bancos do país foi de R$ 28 bilhões, lucro impulsionado por uma redução drástica nos postos de trabalho. Em 2015, os cinco maiores bancos do país possuíam 309,4 milhões de clientes e 433 mil bancários, em uma méida de 715 clientes por trabalhador; ao final de 2021 os clientes eram 464 milhões e os bancários apenas 394 mil, em uma média de 1.180 clientes por trabalhador.

 

“O aumento da média de clientes por trabalhador, junto com as metas impostas pelos patrões, tem impacto direto no adoecimento da categoria. Lutar contra as metas e contra o assédio moral é defender a saúde dos bancários e bancárias, pauta central para a CTB-RJ. Nesse contexto, a defesa da redução da jornada ganha um plano especial. Reduzir a jornada é também aumentar o número de vagas, gerar empregos e diminuir essa relação absurda de clientes por trabalhador.” – defende Kátia.

 

A cetebista faz questão de mencionar o recorte de gênero, pois nesse contexto do aumento da relação de clientes por trabalhador, as bancárias são as mais prejudicadas.

 

“As mulheres trabalhadoras, como sempre, são as mais prejudicadas com as metas e com o amento da relação de trabalhadoras por cliente, nós que já sofremos por dupla, por vezes tripla jornada, temos um alto grau de adoecimento. Só na Caixa Econômica Federal, mais de 40% das mulheres tiveram algum problema de saúde relacionado ao trabalho contra apenas 28% dos homens.” – destaca a vice-presidenta da CTB-RJ.

 

Redução de Jornada sem Redução Salarial é tendência mundial pós-pandemia

 

Os Emirados Árabes Unidos foram o primeiro país do mundo a adotar, integralmente, a semana de 4 dias úteis. A jornada de trabalho de 36 horas semanais entrou em vigor em janeiro deste ano, para todos os órgãos públicos, inclusive o banco central. Na Finlândia, foi adotada em 2020 uma jornada padrão de seis horas durante quatro dias da semana, com resultados tidos como satisfatórios para os pesquisadores locais.

 

Esse ano, a Islândia realizou um teste de redução da jornada semanal, de de 40 horas para 35 ou 36 horas. Segundo avaliação local, o sucesso foi “esmagador”. Enquanto a produtividade foi igual ou até melhor na maioria dos locais de trabalho, os trabalhadores relataram menos estresse e maior equilíbrio entre vida profissional e familiar.

 

Desde o último dia 6, o Reino Unido é outro lugar onde a jornada reduzida é testada. Em um projeto que envolve as universidades de Oxford e Cambridge, a jornada de 4 dias úteis está sendo testada por cerca de 3 mil trabalhadores e trabalhadoras de 70 empresas. Irlanda, Estados Unidos, Canadá, Austrália e Nova Zelândia também devem testar a jornada reduzida de 4 dias úteis nas próximas semanas.

 

No Brasil, a redução da jornada sem redução de salário está na Pauta da Classe Trabalhadora, documento aprovado durante a Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat), que aconteceu em abril deste ano, convocada por dez centrais sindicais. O documento aprovado será apresentado aos postulantes à Presidência da República e a candidatos a vagas na Câmara e no Senado.

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