Coronavírus: Portuários preocupados com prevenção, saúde e direitos conquistados

Coronavírus: Portuários preocupados com prevenção, saúde e direitos conquistados

Categoria que não pode parar durante a pandemia, responsável pelo recebimento de inúmeras mercadorias e uma das portas de entrada e saída do país, os Portuários encontram-se preocupados com as medidas que o governo federal aponta pode tomar sobre as categorias portuárias durante essa pandemia do Coronavírus.

Enquanto em Santos (SP), os portuários estão em um conflito agudo por diversas questões, no Rio de Janeiro, sob os olhos do Sindicato dos Estivadores do Rio de Janeiro e da Intersindical Portuária, as categorias vivem com um aumento nos métodos de prevenção.

“Antes da caracterização da pandemia, nós buscamos uma reunião com a ANVISA, com os operadores portuários e gestores da mão de obra para que todas as medidas necessárias fossem adotadas para proteger a saúde dos trabalhadores” – explica Ernâni Florêncio, Dirigente da CTB-RJ e Presidente do Sindicato dos Estivadores e da Intersindical Portuária.

Ernani relatou ao Portal CTB-RJ que, no começo, existiram problemas (em especial com o atraso da chegada do Álcool em Gel), mas todas as questões de prevenção já foram resolvidas. Hoje, os portuários tem acesso a máscaras, a aferição da temperatura  por enfermeiros, e contam com medidas de fiscalização da ANVISA nos navios que atracam por aqui.

“Todos os trabalhadores, quando vão para o ambiente de bordo, sem importar o país de origem da embarcação, estão indo dotados de máscaras. Também foram instaladas pias para lavar as mãos com sabão e, em seguida há a desinfecção com álcool gel.”- conta Ernani.

Apesar dos cuidados com a saúde, as categorias portuárias seguem tensas com o futuro durante esse período. Os trabalhadores portuários das categorias de Estivadores, Capatazia, Bloco, Consertadores, Vigias Portuários e Conferentes, em sua maioria, trabalhadores avulsos, seguem apreensivos com uma Medida Provisória a ser editada em breve pelo Governo Federal, através do Ministério da Infraestrutura e da Secretaria de Portos. A MP, que deveria versar sobre medidas de proteção social pode, na prática, retirar direitos.

“Estamos aguardando com apreensão porque circula a informação de que o governo traria nessa MP, medidas que podem mexer com nossos direitos. Estamos bastante preocupados que o governo venha a se aproveitar do momento, que é o de se tratar de saúde, para subtrair direitos dos trabalhadores portuários.” – explica Ernani.

A princípio, a MP apontaria para um PDV (Plano de Desligamento Voluntário) e do afastamento dos trabalhadores acima de 60 anos, o que poderia os deixar sem remuneração. Para evitar isso, o governo fala em uma garantia de renda mínima, que não atenderia aos aposentados, o que encontra resistência nos  representantes das categorias.

“Nós não concordamos que o auxílio não atenda aos aposentados, porque uma questão de direito previdenciário conquistado não deve se misturar com a renda propriamente dita. A partir do momento que ele seja impedido de trabalhar, isso vai ter um impacto financeiro na sua família.” – defender Ernani.

O Sindicalista comenta que em termos de saúde, as precauções vem sendo tomadas. O Alojamento de Itaguaí, recém-inaugurado, foi fechado para evitar aglomerações, houve mudança nos turnos de escalação (com o mesmo intuito), os ônibus tem sido higienizados, há presença de profissionais da saúde para aferição de temperatura e orientação. Somam-se aos procedimentos já mencionados, a desativação do sistema de biometria, evitando com isso o risco de transmissão do coronavírus pela digital de cada trabalhador, e, ainda, a lavagem e desinfecção do piso do ambiente de escalação, no armazém 18, do porto do Rio de Janeiro. Outras medidas vem sendo estudadas, em processo acompanhado pela representação sindical.

Até o momento, nenhum trabalhador portuário manifestou sintomas da COVID-19, mas Ernani alerta que esse não é o único risco para a saúde da categoria.

“Convivemos com um ambiente insalubre há mais de 100 anos, mas especificamente sobre o novo coronavírus, com todo monitoramento que tem sido feito, com a presença de enfermeiras que fazem aferição da temperatura e com os cuidados de saúde que vem sendo tomados, não há nenhuma constatação da doença dentro da categoria.” – informa o líder sindical.

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