CRIVELLA PROMETEU INVESTIR NA SAÚDE, MAS ANUNCIA CORTES

CRIVELLA PROMETEU INVESTIR NA SAÚDE, MAS ANUNCIA CORTES

Os cortes anunciados pelo prefeito Marcelo Crivella (PRB) preocupam trabalhadores da Saúde. Faltando apenas poucos dias para o mês de março acabar, cerca de mil funcionários terceirizados e duas unidades de saúde ainda estão sem receber os salários referentes à fevereiro. Na semana passada eram 8 mil.

Há dois meses os salários dos mais de 30 mil terceirizados da Saúde estão sofrendo atrasos, assim como os repasses para compra de medicamentos e insumos básicos para as Clínicas da Família.

Em uma reunião entre representantes da secretaria de Saúde e um grupo de trabalhadores, na semana passada, os funcionários da prefeitura explicaram que o orçamento para manter a estrutura atual está garantido só até o meio do ano. “Na reunião que tivemos com representantes da secretaria de Saúde garantiram que os pagamentos serão regularizados a partir do mês que vem, que todos os repasses já foram feitos, mas que o orçamento previsto só está garantido até o meio do ano. Depois disso, vão rever os gastos e seguramente haverá cortes”, afirma o vice-presidente do sindicato dos Agentes de Saúde Comunitária (ASC), Wagner Souza.

No entanto, o secretário municipal de Saúde, Carlos Eduardo, ainda não se pronunciou sobre quais áreas serão afetadas com a tesourada no orçamento.

“Os cortes na Saúde podem resultar em uma tragédia. Estamos falando de um setor que já é crítico, que está passando por problemas como aumento da febre amarela. Além disso, o crescente desemprego e a pobreza levam um número maior de pessoas a buscar o sistema público. Isso não foi o que o prefeito anunciou em sua campanha política. Isso é uma traição”, destaca a professora Lígia Bahia, pesquisadora do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Durante a campanha eleitoral, Marcelo Crivella falava em ampliação dos investimentos em saúde. “Vamos manter e melhorar o programa Clínica da Família e criar o Programa Clínica de Especialistas. Serão criadas policlínicas de especialidades com otorrinolaringologistas, ortopedistas, oftalmologistas, dermatologistas, cardiologistas, endocrinologistas, pneumologistas, urologistas, ginecologistas e pediatras”, disse o atual prefeito em entrevista à imprensa durante a campanha.

Agora o discurso é outro. Nenhuma secretaria municipal será poupada do corte de R$ 700 milhões nas despesas da prefeitura, informou o prefeito no início de março. “As despesas deste ano estão previstas em R$ 29 bilhões e a arrecadação em R$ 26 bilhões, o que dá um rombo de R$ 3 bilhões”, disse, na ocasião, atribuindo o déficit ao aumento do custeio da máquina pública e aos empréstimos contraídos na gestão do prefeito Eduardo Paes (PMDB).

Na Saúde, o corte chega a R$ 547 milhões, dos quais R$ 454 milhões atingem diretamente as organizações sociais (OSs) que administram 45% do orçamento da Saúde. As OSs são responsáveis por gerir 125 clínicas da família, 30 centros psicossociais,14 unidades de pronto atendimento (UPAs), sete centros de emergência, três maternidades e três hospitais.

O orçamento anual da Secretaria Municipal de Saúde, aprovado pelos vereadores, para este ano foi de R$ 5,46 bilhões. Porém, no Rio Transparente constam apenas R$ 4,92 bilhões. O Hospital Souza Aguiar foi um dos mais atingidos com um corte de R$ 33 milhões, segundo dados apurados pela revista Piauí.

No setor, o clima é de preocupação. “Apesar de a Secretaria Municipal de Saúde ter garantido que não haverá demissões nem corte de equipes, nós sabemos que isso pode acontecer”, diz Wagner Souza.

O temor é de que a população que já está sofrendo com os problemas nas unidades de saúde do governo do estado possa ser ainda mais prejudicada caso a prefeitura do Rio também faça cortes no setor.

Fonte: Brasil de Fato

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