Dirigentes Sindicais Classistas comentam ação da Prefeitura com relação à família de Moïse

Dirigentes Sindicais Classistas comentam ação da Prefeitura com relação à família de Moïse

A Prefeitura do Rio de Janeiro anunciou, essa semana, que os quiosques Biruta e Tropicália, locais onde trabalhava o congolês Moïse Kabagambe, brutalmente assassinado por buscar seus direitos, se transformariam em um memorial e teriam a gestão cedida à família do congolês.

 

A medida teve uma repercussão inicial positiva, com muitos comentários favoráveis nas redes sociais da Prefeitura e do Prefeito Eduardo Paes, mas gerou reações do movimento de luta contra o Racismo, que viu uma ação eleitoreira do Prefeito e questionou o fato da família trabalhar no local onde um de seus entes foi brutalmente torturado e assassinado.

 

O Portal CTB-RJ conversou com duas lideranças cetebistas da luta antirracista para saber a opinião da Central sobre o tema.

 

A Secretária Geral da CTB-RJ, Raimunda Leone, criticou o Prefeito pela ação tida como “oportunista”, defendeu o acolhimento da família e que o racismo seja combatido com políticas públicas e não apenas com ações de marketing:

 

“Entendemos que é importante que neste primeiro momento a família de Moïse seja acolhida com muito carinho e respeito. Penso que a desapropriação do quiosque, para a família, foi feita em momento inoportuno. O prefeito foi oportunista e deveria ter esperado um pouco para fazer o anúncio. Até porque isso não vai reparar os danos psicólogos e emocionas desta família que levará as cicatrizes do assassinato de Moïse para o resto de suas vidas. A prefeitura tem que cuidar mais do seu povo levando saneamento básico para as favelas, investindo mais em saúde e educação, melhorando o sistema de transporte público e combatendo o racismo estrutural em todas as suas esferas com políticas públicas.”- defendeu.

 

O Dirigente do Sindsprev, Osvaldo Sérgio Mendes, salientou a diferença entre reparação e compensação e também teceu críticas à medida do Prefeito Eduardo Paes:

 

“Obviamente, o Estado está fazendo uma compensação um crime bárbaro que não tem compensação. Eles tinham que fazer uma reparação. E reparação é algo que é exigência do reparado. É o reparado que diz qual a sua reparação, não o Estado que diz qual reparação e o tempo em que ela será vigente. Reparação tem tempo indeterminado, é para o resto da vida. A luta por uma reparação por tempo indeterminado, e determinada pela família, é uma luta que o movimento negro terá que travar no momento adequado.” – disse.

 

O dirigente do Sindsprev também ressaltou a importância do movimento sindical se inserir nas lutas contra o racismo e em defesa da população negra:

 

“É muito importante a participação do movimento sindical nos conflitos raciais. Nós, negros, somos a maioria no Sindicalismo. Não podemos nos calar diante de um crime bárbaro com esse. Um crime de racismo, xenofobia e ódio. Exigimos a punição de todos os assassinos.”- afirmou Osvaldo.

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