Eduardo Leite, Representatividade e a questão de Classe nas pautas LGBTQIA+

Eduardo Leite, Representatividade e a questão de Classe nas pautas LGBTQIA+

por Paulo Sérgio Farias*

Um dos temas mais debatidos nas redes sociais nessa sexta-feira (2) é a entrevista que foi ao ar no Programa “Conversa com Bial” da Rede Globo, onde o governador do Rio Grande do Sul e presidenciável pelo PSDB, Eduardo Leite, assume sua homossexualidade. O trecho em que o mandatário gaúcho assume sua orientação sexual circula pelas redes sociais e gerou grande repercussão. Mas afinal, o que podemos ler do ato de Eduardo Leite tornar pública sua orientação sexual?

É inegável a importância para a população LGBTQIA+ de Eduardo Leite falar publicamente sobre sua orientação sexual. Importante em questões como representatividade e ocupação de espaços de poder, por exemplo. Eduardo Leite governa cerca de 11 milhões de pessoas, dirige a quinta maior economia do país e se trata de um dos pré-candidatos à presidência pelo PSDB. A visibilidade de sua saída do armário é importante para uma população que luta diariamente pelo direito de existir e, por isso, devemos sim, valorizar esse ato.

E justamente por valorizar tal ato, devemos refutar com veemência o discurso homofóbico que coloca como eleitoreira a ação do governador gaúcho. Que vantagem eleitoral Eduardo Leite teria no país que mais mata homossexuais no mundo e que elegeu um presidente com base em “Fake News” ancoradas, em sua ampla maioria, no preconceito homofóbico enraizado em nossa sociedade?

Feito os devidos elogios, precisamos lembrar, no entanto, que o fato de um governador ser homossexual e assumir sua orientação publicamente ser notícia se faz por distorções sociais que Eduardo Leite e o projeto político que ele representa ajudam diariamente a construir. Não faz muito tempo que o governador do Rio Grande do Sul afirmou não se arrepender de apoiar e ajudar a eleger o presidente genocida Jair Bolsonaro, que estimula por meio de sua rede de ódio, estimular ao máximo todos os preconceitos contra a população LGBTQIA+.

A luta contra o preconceito contra a população LGBTQIA+ não é uma pauta de exclusividade da esquerda. No debate político outros Eduardos Leites aparecerão e a coragem ao assumir sua homossexualidade deve ser saudada por todos. O que nos difere do governador do Rio Grande do Sul é a forma como se olha para a própria população LGBTQIA+, pois é no recorte de classe que nossas diferenças se acentuam.

É pelo viés da classe que sabemos que o preconceito relega grande parte dessa população a empregos em condições mais precárias, com salários mais baixos e muitas vezes na total informalidade. E por isso sabemos da importância de medidas que possam inserir essa população de forma digna no mercado de trabalho. Garantir direitos e proteção social é uma pauta que nos afasta de Eduardo Leite.

É bom lembrar, também, que apesar de não ter a mesma publicidade, Eduardo Leite não é o único governador brasileiro assumidamente LGBTQIA+. A Governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), é lésbica e, ao contrário de Leite, apoiadora das causas levantadas pelo movimento LGBTQIA+. E que surjam cada vez mais! Mas compreendamos que é na Luta de Classes que vamos encontrar quem são os LGBTQIA+ estão do nosso lado para conquistar direitos e emancipação.

*Paulo Sérgio Farias é Presidente da CTB Rio de Janeiro

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