Leilão da CEDAE: Consórcios ficam com Lucro enquanto Estado terá que fazer Investimentos

Leilão da CEDAE: Consórcios ficam com Lucro enquanto Estado terá que fazer Investimentos

Um grande negócio para os consórcios vencedores e um crime contra o povo do Rio de Janeiro. Assim pode ser definido o leilão da CEDAE, ocorrido na tarde dessa sexta-feira, por incrível que pareça, na cidade de São Paulo. O Presidente Genocida, Jair Bolsonaro e o Ministro da Economia, e fundador do grupo que gere um dos consórcios vencedores, Paulo Guedes, compareceram ao Leilão e foram recebidos com muitos protestos no local. O Governador Claudio Castro também esteve presente

O leilão resultou na venda de três blocos por R$ 22,69 bilhões, com ágio de até 187% em um dos blocos, apesar da Assembleia Legislativa ter aprovado a suspensão do leilão no dia anterior. A companhia foi dividida em quatro blocos. O bloco 1 foi arrematado pelo consórcio Aegea, por R$ 8,2 bilhões, com ágio de 103,13%. O bloco 2 ficou com o consórcio Iguá Projetos (do qual faz parte o BTG Pactual, banco fundado por Paulo Guedes), por R$ 7,286 bilhões, com ágio de 129,68%. O bloco 3 não obteve proposta, pois o único interessado, o consórcio Aegea, não prosseguiu na oferta. O bloco 4 foi arrematado pelo consórcio Aegea por R$ 7,203 bilhões, com ágio de 187,75%.

Algumas curiosidades marcam esses números. Primeiro que o único bloco sem vencedor é justamente aquele em que há necessidade de maior investimento, sendo composto por bairros da Zona Oeste e seis municípios do interior e da região metropolitana. É um bloco que teria que precisa de investimentos e que, por isso, não atraiu interesses dos consórcios que buscaram apenas as áreas mais lucrativas. O Presidente da CTB-RJ, Paulo Sérgio Farias, fez duras críticas a todo processo:

“Intrigante é a posição do presidente do STF que se constituiu com um verdadeiro defensor dos interesses privados não permitindo sequer que ações que questionavam aspectos contraditórios do edital fossem questionados. É gritante esse leilão. Está provado o interesse de Paulo Guedes no leilão da Cedae, o Banco Pactual se torna sócio do negócio. O mesmo banco que segundo notícias divulgadas, foi beneficiado com a venda de uma carteira de crédito do Banco do Brasil de quase 3 bi arrematada por 371 milhões. O negocio é tão vil que o bloco 3, que inclui áreas carentes da Zona Oeste, foi relegada ao esquecimento. Vamos continuar lutando! Não vamos descansar enquanto não derrubar essa negociata, esse acordo espúrio para entregar o patrimônio público!” – afirmou.

Batalhas judiciais antecederam o leilão

O Governador Cláudio Castro se empenhou muito em vender o patrimônio do povo fluminense. Para agradar aos interesses do governo Federal, agiu para derrubar decisões judiciais que impediam o Leilão e, até mesmo, entrou em atrito com a Alerj, ignorando as decisões do legislativo.

Além da suspensão do leilão pelos deputados estaduais na Assembleia Legislativa do Rio, para que a venda ocorresse, foi necessário derrubar várias liminares que questionavam a privatização da estatal. O Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro concedeu liminar aos funcionários da Cedae suspendendo o leilão da empresa fluminense de saneamento, na segunda-feira (26).

A liminar atendia um mandado de segurança impetrado pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Saneamento Básico e Meio Ambiente do Estado do Rio de Janeiro (Sintsama) e pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgoto de Campos e Região Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro (Staecnon).

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