Pelo Fim Imediato da Necropolítica do Governo do Estado! Paz para as Periferias! Paz para as Favelas!

Pelo Fim Imediato da Necropolítica do Governo do Estado! Paz para as Periferias! Paz para as Favelas!

Em sua obra, “Dezoito Brumário de Louis Bonaparte”, o filósofo alemão Karl Marx escreveu uma frase que se tornou uma famosa citação, usada até hoje: “a história se repete, a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa”. Tal frase, escrita em pleno século XIX, cai como uma luva para ilustrar mais um absurdo da segurança pública do governo do Estado do Rio de Janeiro.

 

O roteiro se repete. E não é de hoje, são décadas e décadas que as comunidades periféricas e as favelas ficam no fogo cruzado na disputa entre polícia e tráfico de drogas. E, nessa guerra, um roteiro em específico, sempre termina em tragédia. Quando um policial é ferido pelo tráfico, a revanche da polícia coloca a comunidade que se encontra no meio dessa disputa em pânico. Foi assim, meses atrás, no Jacarezinho. Foi assim, recentemente, no Morro do Salgueiro, em São Gonçalo.

 

Nós, da CTB Rio de Janeiro, lamentamos a morte dos policiais mortos em serviço, dedicando suas vidas a proteger a população fluminense e somos solidários à família e amigos do sargento Leandro Rumbelsperger da Silva, de 38 anos, assassinado, em São Gonçalo, pelo tráfico, na madrugada de sábado (20). Entendemos a sede de justiça dos amigos mais próximos e defendemos que os responsáveis paguem pelo crime bárbaro. No entanto, jamais podemos concordar com uma ação policial que deixa 8 mortos, em mais uma chacina que mancha a história do nosso Rio de Janeiro.

 

A Polícia Militar é uma organização de Estado e tem o dever de garantir a segurança da nossa população. Execução e pena de morte não fazem parte do código penal brasileiro. É completamente inaceitável, portanto, que cada vez que ocorra a absurda morte de um policial, milhares de cidadãos inocentes tenham que se esconder da “revanche” promovida pela PM.

 

Não é de Revanches que a sociedade fluminense precisa. A Sociedade Fluminense precisa de uma polícia que use de inteligência, estratégia e tática para enfrentar o crime organizado. De uma polícia que atue com o mesmo respeito na favela e na periferia, que atua na Vieira Souto e na Delfim Moreira.

 

Logo após o Dia da Consciência Negra, mais uma vez uma região majoritariamente povoada por negros e negras virou palco de guerra porque o Estado acredita que ali, pode. Assim, como meses atrás, criminosamente, o mesmo Estado e a mesma Polícia Militar acreditaram que no Jacarezinho, podia.

 

Não pode!

 

Basta de violência nas periferias e nas comunidades! Basta de revanchismo sem estratégia, basta de uma guerra que leva uma idosa de 71 anos a ser baleada em meio ao fogo cruzado.

 

O povo do Rio de Janeiro não pode aceitar a lógica de “atirar na cabecinha”. A Necropolítica de Claudio Castro precisa acabar! É hora de canalizar as energias dos vitoriosos atos do dia 20 de novembro para uma grande marcha contra a necropolítica de Claudio Castro!

 

Rio de Janeiro, 22 de Novembro de 2021

Paulo Sérgio Farias

Presidente da CTB-RJ

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